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domingo, 4 de agosto de 2013

Mandala também no bolo!

Reunir várias paixões num mesmo projeto é tarefa daquelas que parecem acontecer como num desenho animado. Depois da primeira ideia vem outra que complementa a primeira e, logo atrás, a terceira que arremata tudo numa unidade tão perfeita, que parece ser resultado de um plano bem arquitetado anteriormente. Gosto ainda mais assim, sem planejamento algum, numa sequência de soluções que aparecem na hora H.
A tarde de sábado rendeu bons momentos nesse tom de encaixes, tudo com sabor de chocolate. Companhia do sobrinho Bruno + ideia de preparar bolo de chocolate + orientação culinária da amiga Laély pelo Facebook + receita perfeita + fez-se a luz para a decoração.
O Bolo Fudge, do Panelinha (aqui), conquista até quem não é fã de chocolate (eu!). Com gosto bem acentuado, optamos por deixá-lo purinho, sem a cobertura de ganache, para amenizar o exagero "chocolístico". Mas, bolo pelado, tão na moda, só fica bonito mesmo quando recheado e decorado no topo. Olhei pra ele e a solução piscou pra mim. Estêncil é sempre uma carta meio mágica na manga pra enfeitar tantas coisas, também bolos. E como tenho vários snowflakes guardados do Natal, foi só escolher um com desenho mais aberto pra criar a decoração mais vapt-vupt da confeitaria.

Centralizei a mandala vazada e polvilhei açúcar de confeiteiro. Várias camadas para a superfície ficar bem nevada.
Depois, momento do desafio: retirar o estêncil num golpe de mestre para não estragar o gráfico, nem deixar cair a sobra do açúcar que se deposita sobre ele. Com jeitinho, sempre dá certo.


E a mandala em negativo nasceu lindona pra alegrar o bolo e a nossa tarde.
Gêmea dessa em vidro, em positivo, ambas nos lembrando que é nesse círculo das boas companhias e boas energias que os dias se fazem mais interessantes. Uma semana criativa e próspera a todos! Amém.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Bom



Sonhos muito antigos, infelizmente, muitas vezes acabam esquecidos em alguma gavetinha emperrada pelo tempo. Lá, cada vez mais empoeirados pelas urgências do hoje, perdem a chance de ganhar corpo e voz na realidade, e assim vamos semeando vazios camuflados em nós, num jogo perigoso, não é mesmo? Mega sonhos, micro sonhos, não importa tanto a sua grandeza, mas seu significado e repercussão, tanto na concretização, quanto no abandono.
Pensei muito sobre esta questão assim que recebi o telefonema de um amigo antigo,  nunca perdido pelo esquecimento. Era uma convocação: - A macieira tá carregada!! Não vais perder a chance de vê-la, né?
Derretida com a delicadeza do gesto e eufórica com o sonho de criança à vista, vesti minha menina da alma com sua capa vermelha e lá fui eu, "pela estrada afora", atrás das maçãs, nunca vistas no pé.

Sim, um verdadeiro milagre me esperava. Um milagre rubro e sumarento, graça concedida a um lobo  de grande fé. Fé que lhe apoiou na ideia revolucionária de plantar macieiras num clima totalmente avesso ao adequado, com temperaturas que beiram os 40 graus, quando sabemos que a árvore necessita de muito frio para frutificar. Mas quem diz que o improvável é justificativa para os abençoados pela teimosia engenhosa? Às vezes, é preciso dar um empurrãozinho no rumo das coisas, e foi o que ele fez. Com imensa boa-vontade e paciência, polinizou as jovens árvores manualmente, feito um inseto delicado ou um vento predestinado. 


E pelo segundo ano, a colheita é farta, a recompensa é justa e a luz dos olhos do sonhador, comovente! 
Trouxe um cesto cheinho de ensinamentos e crenças positivas fortalecidas, além dessas belezuras de sabor especial, tratadas como rainhas, bem longe de qualquer veneno químico, mimadas pelas mãos firmes e suaves e o coração bom e sábio do amigo querido. 
Quanta riqueza ter amigos que cutucam o que não deve morrer nunca em nós com um sopro corajoso de esperança! 
Pra eternizar o momento também pelo paladar, usei algumas das frutas recém-colhidas para preparar o "bolo de maçãs inteiras", receita que sempre causa aquela expectativa gostosa na hora de cortar. A receita adaptei daqui.


“Qual é esse processo do espírito e da semente cheio de fé que toca o solo nu e o torna rico de novo?
Não tenho a resposta completa.
Só sei o seguinte: aquilo a que dedicamos nossos dias pode ser o mínimo que fazemos, se não compreendermos também que algo espera que a gente abra espaço para ele, algo que paira perto de nós, algo que ama, e que espera que o terreno certo seja preparado para que ele possa se revelar." (Clarissa Pínkola Estés, do livro "O Jardineiro que Tinha Fé")
Amém!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Em dezembro, tantos tons dos nossos dons

"Quando Deus nos dá um dom, não devemos contrariá-lo." 
O conselho dado pela mãe a Jair Rodrigues borboleteou em mim e foi pousar naquela revisão costumeira de final de ano. Revendo as cenas do último mês, confirmo minha paixão por dezembro pelo aval que ele nos dá para soltarmos a criancice, fantasia, imaginação, nossa maior fonte de dons, enquanto nos preparamos para as festas. Reencontro entusiasmada a menina dos meus olhos nessa época de vestir a casa e a vida de outros significados, melhor ainda quando em companhia dos que curtem no mesmo astral. 
E assim foi com a guirlanda, peça que sempre me acorda a inspiração, dessa vez, em versão floral construída em vários capítulos. Sequei por semanas as rosas exuberantes, presente do meu filho a minha mãe, hortênsias, margaridinhas e sempre-vivas. Depois, agrupei-as numa base montada com gravetos e juntei bolinhas cor de rosa e verdes. Tudo casou tão bem, que já tenho planos para deixá-la conosco o ano todo, substituindo as bolinhas por mais flores.


Biscoitos, outra paixão sem idade, reuniu uma turminha animada em volta de cortadores e glacês. Minha mestra confeiteira, a tia de 89 anos, deu o tom e a orquestra formada pelo sobrinho, 11 anos, minha mãe, 81, sua cuidadora e eu tratou de seguir o arranjo sem desafinar. Bolachinhas de mel, da Lu Gastal, e amanteigados rendados, usando a técnica mágica do crochê prensado, renderam lembranças tão doces quanto os presentinhos depois distribuídos.

Com a proposta de uma decoração usando materiais que tínhamos à mão, o sobrinho Bruno se divertiu repaginando a árvore confeccionada por ele no ano anterior. Tinta spray é brincadeira das boas! Em minutos, um vermelho lindo, no tom Coca Cola, transformou o pinheiro, que ganhou festão e bolas com guizo, a única concessão ao made in China.
Como comprovação de uma das melhores mudanças dos últimos tempos, a do reconhecimento ao manual como tendência que veio pra ficar, meus docinhos e cogumelos foram parar no Jornal Zero Hora. Alegria com gostinho de presente do Universo pelo exercício de persistir no caminho das invenções de moda.
Investi também numa moda retrô, tão explorada pelas tias quando eu era criança e que tanto me encantava. Assei bolinhos de frutas em latas de goiabada, sardinha, atum... A decoração, também singela, não pode ser mais fácil: um recorte de papel sobre a superfície e açúcar de confeiteiro polvilhado. Com jeitinho, retira-se a matriz e o bolo está carimbado.
Mas outros tons, não só dos crafts e confeitos, fizeram o mês mais criativo e feliz. Bruno, flautista entusiasmado...

... deu ouvido desde cedo ao seu dom e está aprendendo com maestria que essa é a chave para abrir muitos sonhos à realidade. Papai Noel resolveu compensá-lo: vem aí os sons do sax para embalar nossa corujice!
No Natal mais iluminado do país, em Gramado, amigos queridos também dão o tom para viver no compasso do que alimenta a alma. Gastão e Susi tocam, cantam e a gente aplaude os tantos talentos da dupla, em especial, o de sintonizar seus dons.
Nesse mosaico de inspiração, na ceia do nosso Natal em cenário novo, numa casa entre pinheiros na serra gaúcha, terra do Papai Noel, a certeza de que a simplicidade também é proposta para ser perseguida. Um fio de luzinhas e um galho seco, hortênsias do jardim, um panfleto de farmácia, velinhas, a comida boa do filho que faz chover com seu dom e o clima estava feito, perfeito.
Hoje, outro recado no Facebook me balançou: "Quem sabe do que gosta, sabe o que quer". Palavras da Flavia Ferrari, do Decoracasas, a quem admiro por saber tão bem nos contagiar com o que gostamos em coro. 
Os personagens encantados do meu pinheiro - algumas, criaturinhas nascidas pelas minhas mãos, outras, presentes daqueles que conhecem meu avesso crianção - traduzem o maior dos votos para 2013: que a gente continue capinando com vontade, retirando os inços, para descobrir novos gostos, outros dons e fortalecer aqueles que sempre iluminam a vida de prazer e alegria. Amém!

sábado, 17 de novembro de 2012

Quanta doçura!

Adoro reconhecer que existem pessoas que adoçam nossa vida desde sempre. E mais,  ajudam a formar quem somos hoje desde a época em que, feito esponja, absorvemos o que nos rodeia com os filtros da nossa essência, aquela que parece mesmo já chegar aqui predisposta a determinadas relações de afinidade.  Com a dinda Telma é assim. Por ela, despertei para um dos meus primeiros orgulhos. A menina que fui sentia-se extremamente honrada por ser sua afilhada. Muito orgulhosa daquela mulher forte, decidida e amorosa, que contava aos quatro ventos ser apaixonada por mim antes mesmo de eu nascer. Na adolescência, ganhou o status de musa aos meus olhos ávidos por novos modelos do feminino. Uma aquariana clássica, que rompeu padrões da época, me anunciava um mundo tão maior do que via ao redor. Tudo nela me impressionava. Ela falava inglês fluentemente! Era secretária bilíngue. Ela morava sozinha, no Rio de Janeiro! Ela era alta, charmosa e exibia esses seus atributos nas passarelas, como manequim free lancer! Ela andava de avião como nós volta e meia andávamos de ônibus para a capital! E, o melhor de tudo: era minha dinda! Condição que me parecia um aval, uma bênção para também poder sonhar com horizontes mais largos. Suas cartas, carimbadas em alguma agência da cidade maravilhosa, repercutiam por muito tempo. Além das novidades cariocas que me entusiasmavam, me encantava a identidade gráfica. Datilografadas em máquina elétrica, em papel bem fininho, com fontes lindas, pareciam impressas. Suspirava... quem sabe um dia teria uma delas. Quem sabe, um dia, também teria uma coleção de louças em miniatura, um tesouro, igualzinha àquela que ela guardava numa caixa embaixo da cama, e que espalhava pelo chão para brincarmos de casinha. Privilégio, pensava eu, que só uma afilhada muito amada poderia ter.
Anos depois, ela bateu asas para a América do Norte, e a distância tão maior nos privou também da convivência rápida de suas visitas. Mas no meu aniversário, seu telefonema é sagrado. Esteja onde estiver, batemos um longo papo e colocamos pitadas de fermento nessa nossa receita de amor correspondido.
Com o fim da era dos "separados pelas milhas", hoje nos deleitamos trocando as experiências do dia a dia pelos abençoados canais virtuais. Ainda assim, sempre fica faltando o abraço. E, depois de uns 15 anos, na semana passada chegou a nossa hora de mandar a saudade embora e curtir o olho no olho emocionado, se enroscar num abraço gostoso, renovar nossos votos de afeto eterno, ao vivo, com todas as cores que merecemos.
Voltei aos meus 10 anos com sua passada pelo Sul, e confesso: meus olhos brilharam pelo kit de presentes para a cozinha igualzinho como na infância. Os capítulos se repetem. Ela continua me abastecendo de novidades, muitas. Alcançando-me o só conhecido à distância: paisagens, costumes, vivências da sua outra pátria, e também, de coisinhas especiais que ambas curtimos. Dentre essas, as que passam pelas panelas, paixão compartilhada desde aquela caixa de loucinhas, tão marcante. E eis que tenho agora um luxo para o preparo de bolos. 
Meus problemas na hora de untar a fôrma "se acabaram-se"! rs Bastam alguns jatos da gordura com farinha em spray...
colocar a massa...
e segurar a ansiedade enquanto assa...
pra... tchan, tchan, tchan, tchan: o bolo desenformar inteirinho, perfeitinho!
Com muita ganache, porque o momento merecia.
Com muita cumplicidade, como sempre foi, como sempre será.
Amém!
Bolo amanteigado de morango
Ingredientes:
100 g de manteiga
3/4 de xícara de açúcar
2 ovos
1/2 xícara de leite
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher (sobremesa) de fermento em pó
1 colher (sobremesa) de essência de baunilha
raspas de casca de laranja
1 caixa de morangos

Preparo:
Bata a manteiga amolecida com o açúcar.
Junte os ovos e misture bem.
Acrescente a farinha peneirada com o fermento, intercalando com o leite.
Junte a baunilha e as raspas de laranja.
No fundo de uma fôrma pequena, untada e enfarinhada, disponha alguns morangos inteiros.
Coloque metade da massa, cubra com os outros morangos, enfarinhados, e finalize com a sobra da massa.
Leve ao forno em temperatura média até dourar levemente. Faça o infalível teste do palito.
Depois de frio, cubra com a ganache: 150 g de chocolate meio amargo + metade de uma caixinha de creme de leite, em banho-maria, até ficar homogêneo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Temporada de bolos em tempos de chuvaradas

Desde sábado, chove, chove, chove forte, noite e dia... com intervalos do tamanho de breves reticências. Dorme-se e acorda-se com o mesmo som, às vezes com acordes fortes dos trovões e da ventania, e a mesma luz tão fraca que mais parece uma única noite de mais de  80 horas. Mas, como filha de peixe, peixinha é, estamos, eu e a mãe, muito longe da incomodação, na contramão do mau humor coletivo que tomou conta dos gaúchos. Então, quase pedindo desculpas aos incomodados, e de joelhos aos flagelados do Estado, confesso que como tenho o privilégio de poder ficar protegida no ninho e um pezinho no recolhimento, dias assim acordam muitas (boas) vontades, em especial, as que nascem na cozinha. Se estamos virando sapos, que sejamos sapos bem gordinhos - é o lema da temporada molhada.
Como essa é uma casa de boleira (aposentada), receita que mais gosto de experimentar é de bolo, seguida logo atrás de biscoitos, grande paixão. Dessa vez, finalmente reuni os ingredientes do Bolo de maçã com farofa de coco, da musa Rita Lobo, do consagrado Panelinha, que dispensa apresentações, mais ainda agora, com seu programa no GNT. Infelizmente, a série nas últimas semanas está reprisando, mas tenho fé que uma nova temporada está por vir. Essa é do livro "A conversa chegou à cozinha", que  reúne crônicas e receitas numa demonstração clara que os criativos, na grande maioria das vezes, navegam bem por diferentes canais, sejam eles gastronômicos, das artes plásticas, da literatura, da música, do universo craft... A bela Rita, além de fazer bonito na frente das câmeras fotográficas e da tevê, domina com elegância e simplicidade panelas e palavras, e isso me encanta. Transcrevo o capítulo delicioso:


"Um bolo para Ane
Este bolo de maçã com farofa de coco é uma receita que ganhei da tia Cristina Ferraz. Digo ganhei porque sempre acho que boas receitas são como presentes. Espero que a Ane também goste!"

Para a farofa
1/2 xícara (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de nozes picadinhas
1/2 xícara (chá) de coco ralado
1 colher (chá) de canela em pó

Modo de preparo
Numa tigela, misture bem todos os ingredientes. Reserve.

Para massa
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) de canela em pó
1 pitada de sal
1 colher (chá) de bicarbonato 
1 colher (chá) de fermento em pó
2 xícaras (chá) de açúcar (reduzirei para 1 1/2 na próxima vez)
1 colher (sopa) de suco de limão
2 colheres (sopa) de conhaque (usei cachaça)
4 maçãs-fúgi grandes
2 ovos
1/2 xícara de óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha

1. Unte uma assadeira retangular com óleo e polvilhe com farinha. Reserve. Preaqueça o forno a 180 C (temperatura média).
2. Coloque a farinha, a canela, o sal, o bicarbonato, o fermento e metade do açúcar numa tigela, passando por uma peneira. Misture bem.
3. Descasque as maçãs, corte na metade e retire as sementes. Corte as metades em cubinhos. Transfira para uma tigela e misture o suco de limão, o conhaque e o açúcar restante.
4. Numa tigela grande, bata os ovos com um garfo. Acrescente o óleo e a baunilha. Nesta mistura, junte as maçãs e a farinha. Misture delicadamente.
5. Transfira a massa para a assadeira preparada. Espalhe a farofa com as costas de uma colher de sopa.
6. Leve ao forno preaquecido para assar por 25 minutos. Retire, cubra com papel-alumínio e continue assando por mais 20 a 25 minutos. Depois de frio, corte em quadradinhos.

Sirva com
Creme chantilly ou sorvete de creme. (servi com coalhada)

Que este seja também um presente para os amigos do Amém, que adoçam minha vida, faça sol ou faça chuva. Amém.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bolo-brownie de chocolate e maçã

Para deixar o fim de semana mais gostoso, doce, criativo, uma receitinha diferente no fazer e no resultado, suave e harmônico.

Ingredientes:
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
1 colher (chá) de canela em pó
120g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 xícara de açúcar
3 ovos
1 colher (chá) de essência de baunilha
1 maçã grande ralada
60g de chocolate meio amargo
1/2 xícara de nozes ou castanhas-do-pará picadinhas

Modo de fazer:
Peneire juntos a farinha, o fermento, o sal e a canela. Reserve.
Bata a manteiga e junte o açúcar aos poucos, sempre batendo (fiz manualmente).
Acrescente os ovos, um a um, e bata mais um pouco.
Misture a essência de baunilha.
Junte os ingredientes secos, pouco a pouco, agregando bem à massa.
Retire uma xícara da massa, coloque em outra vasilha e misture a maçã ralada.
À massa restante, junte o chocolate derretido em banho-maria, já frio, e as nozes ou castanhas.
Espalhe a metade da massa de chocolate numa assadeira pequena, untada. 
Cubra com a massa de maçã e, sobre ela, espalhe com cuidado a massa de chocolate restante.
Asse em forno com temperatura moderada durante 40 minutos.
Depois de frio, corte em tiras ou quadradinhos.
Uma delicadeza para o paladar! Porque a gente merece e precisa desses carinhos... Amém. 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Bolo pro filho

Ainda me acostumando à condição de mãe de um "trintão", divido com vocês o bolo feito às pressas, despretensioso, com uma massa que por anos usei como carro-chefe para os bolos personalizados, trabalho que já contei aqui. Impossível não reconhecer que surpreender e agradar o filho pelos caminhos dos sabores é tarefa de super gincana. O discípulo hoje é mestre na cozinha, mas, apostando as fichas que carinho vale muito, não conseguiria deixar a data passar sem um afago doce.

Bolo chiffon de chocolate


Ingredientes:


7 ovos


1 3/4 de açúcar


1 3/4 de farinha de trigo


1/2 xícara de chocolate em pó ou cacau


1/2 xícara de óleo de canola, milho ou girassol


3/4 de xícara de água fervente


1 clher (chá) de fermento em pó


1 colher (chá) de sal


1 colher (chá) de essência de baunilha




Preparo:

Peneire os ingredientes secos.

Na batedeira, bata o açúcar com as gemas e o óleo até esbranquiçar. Vá juntando a água, alternando com os ingredientes secos.


Acrescente a baunilha e, por fim, as claras batidas em neve, incorporando suavemente.

Divida a massa em duas fôrmas pequenas, untadas e com fundo forrado com papel manteiga.
Asse em forno fraco por aproxidamente 35 minutos.



Recheio e cobertura:

Derreta 1 barra de chocolate meio amargo (170g) e, ainda morno, junte 1 pote de um bom doce de leite.



Calda para umedecer a massa:

Ferva por 10 minutos 2 xícaras de água com 1 xícara de açúcar e alguns cravinhos-da-índia.


Montagem:

Corte as massas ao meio e umedeça com a calda. Espalhe o creme de chocolate e morangos fatiados.


Cubra com o restante do recheio e enfeite com morangos (as estrelinhas, que adoro, foram feitas com carambolas que o sobrinho Murilo trouxe na horinha em que terminava de montar o bolo).



* A massa é leve e aerada e permite várias opções de recheio.


Que a sugestão abra o apetite de doçuras e, quem sabe, sirva de inspiração para um café da manhã bem caprichado na Páscoa. Amém.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sem açúcar, nem adoçante, com bastante afeto

Desde que assumi o cargo de cozinheira oficial da mãe, diabética, venho buscando e testando receitas de bolo diet aqui e ali pelos sites e blogs afora. Frustração em cima de frustração, resultados abatumados (solados), sabor com final amargo, convites não faltaram para jogar a toalha e me render aos produtos prontos das padarias naturais. Mas, como taurina, obstinada e amante dos prazeres da mesa, e brasileira genuína, não desisto na primeira, nem na décima vez (rs).

No cesto da cozinha, as bananas amadureceram demais em pouco tempo, fruto do calorão dos últimos dias, e foram elas o motivo de sair à cata mais uma vez de uma receitinha sem açúcar para aproveitá-las. E não é que dessa vez encontrei!

Como suspeitava a cada tentativa amarga, o melhor recurso é deixar de lado os adoçantes forno&fogão e se valer da doçura das frutas. Talvez pela pouca experiência, não me acertei mesmo com o tal açúcar falso. Nas experiências daqui, deixaram sempre a massa pesada, seca e pouco saborosa. Ao contrário, o bolo de banana e aveia ficou fofo, úmido, delicioso. Um troféu que exibi toda orgulhosa aos olhos da mãe que, provando a máxima aquela que a fruta não cai longe do pé, também elege o comer bem como um dos maiores prazeres da vida. Mesmo com restrições, cada huuumm seu, bem acentuado, nas bocadas de uma novidade para o paladar vale minha teimosia.

A receita campeã, que conquistou o povo todo da casa, está aqui. Um achado também para quem está de briga com a balança (comendo moderamente, é claro).

Que a criatividade seja tempero para nossa doçura, sempre. Amém.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Deu bolo na estreia

Ganhei um caderno de receitas lindão no Natal, novinho em folha! Apesar de atualmente estar cozinhando muito no preparo diário de 4 refeições, para a mãe, sua cuidadora, eu e às vezes marido e filho, como há décadas não fazia, o presente esperou um mês para finalmente guardar a primeira escolhida, devidamente testada. Escolhi esse critério - colecionar somente pratos testados e aprovados - para tentar ser mais prática (qualidade perdida no meu DNA...rs), dar à seleção uma melhor funcionalidade, pelo menos de agora em diante, já que dúzias de recortes e anotações culinárias abarrotam uma gaveta grande na cozinha, sem falar nas revistas e livros e na biblioteca do filho.
Talvez a estratégia funcione também para colocar mais vezes a mão na massa em pratos inéditos, experimentar coisinhas diferentes, afinal, de que valem tantas e tantas sugestões para acabar nos mesmos pratos de sempre, não é mesmo?

Então, aquelas uvas pretas "milagrosamente" sem sementes (que mutação genética maravilhosa que nos poupa da cirurgia de retirar grãozinho por grãozinho!), que me convidavam ao bolo de todos verões, encontraram outro caminho delicioso. Entraram no lugar das ameixas sugeridas na receita do Bolo de ameixas com farofa de um suplemento Cozinha, da Revista Cláudia, e não decepcionaram. Divido-o com vocês:


Para a farofa:

1 xícara de farinha de trigo

1/2 xícara de açúcar mascavo

1 pitada de cardamomo em pó (substituído por canela em pó)

100 g de manteiga derretida

Para a massa:

3 ovos

3/4 de xícara de açúcar refinado

1/2 xícara de açúcar mascavo

1/3 de xícara de leite

1 1/2 colher (chá) de essência de baunilha

2 1/4 xícras de farinha de trigo

3 colheres (chá de fermento em pó

1/2 colher (chá) de cardomomo em pó (substituído por canela em pó)

20 g de manteiga gelada, cortada em pedacinhos

5 ameixas maduras, com casca, cortadas em gomos grandes (substituídas por dois cachos de uvas pretas)


Prepare a farofa:

Em uma tigela, misture com um garfo a farinha, o açúcar mascavo e o cardomomo, adicionando aos poucos a manteiga. Com a ponta dos dedos, misture bem. Reserve na geladeira.
Prepare a massa:

Em uma tigela, bata ligeiramente os ovos. Adicione os dois tipos de açúcar, o leite e a baunilha e mexa bem até obter uma mistura homogênea. Em outra vasilha, junte a farinha com o fermento e o cardamomo. Acrescente a manteiga e, com uma faca, misture até formar uma farofa granulada. Adicione à mistura de ovos e mexa bem. Espalhe em uma fôrma de fundo removível, de 25 por 25cm, untada com manteiga e polvilhada com farinha. Por cima, arrume as ameixas e cubra com a farofa reservada. Leve ao forno moderado (180 graus), preaquecido, girando a fôrma na metade do tempo, por 50 minutos ou até que a farofa comece a dourar e, enfiando um palito na massa, ele saia limpo. Deixe esfriar, desenforme e sirva. Rende 12 pedaços.

Que a semana venha temperada de entusiasmo pela busca de novos sabores da vida para todos nós! Amém.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Corujas na cozinha

Já passava bem das 23 horas, ontem, quando depois de preparar alguma coisinha rápida para a janta, a cozinha voltava a me chamar. Lembrei das frutas já quase passadas do ponto e resolvi picá-las, ainda sem saber seu destino. Lembrei também do crumble que a Cynthia mostrou esses tempos no Fala, Mãe!, e do tempo que fazia que esquecera dessa sobremesa tão saborosa e prática. Mas encafifei que queria mesmo era um bolo assando. O filho apreciaria encontrá-lo ainda morninho ao chegar faminto do trabalho na madrugada, uma ironia daquelas quase inadmissíveis: depois de cozinhar no capricho por horas a fio, o chef traça o que estiver na mão quando aporta em casa.

Bolo+frutas+crumble: estava resolvida a charada.
Preparei a massa batendo na batedeira (vantagem de quem mora em casa, sem vizinho perto, e pode fazer barulho à hora que lhe der na telha) 100g de manteiga sem sal com 1 xícara de açúcar até esbranquiçar. Juntei 2 ovos e bati mais. Depois, intercalei 2 xícaras de farinha de trigo peneiradas com 1 colher (sopa) de fermento em pó com 1/3 de xícara de leite e voltei a bater. A massa fica firme. Temperei com raspas de casca de limão e açúcar de baunilha. Coloquei numa fôrma pequena, untada e enfarinhada. Cobri com a salada de frutas (banana, maçã, abacaxi e até mamão).
Improvisei uma porção pequena de crumble: 1 xícara de farinha de trigo, 1/2 xícara de açúcar, 2 colheres (sopa) de manteiga gelada em pedacinhos e canela em pó. Mistura-se com as pontas dos dedos para formar uma farofa. Polvilhei as frutas com uma camada generosa do crumble e foi para o forno, em temperatura alta nos primeiros 15 minutos, e média até terminar de assar. Enquanto o calor tratava de fazer o bolo crescer, e como o verão deu uma trégua nas últimas duas semanas, pude esperar na mesa próxima ao fogão. Busquei o bordado que vem me distraindo e continuei a delimitar os traços da mandala pintada com uma técnica anárquica que assim que estiver pronta mostro. Casa quietinha, perfume do bolo fugindo do forno, meditação ativa proporcionada pela agulha na sua cadência de pontinho em pontinho.


Me olhei de fora e me vi nesse ritual por uma vida toda. Até mesmo quando lá fora os tempos são pesados, como agora, a cozinha é refúgio de uma tranquilidade prazerosa que só os que "surfam nessa praia" podem compreender. Se associada ao outro grande prazer, o fazer nascer uma nova manualidade, a química então funciona em dose dupla. Dei graças ao meu cérebro por ser pouco exigente, por ser capaz de processar meus pequenos prazeres e assim produzir a mágica de espantar os fantasmas pra longe, nem que seja por um intervalo não tão longo. O bolo ainda assava quando resolvi dar uma escapada para a virtualidade, uma espiada pelos posts recentes dos blogs amigos. Pois não é que aqui encontrei uma outra coruja (que faz lindas corujinhas entre tantas belezuras) assando bolo enquanto o povo dorme e refletindo na mesma linha que eu! Não poderia ir dormir sem comentar assim com a Ana (Sinhana):
Essa não valeu, Ana! Tô aqui, meia-noite e meia, com um bolo ainda no forno, matutando sobre essa coisa meio milagreira que a cozinha faz, a de afastar meus fantasmas, quase sentando pra escrever sobre isso, e daí entro na tua cozinha e vejo reflexão tão semelhante. O bolo aqui é de salada de frutas (sobrinhas da geladeira), mas já fui bisbilhotar esse aí no Quitandoca e é o próximo da lista. Beijo, boa noite!
Fui pra cama depois de desenformar a produção noturna triplamente recompensada. O filho gostaria do afago doce e de saber da minha motivação apesar dos pesares. A mandala ganhara mais alguns contornos e já se mostra mais inteira, por tabela, eu também. "Cacei" uma coruja do meu parlamento (coletivo que acabo de aprender pelo sábio Google)! Embora as criaturas olhudas sejam bichos solitários, não estou mais sozinha nos voos à noite pela cozinha, enxotando as nuvens carregadas que teimam em fazer ninho sobre minha cabeça.
E para fechar o turno, antes de trancar as janelas, me dei de presente uma fatia de bolo quentinho e um copo de suco de uva para brindar o melhor que esses caminhos virtuais nos trazem: o encontro com nosso bando.
Que outros cheguem, que as afinidades nos fortaleçam mais e mais. Amém!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Varais do tempo


Nosso último domingo foi daqueles dias que sabemos de antemão entrarão para a história prometendo que jamais o esqueceremos. Depois de muitos anos passando as festas cada um no seu ninho, reunimos irmãos, cunhados, tios e primos da família do marido para uma confraternização antecipada de Natal. E para trazer o tempo de volta, penduramos imagens da velha e boa época das crianças pequenas, vizinhas, convivendo diariamente num vaivém entre as casas e quintais, e também dos avós, que hoje moram no céu. Corações dos pais se derreteram na frente de seus filhotes dando os primeiros passos em direção à escalada dos anos, que mal sabíamos, pegaria uma velocidade tão grande. Corações dos primos se enterneceram ao se reverem tão próximos, cúmplices, amigos.
O dia também assinalou com exclamação os 30 anos! de nosso casamento, e outro varal reuniu registros dessa caminhada compartilhada por quase 4 décadas, e ganhou ares de troféu. Lá fora, o almoço tradicional dos gaúchos fica sob responsabilidade dos meninos e dá folga às cozinheiras.
Mas antes de dividir o churrasco nosso de cada domingo, momento da sobrinha dar voz ao que pede para ser dito em cada um de nós e, engasgados, agradecemos a união em comunhão.

Na companhia dos sobrinhos-netos, fomos em busca de outras emoções. José, Maria e Jesus pediram licença às fadas e neste Natal foram morar na casinha muito engraçada delas, sem portas e com teto de bacia de barro, num recanto do jardim. Como guardiãs da cena sagrada, postaram-se uma em cada lado das paredes externas, e para dividir tanta responsabilidade, pediram ajuda ao coelho da Páscoa, vigilante no pé da morada. À noite, as luzinhas tratam de multiplicar a graça do cenário do presépio. Em duas mesas fartas...
de sabores e conversas, um brinde à colaboração de cada um nas ideias e mão-de-obra. E acompanhando a sobremesa, a troca de presentinhos feitos em casa, única regra do grupo coeso na proposta de reduzir o consumismo desenfreado dessa época (Teresa, reconheces a caixa ali atrás?).

A criatividade também foi farta, recheada de boas surpresas e provou que, quando movidos à boa vontade, descobrimos dons para produzir e presentear com autenticidade. Textos, guirlandas, biscoitinhos (herança dessa tia às sobrinhas que muito me orgulha), bolinhos, calendários e até saquinhos de pipoca passearam pela sala entregues pelos ajudantes mirins.

Para as lembrancinhas da família anfitriã, escondidinhas aí atrás do castiçal gêmeo do da Laély, preparei muffins com casinhas de biscoitos, receitas de duas amigas que de tão sintonizadas, foram parar na mesma página do meu fiel companheiro de décadas. Os biscoitos de mel da Lu Gastal e os bolinhos da Ana Sinhana casaram com tamanha harmonia, que já teve até gente querendo encomendar. Mas este ano, a confeitaria está trabalhando apenas para o consumo interno, sorry.
Clique na imagem para pegar a receita.
As tradicionais casinhas de gingerbread eram sonho dos mais antigos nessa confeitaria doméstica. Faltavam os cortadores, mas via Submarino, consegui "importá-las" dos EUA, junto com um micro-livro que foi a maior a decepção quando chegou. Só depois da primeira remessa pronta parei de me xingar e me rendi aos encantos das pequeninas. Não são muito fofas?
Nossos convidados levaram outro mimo para casa, também com produção caseira, mas isso é assunto e surpresa para o próximo post. Parece que Papai Noel assoprou umas ideias por aqui e teremos uma promoçãozinha relâmpago rolando na semana do Natal. Fique de olho que eu fico sempre feliz em recebê-los.
Que a casa, real e virtual, continue cheia de trocas, laços renovados, abraços, inspiração... Amém!