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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lar de passarinhos

Com dois fuxiquinhos e retalhinhos de feltro nasceu hoje aqui um bebê passarinho, um canarinho, em dois tons de amarelo. Precisava de uma casa, é claro, e parti para a construção da morada que há tempos namoro pela blogosfera. Seguindo a mesma cor do morador, usei a embalagem dessas flores que mostrei aqui para a base.
Cortei em cima para emparelhar. Recortei uma porta no estilo tradicional das residências das criaturinhas voadoras.
Para o telhado, cortei um retângulo de papelão um pouco maior que a caixa.
Forrei as paredes externas e o fundo com estampas diferentes, espalhando cola branca com pincel na cartolina e depois sobre o tecido, para impermeabilizar. Dentro, usei um único tecido, com estrelinhas. O telhado também foi encapado: uma estampa por fora, outra por dentro. Para os acabamentos, viés estampadinho na moldura da porta e pomponzinhos na fachada. Juntei as duas partes com cola quente e a obra ganhou o habite-se e liberou o morador a tomar posse e fazer pose.
Ei-lo aí, faceirinho e muito precoce. Com apenas algumas horas, já se arrisca a sair do ninho e examinar a vida lá fora bem acomodado no seu poleirinho. Bem diferente de uns parentes seus, que há dias ensaiam uma voltinha...
Lembram da movimentação na casinha da minha área há algumas semanas? Os preparativos do casal de corruíras anunciavam bebê à vista, mas eu bem que duvidei. Passaram-se dias de quietude, e considerei que haviam desistido da morada em lugar de tanta circulação de humanos.
Que nada! Sob cuidados intensivos dos papais, que se revezam na sentinela e num vaivém do quintal à casa trazendo alimentos fresquinhos, aí estão os bebezinhos mais glutões da redondeza.
Não são uns fofos que justificam gastar tanto do meu tempo como paparazzo, à espreita para pegá-los em bom ângulo, driblando a marcação cerrada da mamãe? Espertinha e ágil, me vence no cansaço e continua invicta, fugindo de todos os flashes e me observando de um galho da laranjeira com carinha de quem se pergunta quando irei desistir. - Não me entrego fácil, dona passarinha. Enquanto a família estiver sob o meu teto, a câmera continua no bolso e a esperança nos meus olhos. Haverás de ter um minutinho de distração, e eu, o gostinho de te registrar na refeição dos filhotes, bico no bico. A cena, tão querida, vale a teimosia e todos os minutos à disposição que, hoje, são o saldo mais valioso dos meus dias sem agenda.
Se também "adotar" um canarinho e der a ele um lar, não esqueça de nos mostrar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Às voltas com o ninho...

...para a primavera que chega na próxima madrugada, ando no ritmo do casalzinho de corruíras que trabalha há dias para a inauguração da casa na área de entrada da minha morada. Incansáveis, descobriram só agora a "residência" ali instalada há anos, e trabalham numa parceria que dá gosto de ver, desde cedinho da manhã. Os vestígios da sua persistência ficam no chão, embaixo da casinha: os muitos gravetinhos espalhados no piso que deixam cair quando tentam acomodar no interior do ninho, com acesso dificultado pelo tamanho da entrada. Na vigilância, aguardo com certa ansiedade a hora em que a mamãe se acomodará na pequena casa para esperar seus bebês, semelhante à história que acompanhei no ano passado e mostrei aqui.
E como na casa grande os tempos são de vida sem faxineira, o feriadão ensolarado serviu também para uma limpeza boa, que fica melhor ainda quando a gente termina e vê o "depois" incomparável ao "antes". Fugindo do roteiro das faxinas que limpam "só onde passa a procissão", como minha mãe costuma falar para definir o trabalho das profissionais que se "esquecem" dos cantos e detalhes, o trato no mosaico que une sala e cozinha rendeu um branco renovado, e quase quis colocar uma placa de "não pise" (rs), tamanho o contentamento. Foi juntando caquinhos com muita paciência que o filho encontrou a solução para a junção dos dois pisos, com pequeno desnível. Nasceram estrelas assimétricas, e a faixa, que comumente é vista como recurso em áreas externas, é um xodó aos meus olhos, talvez também pela pitada de irreverência e subversão à ordem.
Mas, em outros espaços, é preciso botar ordem na casa, especialmente no quartinho que semana a semana vai ganhando status de crafter room. A mesa, improvisada com cavaletes e madeira bruta, grita que quer uma cor, mas enquanto toco as encomendas de bancos e cadeirinhas, a pintura vai sendo adiada. Então, vou me contentando com pequenas organizações, que facilitam o trabalho deixando o material à mão, como esta ideia que vi no blog Lu Espejo. As fitas, cada uma enrolada em um prendedor de roupa e depois agrupados em um aro de arame com gancho dobrado com alicate, agora até parecem...... uma guirlanda em arco-íris, quem sabe um bela proposta para inovar na decoração de Natal (ai, prometi a mim que não falaria, nem pensaria nele tão cedo!). O companheiro de quase metade da vida, do alto da sua latinha, parece ter aprovado os movimentos e a intenção de dar um jeito no pequeno espaço onde convivemos por horas a fio, não é o que sua carinha bochechuda demonstra?

Tem também quem aprovou a indicação do passeio ao Morro Reuter do Amém para conhecer a encantadora dona da Kombi mais florida. A Carina, do blog Cacareco Chique, minha vizinha de cidade que ainda não conheço pessoalmente, aproveitou o sábado de quase primavera e pôs o pé na estrada. Ela conta aqui como foi o passeio, e eu pedi bis! No próximo sábado, prestigiaremos juntas este evento no Um Café, espaço charmoso em Morro Reuter.O convite é estendido a vocês da região, e fico aqui torcendo os dedos para que mais gente que passa por aqui chegue lá, nessa tarde que promete celebrar a entrada da nova estação a rigor, com a beleza das rosas. Mas antes disso, com certeza daremos uma passadinha na nossa amiga Julita para abastecer a despensa de muitos verdes, rosas... Bordôs...
Brancos e liláses...
Amarelos e laranjas...

Em um manifesto pelos ninhos e dias renovados, atendendo ao chamado da natureza mais uma vez milagrosamente renascida. Amém!

(Todas essas flores que enfeitaram meu ninho na semana passada são da produção de dona Julita e custam - pasmem - 2 reais o buquê.)