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segunda-feira, 12 de março de 2012

Pufe recauchutado (outra vez)

Depois da festa da afiação de unhas que Bibi, nosso eterno bebê felino, fez no pufe da sala, como mostrei aqui, ele ganhou capa de uma lonita que me traz lembranças boas dos colchões antigos, recheados de palha, encontrados em casas do interior. O malandrinho até que perdeu o hábito, mas volta e meia, tem recaída e deixa suas marcas. Mas, vamos ser justos: os outros "meninos" da casa também têm participação nos estragos do segundo forro, acostumados a descansar os pés calçados ignorando minha cara torcida. E o pufe customizado voltou a ficar feinho. Tão sujinho, que nem uma boa lavada resolveu, sem falar que o pano encolheu e ficou parecendo calça curta de criança que cresce de uma hora para outra. Resolvi então juntar o útil ao agradável, reaproveitando a capa que já estava pronta com a estampa que gosto tanto. Fiz uma barra com reaproveitamento de retalhos de calças jeans e estava resolvido o problema do comprimento.

No paraíso do meu inverno fake, só olhando pela janela os dias incandescentes lá fora nesse março de calor histórico, crochetei "no olho" uma sobrecapa, apenas obedecendo a harmonia de cores com as do listrado.

Apesar da base quadrada, trabalhei em voltas circulares, apaixonada que sou pelos redondos, e deixei para resolver a equação círculo-quadrado no final. A elasticidade da lã e dos pontos altos me salvou. Foi só dar uma puxadinha aqui e ali enquanto costurava para que o círculo ganhasse cantos e se transformasse num quadrado arredondado. E as bordas onduladas deram um movimento ao cubo tão estático que gostei, parecendo uma toalhinha esticada (ah, os guardanapos de crochê engomados e bem esticados da mãe e tias que me impressionavam deixaram semente, quem diria...) contornada dos sempre graciosos pomponzinhos.
Tão bom dar vida nova ao que nos rodeia. Melhor ainda assim, de pontinho em pontinho que parecem se posicionar para brincar de roda.

Que a gente não esqueça dessas "cantigas" manuais que nos convidam a recauchutar tudo aquilo que gostamos de ter em nossos dias. Amém.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Mandala no banquinho e algumas lições

Lembram dos snowflakes da minha árvore de Natal? Pois é, gostei tanto deles, que resisti a guardá-los junto com as bolinhas e outros enfeites e fiquei à espera de uma boa ideia para reutilizá-los. Há semanas, talvez por invejar as nevascas do hemisfério norte, lembrei deles e se acendeu a luzinha aquela que nos move nas manualidades. Mas, como quase sempre, faltava material e tempo para testar o projetinho.


Consegui finalmente por a ideia em prática na quinta-feira, apesar do dia tórrido. Mais uma vez peguei carona com Bruno, que desde a experiência com a tinta spray, parece ter-se tornado um apaixonado por grafite.

Começamos preparando a peça escolhida para cobaia, um banco bem velhinho. Pintamos os pés de branco e o assento, de azul, tudo com "sprayzadas" descompromissadas, com a intenção de conseguir um resultado mais rústico. Como a tinta seca rápido, minutos depois centralizei a mandala na superfície, ainda um pouquinho de nada úmida, o que ajudou a fixar levemente o recorte de papel.



Com pequenos jatos de tinta de branca, cobri o centro e fui esfumaçando para as bordas. Daí foi só segurar nossa ansiedade e aguardar uns minutinhos para retirar a máscara (com pinça) e ver a mágica.



O efeito positivo-negativo sempre me encanta, e dessa vez não foi diferente. Gostei também dos pontinhos mais carregados de tinta, resultado da falta de jeito com o spray. Parecem estrelinhas, não? O sombreado de algumas áreas acontece quando o estêncil não fica bem fixado, mas isso não me incomodou. O resultado surpresa é uma curtição, sem falar que é um treino bacana para os controladores aprenderem a deixar a coisa acontecer de maneira espontânea.



O trabalho é muito fácil, bem de acordo com a paciência que anda curta nesses dias beirando 40 graus nesse Estado tão badalado pelo inverno. Castigada pela ressaca do verão, estranho pensar que para muitos o calor é combustível para a folia de Carnaval. Não só para os foliões e amantes da estação do sol, também na natureza, a seca e as altas temperaturas são fermento para algumas espécies. A bougainvillea na frente de casa é exemplo vivo e muito colorido de que todos os tempos guardam suas belezas. Tento assimilar a lição.



Esta rainha forte (seria de Ouros, Cacau?), que chegou aqui bebê, em poucos anos entrelaçou-se de tal modo no antigo pinheiro, que acabou por roubar-lhe a vida. Faltou dar-lhe limites, eu sei, e também essa é característica a ser melhor trabalhada. Lamento por ele, plantado pelo sogro que também já se foi há mais de 30 anos, mas...



... não posso negar o deslumbramento que sua majestade me contempla da manhã à noitinha com seu maciço de flores "cor-de-maravilha" sempre ao alcance do meu olhar. Um cenário exuberante para a janela da sala/cozinha, reduto onde passo a maior parte das horas dessa vida doméstica intensificada pela mudança de rotina desde a "aposentadoria" e a vinda da mãe para nossa casa.

Que tenhamos olhos espertos, bem abertos, para os tantos recados que o cotidiano nos oferece. Amém.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uma caixinha fresh

Representando outras caixinhas que forrei para presentear no Natal, mas que acabei não mostrando aqui para não tirar a graça da surpresa, esta aí ainda conseguiu ser clicada antes de ir morar com sua dona, a querida tia Dada, a maior cuca-fresca que conheço. Segredo para chegar aos 8.8 dando de 10 em vitalidade em muitos de 5.0, como essa sobrinha que nem sempre consegue seguir seu modelo no stress? Com certeza, boa parte de seu longo e bem viver deve-se à sua mente aberta e arejada, sem esquecer das lentes cor-de-rosa do seu olhar para a vida.
Pra ela então misturei melancias e flores num céu bem azul e arrematei com pomponzinhos.


Mas antes de tudo, costurei botões de rosas poá, xadrez e estampada na tampa e uni os três num cabinho com pequenos pontos. Recheei com o cheirinho bom da Provence do sabonete líquido da L´occitane, um achado daqueles na sua loja virtual, mais toalhinha e brilho para os lábios.

Gostaria que vissem a alegria da presenteada com seu mimo! Uma menina que não se cansava de abrir e fechar a caixinha, entre exclamações e elogios derretidos. Cena que só reforça a convicção de que presente que nasce de nossas mãos e vai para almas criativas sempre, sempre vale nosso empenho, não é mesmo?

Uma semana tranquila e produtiva pra todos nós. Amém.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Estante vestida





Tenho o olho espichado pelos briques desde a época de montar a casa para casar, isso lá na década de 80, coisa que fazia muitos torcerem o nariz, afinal, comprar tudo novinho era o sonho da grande maioria das noivas. Mesmo assim, com teimosia própria de uma taurina, temperada por certa rebeldia riponga (rs), firmei algumas propostas consideradas indecentes para o gosto vigente: fico com a cama da avó do marido, seu baú também, o balcão da sogra, as poltronas preteridas pela prima... Não quero sofá, me serve melhor um colchão no chão. Também troco de bom grado as estantes moduladas, tão na moda naqueles tempos, por caixotes de maçã (aí o povo quase desmaiava...).


Conto isso com aquele gostinho de orgulho que a subversão à ordem costuma deixar na gente, mesmo que tenha sido uma coragem bobinha. Conto para dizer da alegria que me toma vendo hoje pelos blogs tantas meninas montando seus ninhos com propostas tão parecidas àquelas que me entusiasmaram (e continuam entusiasmando). Conto para recontar a mim mesma que, graças aos céus, o tempo não levou meu olhar garimpador, esse que me salva da necessidade de ter o que tantos sonham, o que tantos pagam alto demais considerando-se tão efêmera a alegria de determinadas aquisições. Mas longe, bem longe de mim, qualquer pretensão de discurso ao desapego, já que o preço baixo não determina um valor afetivo menor ao que me rodeia. O encantamento pelas minhas coisinhas, sejam elas de terceira mão ou zero bala, é igual, e também como taurina genuína, sou apegada a elas feito chiclete. Tanto, que algumas me acompanham nesses 30 anos e continuam recebendo meu olhar enamorado, como a nossa cama de ferro, que não troco e não vendo por nada.


Tudo isso para mostrar a última investida na tentativa de organizar a bagunça que tomou conta da casa desde a vinda da mãe para morar conosco. Na pressa, recolhemos para a área dos fundos todas as traquitanas, todos os livros e toooodo o material de craftices do quartinho "guarda-tudo", para acomodá-la. Os meses foram passando e a gente ajeitando as coisas aos poucos, tal qual a nova realidade da família. Maleiros abarrotados, armários idem, ainda faltava encontrar uma morada para aqueles livros que gostamos de ter à mão. Foi quando entrou em cena a pequena estante arrematada há quase um ano num brique pobrinho de opções. Bem detonada, na época serviria para o acalentado craft room, depois de uma bela repaginada. Como o sonho está em stand bye, arregaçamos as mangas para torná-la útil às necessidades atuais. E não é que a bichinha coube direitinho no vão do armário do quarto?! Aqui, um parêntese: o roupeiro parece mesmo conspirar a nosso favor, desde que chegou desmontado, vindo da sua primeira dona, minha amigona Lourdes. Conforme o irmão montava, crescia a expectativa pelo espaço para o ar-condicionado. A torcida foi ao delírio quando as paredes se encaixaram em volta do condicionador certinho, tão justo, que talvez nem um armário sob medida ficasse assim perfeito. Mais um trunfo em defesa da compra de usados na ponta da minha língua (rs). Peguei carona no entusiasmo do Bruno e na energia física dos seus 10 aninhos e, depois de pintarmos a estrutura, no segundo tempo fizemos a colagem dos retalhos de tecido de maneira bem livre, sem muito pensar, sem muito querer combinar.
Arrematei com barrinha de crochê feita pela mãe, um tesouro tamanha delicadeza!


Depois de ocupada, o fundo colorido foi desaparecendo, encoberto pelos livros.
Mas não faz mal, a cena do meu querido companheiro de aventuras crafteiras compenetrado na sua missão, essa vale por todas as horas mal sentada ao seu lado, pelas mãos grudentas de cola. Também pela frustração de não encontrado o tom certo da tinta e nem um jeito de disfarçar o antipático fio do ar-condicionado naquele cantinho quase perfeito que me lembra casa de praia dos veraneios da infância.
Valeu, Bruno! Valeu, Cris e companheiras dessas Sextas que põem fermento no bichinho grilo que ainda mora em mim (rs)! Até a próxima! Amém.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Entre meias e flores (roubadas e choradas)


A ideia foi roubada de tantos blogs que vi por aí desse reaproveitamento dos pares de meia desmantelados, aquela velha história do buraco negro que engole um pé de meia e deixa o outro à espera de um saci ou... de um vidrinho para ser coberto e virar vasinho charmoso, ou porta-lápis e guarda-pinceis fofos.

Veio muito a calhar nesta sexta e já nos 47 minutos do segundo tempo, me salvou de dar o bolo na Cris. Mais rápido, impossível.

Vista um pote de vidro com a meia e corte o calcanhar, deixando uma sobrinha. Costure para fazer o acabamento na parte debaixo do vidro. Em vidros cilíndricos, faça um franzido. Muitos têm uma reentrância na sua base
que permite ajeitar o arremate.

Depois de vestidos, os meus, um acinturado (de Nescafé) e outro magrinho (de azeitonas), ficaram assim:
Hora boa de ajeitar as flores, também roubadas, na fugida a Gramado no meio da semana. Da cidade das hortênsias, trouxe um buquê delas, apanhado na beira da estrada, onde os milhares de pés começam a florescer, preparando o caminho mais florido do Sul aos visitantes de todos os cantos do planeta que chegarão em breve para o Natal mais encantado.
Do meio da mata que abriga a pousada Chalets do Vale, um lindo lugar, diga-se de passagem (depois conto mais dessa paragem), veio essa espécie nativa com formas e tom tão únicos que roubaram meu olhar à distância.
No vasinho cor de rosa, belíssimas rosas vermelhas. Ainda que minhas preferidas sejam sempre as amarelas, essas me cativaram feito a do Pequeno Príncipe .
As robustas cachopas com 4 a 5 rosas graúdas, avistadas e "suspiradas" em alguns jardins divinos na subida da serra, foram motivo de uma romaria às floriculturas atrás de mudas. Sem notícias delas e frustrada com a possibilidade de voltar com as mãos vazias, mudei a tática. Na última parada, algumas roseiras lá no fundo reacenderam a esperança. Fui logo avisada que eram as últimas e não estavam à venda, serão matrizes de novos pezinhos no próximo maio, época de plantar e fazer mudas. Murchei e com olhar "pidão", quase implorei que vendessem então um galhinho. Funcionou: a florista continuou irredutível em não comercializar as beldades, mas estendeu-me um buquezinho como presente, e eu me desmanchei em agradecimentos. Presentou-me também com a promessa de que reservará as primeiras roseiras-bebês para mim, isso lá no mês do meu aniversário. Um presente anunciado que talvez ela não dimensione o valor. Fazendo pose, os dois bonitinhos no cenário ainda em andamento, projeto a 4 mãos com meu fiel companheiro de empreitadas, o sobrinho Bruno.
Prometo mostrar na próxima Sexta. Que Chronos diga amém!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sobrinhos que são uns...

... amores, da primeira e segunda gerações, de sangue ou de coração, não deixam o bicho do mau-humor (presença que me ronda o verão afora) se instalar no astral por muito tempo. Porque embarcam nas minhas criancices, aceitam os convites na primeira chamada, e lá vamos nós brincar de ser feliz (treino que exige empenho e merece disciplina diária, muitas vezes suado, outras, deletado) ...
... no jantar à luz de velas, assessorado por Murilo, guardião das lamparinas montadas com vidros de conservas, sobras de arame da construção e miçangas.

... no espetáculo do fantástico Tholl, confirmando, com a boca nas orelhas e a alma aos pulos, que o show de todo artista tem que continuar, não é, minha eficiente sucessora?

... no faz-de-conta que aqui é uma confeitaria com a garçonete mais encantadora!
... no ateliê de verão (o quartinho craft foi transferido à área dos fundos, em construção, logo mostro) orientando mãe e filho, compenetrados, na customização de um banquinho.
... na piscininha, presente perfeito de Papai Noel (seu codinome: marido) para essa criança calorenta que teima em me desassossegar, em tardes de refresco e chamego com Bruno.


Obrigada, meus queridos, por me lembrarem do valor de pescar o melhor dos dias (mesmo os terrivelmente abafados... rs). Obrigada por tão boa companhia! Que nossas cirandas de aprendizado tenham sempre a melhor das melodias: essa que nasce e vive pelos canais do afeto. Amém!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

porque - é muito d+!

Depois de dada a largada para os preparativos para o Natal, a missão aqui é dar forma ao que me seduziu pelos blogs e revistas em diferentes propostas. Conto com uma ajuda que vale por ela só, uma parceria craft de alguns anos que não gosto nem de pensar quando perder a graça para meu "sócio". Exercitando manter os pés no aqui e agora, curto ao máximo esses capítulos natalinos com o sobrinho Bruno, que montou uma agenda com as tarefas que temos pela frente nas nossas quintas-feiras de encontro que antecedem a festa.
Então, ontem foi dia de mostrar "com quantos paus se faz um pinheiro". A ideia veio daqui, o material, da obra da área dos fundos retomada neste outro dezembro. Cinco retalhos de sarrafos de madeira, alguns bem usados, com diferentes larguras...
foram pregados a uma ripa maior, todos mantendo seu corte original. Mais algumas bolinhas coladas no avesso e, em menos de 15 minutos, tínhamos o pinheiro na parede.

Não imagino projeto mais simples, mais barato (5 pregos e 10 bolinhas compradas a 2 reais), mais interessante para o canto da sala (um pequeno acidente na hora de colocar a árvore no lugar arrebentou o cesto da balão).
E enquanto observo a casa se vestindo para receber Papai Noel, vou reconhecendo minhas facetas opostas. Se na porta tenho uma guirlanda "mulherzinha", com muitos frufus e fofuras, ao lado, uma árvore crua, quase nua, feita pela mão forte de um homem-menino, cumpre seu papel dentro da lei das energias complementares. Um yin-yang que talvez fira os princípios da decoração, mas que traz um bem-estar que compensa, e muito, transgredir as regras, mostrar mais de mim, apostar no casamento do mais com o menos.
Que o equilíbrio se "espraie" por aqui e aí também! Amém.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vamos todos cirandar?


Feriadão no Rio Grande, data máxima do orgulho gaúcho, promete sábado e domingo ensolarados, e se São Pedro for camarada, a segunda também. Fica o convite para brincarmos todos de roda (com a vida), viajando ou na cidade, para quem terá a folga estendida ou o fim de semana.

Vamos dar a meia volta (com as mãos livres) ...

(ou de mãos dadas), meia volta (no relógio, nas expectativas, nas tensões...), vamos dar?

Entre dentro desta roda (com o coração)

Diga um verso bem bonito


Diga adeus (ao olhar batido) e (que a monotonia) vá se embora!

Amém!

Móbile de mulheres dançando, de folha de bananeira, na entrada da minha casa/ Mandala de vidro da minha produção (à venda)/ Mandala de quilling na minha sala (para aprender, clique aqui)/ Poema de Picasso, presente da amiga Anelise Bredow/ Móbile de vidros "eu que fiz"