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quarta-feira, 21 de março de 2012

Costurinhas pra presentear

Ana, nossa anja da guarda, aniversariou na semana passada. Dias antes, comentou que suas almofadas estavam velhinhas, desbotadas. Fez-se a luz! Tão bom ter gente nova no pedaço para poder escolher um presentinho handmade sem medo de repetir a dose. Às antigas amigas, preciso recorrer à memória para não cometer a gafe de reprisar o presente dos anos anteriores. É um tal de "mandalas já ganhou, fadinhas também, guirlanda no ano passado, caixinha forrada no Natal..." E mesmo que passe e repasse os últimos presentes, às vezes ainda fica uma pontinha de dúvida se não estarei trocando as presenteadas. Mas, parece que tenho acertado, as meninas ficam tão faceirinhas com os mimos exclusivos, feitos com carinho de verdade, atributos tão valorizados por quem recebe algo criado especialmente para si. Ao menos para o "povo da nossa turma", não é mesmo?
Ana mora há poucos meses no nosso coração, mas tão logo chegou conquistou um espaço iluminado nos capítulos do dia a dia que ela, a mãe e eu temos escrito juntas.

Nada mais adequado que um jardim bem colorido para receber nosso coração amarelo e, assim, contar a ela um pedacinho da gratidão por tê-la por perto.

Outra aniversariante de março, companheira da vida toda que faz as vezes da irmã que gostaria de ter, também ganhou uma lembrancinha feita em casa. Para Reja, todo cuidado é pouco para não cair no presente repetido. Mais garantido pensar em alguma costurinha, aventura mais recente. Enquanto corto o tecido, sinto-me assim mesmo, em plena aventura que exige coragem, como todas as outras incursões em terreno pouco conhecido. E para não dar passo maior que as pernas, projetos muito simples são a regra, e ainda assim "dirijo" a mini Janome em marcha lenta.

A bolsa ganhou uma mandalinha, que foi a melhor parte da brincadeira. Adorei quando a presenteada reconheceu a "redonda" assim que abriu o pacote: Uma mandala, que lindo!.

Que as amigas - antigas, novas, próximas, distantes - continuem mobilizando a criatividade e o afeto, uma dupla da pesada contra a monotonia. Amém.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Jeitinhos

Tenho o nariz bem torcido ao jeitinho que nos rotula como um povo "esperto", sempre pronto a encontrar uma maneira de se dar bem, pouco importando o mal que possa respingar dessa malandragem. Em busca da imagem acima, acabei sabendo um pouco mais sobre a tal característica histórica e relaxei ao saber que, de acordo com o professor Lourenço Rega, autor do livro "Dando um Jeito no Jeitinho", ele também tem seu lado positivo reconhecido em três características: inventividade/criatividade, função solidária e o lado conciliador do jeitinho. Não fui atrás das duas últimas, já que a intenção é somente ilustrar o post sobre algumas alternativas encontradas dentro do quesito inventividade seguindo o mantra aquele de "fazer do limão uma limonada". Acredito que quem convive com algum tipo de restrição desenvolve essa capacidade naturalmente, talvez com mais facilidade. Fecha-se alguma porta e o ser humano se põe a recorrer à sua criatividade e descobrir soluções inimagináveis, muitas vezes. Se as limitações são físicas, como é comigo, os jeitinhos nascem dia a dia em estratégias rapidamente montadas. Falha uma, procura-se logo outra, e outra, até resolvermos o que "atravanca o caminho (eles passarão... eu passarinho, não é, Mario Quintana?)". Se o corpo fala, quem não pode contar com sua eficiência integral trata de falar com ele numa linguagem de conciliação. E só assim é possível tocar a vida, embora nem sempre o tom dessa parceria seja assim tão amistoso (rs). Mas a gente tenta, esperneia para manter "a mente quieta, a espinha ereta, o coração tranquilo", rebola para não entregar o jogo aos arqui-inimigos que rondam com carapuças de desânimo e auto-comiseração e também para aprender a jogar a toalha quando a escalada é demasiadamente pesada e nenhum jeitinho pode suavizá-la.
Então, treinada em "limonadas"...
O que era vidro e se quebrou ganhou um "curativo" de superbonder e renda e uma cara única para proteger os bolos na cozinha.
O que era pesada e muito linda caiu do galho intacta, acompanhada de outras duas, que deram dois suspiros e depois...
foram morar em outro arranjo, sob a benção da deusa sonhadora.
O que era uma calça jeans renasceu em forma de bolsa florida...
e como a costureira não é lá essas coisas, ela emprestou seu bolso prontinho...
que foi aplicado no tecido que sobrou dessa outra aqui...
E como a costureira não sabe colocar fecho, um botão resolve o fechamento...
e um crochezinho aumenta as tiras ...
E com jeitinho de menina-moça, em rosa-azul-verde, pronta para ser embalada para presente. Presente para minha mãe, menina vaidosa de 79 anos que apaga velinhas hoje, aquela que me ensinou a espremer o limão, com jeitinho, para não amargar (e a quem abraço de longe, porque 4 lances de escada nos separam, o elevador do seu prédio está em conserto e pra isso não tem jeitinho... Quem sabe uma mágica que me desse asas? ... rs).

domingo, 24 de janeiro de 2010

A bolsa e a bengala

A bolsa amarela finalizada, motivo de orgulho inflado para essa costureira de primeira viagem comandando sua super-mini-máquina em projeto mais elaborado, é motivo também para mostrar outro acessório indispensável na sua vida. Cor-de-rosa nos últimos tempos, a bengala* é parceira fiel há quase 40 anos, uma extensão do braço, apoiando os passos, dificultados pelas sequelas da poliomielite contraída quando bebê. Revela-se então a razão por esse guarda-roupa não guardar vestidos, como comentei no post abaixo, e talvez tantas outras facetas de quem desenvolveu a habilidade manual com paixão e encontra nelas, nas mãos, um porto seguro de satisfação que quase sempre vence a frustração das caminhadas impossibilitadas pela fragilidade das pernas.

Se a trajetória nem sempre é cor-de-rosa, criar e escrever são antídotos ao veneno escuro da amargura, aprendi cedo. As doses não precisam ser homeopáticas, melhor ainda se forem abundantes, mas devem seguir a mesma regularidade com que se toma as bolinhas e soluções dos princípios ativados pela homeopatia, ou seja, em intervalos pequenos. Compulsão justificada, a doença das mãos nervosas, como diz a Cecília, do Quilts são Eternos, aqui (e acho que aí também) é curativa e abençoada todo santo dia. Os olhos benzem de luz as crias recém-criadas, a alma avaliza as escolhas e o terreno interno se fortalece com a convicção de que não, não nos perderemos por aí, em nenhuma canoa sem rumo e sentido. Temos nossas tintas, agulhas, pincéis, linhas, paninhos, botões, teclados... aff! Nosso mais eficiente GPS!A matriohska, na carona da bolsa (viu só , onde ela foi morar?), é talismã que confirma a fertilidade do universo dessa tribo crafter, compulsiva, antes de tudo pela beleza. De todos os cantos do planeta, num Woodstock virtual, a turma se aglutina num mesmo olhar extasiado pelas infinitas formas de dar forma ao que pede para nascer, e assim, assegura vida longa a nossa melhor parte, e nos faz mais inteiras. Se a manualidade é outra bengala, abraço o par em duplo agradecimento. Uma me leva até onde posso chegar, a outra me oferece as trilhas do sem-fim. E agora, na companhia de vocês, numa viagem muito, muito mais divertida e criativa. Que o cruzeiro continue embalando nossa inspiração! Amém


*Não poderia deixar de registrar os melhores elogios à Mercur, empresa pioneira na fabricação das bengalas canadenses coloridas, num mercado até então restrito ao cinza e preto. Há uns dois anos, quando me deparei com a cor-de-rosa, fui à loucura! Naquele mesmo momento ela passou a ser minha, e os olhares que atrai, ainda hoje, têm um outro tom, rosado... Hum, mas que fashion! - é comentário frequente por onde ando (com a sua ajuda). Então, amigos da Mercur, acho tá na hora de colocar outras cores nas vitrines. Os bengaleiros agradecem.