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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma floresta de cogumelos!!!...

... brotou da noite para o dia na terra batida da área em construção, e entre exclamações alardeadas aos humanos da casa, em estado alterado pela surpresa nunca vista, chamei também o povo pequeno, que mora no jardim.
Logo embrenharam-se pelo campo de "chapeuzinhos vivos". Era visível que até eles, acostumados à natureza farta dos cogumelos, eram só admiração e alegria.
Aquele que vive da colheita observou de perto a espécie, que nasce como grão de arroz, horas depois ganha caule e corpo branquinhos e, em menos de um dia, "amadurece" e, crescido, se pinta de tons de cinza.
Ainda meio incrédulos, buscaram Alfredinho, um dos moradores do baú, para confirmar que a cena não era miragem.

O gnominho ancião percorreu caminhos pelo bosque encantado, examinou aqui e ali e depois ponderou: "Quem acredita que é preciso crer para ver, mais dia, menos dia, acaba por ver o fruto da sua fé". Observando-os bem de perto, também ouvi o recado, pelas ondas do coração. Agradeci, literalmente de joelhos, ter confiança no invisível e olhos para ver. E ...


... tratei de aproveitar mais um pouco a linda e inusitada inspiração (efêmera, pois da floresta, hoje só restam alguns poucos cogumelinhos). Mãos à obra para reproduzir e assim registrar, não só pelas fotos, o "milagre" do domingo. Para confeccionar os cogumelos, recortei círculos de mais ou menos 8 cm de diâmetro.

Alinhavei como para fuxico, recheei com plumante...

... e prendi num pedacinho de galho seco.

No de feltro, bordei as pintinhas.

Na minha "floresta", as árvores anciãs abrigam grande quantidade de cipós. Adoro. Quando faz-se limpeza no quintal, busco alguns do monte destinado ao lixo, e mesmo vendo alguns narizes torcidos, guardo-os ao Sol até secarem. Estão prontos então para serem também torcidos, amarrados, formando guirlandas rústicas, base para um sem fim de ideias decorativas, apesar de gostar muito delas assim, nuas, só com um adereço simples. Mas hoje o projetinho é outro. Amarrei os cogumelos com cipós finos à guirlanda e comecei a gestação do serzinho para aquele cenário.
Costurei à mão um tubinho de malha de algodão, com diâmetro de pouco mais que um dedo, e enchi com plumante.

Amarrei a parte de cima e fechei a de baixo, franzindo.

Fiz um gorrinho com feltro e costurei no meio da parte de baixo, para formar as pernas, e dos dois lados do corpo, para dar a impressão de mãos no bolso. (Esta é uma miniversão dos bonequinhos de tricô que muito tricotei. Uma hora dessas faço uma sessão nostalgia e mostro.)

Pintei calça e blusa com tinta para tecido. Bordei olhinhos e boca.

E lá foi ele morar entre os cogumelos, que ganharam também um passarinho xadrez.
E vejam quem voltou a se espantar?

- Nosso amiguinho, não se assuste, ele é um pequeno e bom camarada, e ela, a humana, promete deixar seu povo em sossego nos próximos dias. (Ouço-os dizendo, em coro: Amém!)
Atualizando: O Fabiano Mayrink, do blog Musgo do Campo, menino apaixonado pela natureza, seguiu a lição direitinho e fez seus cogumelos. Vejam que lindinhos, junto a uma pinha!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Coelhada solta...

... pela casa, como álbum de figurinha, cada um no seu lugar, demarcando um tempo que me leva pra trás, para a menina que fui e que, na Páscoa, vem me visitar.





















































































Para que ela volte sempre, dedico a quaresma ao nosso encontro, olhando pra dentro e enfeitando o cenário. Que essa graça nunca se perca... Amém!

domingo, 29 de novembro de 2009

José, Jesus e o milagre da laranjeira

A dupla chegou aqui com a missão de concretizar um projeto de anos: a construção de uma área nos fundos da casa para abrigar os amigos em volta do forno erguido pelo filho, um milagre alicerçado na total inexperiência com a lida de pedreiro e um apaixonamento gigante por pizza.
José, construtor, que também faz as vezes de carpinteiro honrando seu nome bíblico, é o comandante da empreitada e guia de Jesus, seu fiel escudeiro.

Nas poucas semanas de convívio, impossível não reconhecer a performance exemplar dessa parceria que trabalha sem parar jogando conversa fora baixinho, buscando soluções, às vezes assobiando, com um bom humor imbatível. Nem o peso absurdo das vigas de eucalipto, nem o sol escaldante foram capazes de tirá-los do prumo. Sintonizados numa mesma intenção, cumpriram o prometido na data marcada, mesmo com São Pedro jogando contra e impedindo o trabalho nos muitos dias de chuvarada.

O forno, grande estrela do espaço, está quase pronto para a inauguração, com uma lista de convidados que se espicha feito massa de pizza em mãos de pizzaiolo hábil.
Cresce também o meu olho pelos entulhos que se avolumam pelo quintal. Seu José e Jesus, e os guris da casa também, me olham só de canto enquanto recolho tocos e pedaços de varas de madeira, telhas, retalhos de calha e reúno num cesto, como tesouro, os galhos da velha laranjeira sacrificada para dar lugar ao telhado.

Renascimento
E então, como sucateira teimosa que gosto de ser, mostro a eles o primeiro resultado do que iria para o papa-entulho ou seria queimado no fogo inaugural do forno. A vida que se foi a machado renasce como o primeiro elemento de Natal na decoração da casa. E como outro milagre, a laranjeira volta a nos fazer companhia, agora como pinheiro. Os ingredientes da mágica não poderiam ser mais simples: gravetos, galho mais grosso para o tronco, meio toco de uma fatia de vara de eucalipto, lascas de madeira, pregos e cola quente.Aqui a Analu mostrou de onde veio a inspiração. E a Susi também colaborou com a ideia com esta sugestão. E dessa empreitada de tantas mãos, fica a fé cimentada de que a simplicidade gera riqueza. Riqueza de tranquilidade e eficiência, como provam os mestres José e Jesus.
Riqueza de satisfação, como mostram meus olhos admirando o pinheiro de gravetos.
Fica também a certeza de que quero um Natal assim, simples. Para isso, preciso fazer o caminho de volta a uma manjedoura para perder o excesso de expectativas acumuladas por aí, fora do meu quintal.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A colheita farta da vó Anita


Aos seis anos, vó Anita plantou sua jabuticabeira no quintal. E o tempo encarregou-se de fortalecê-las. A menina crescida encontrou seu príncipe, casou com ele e com a casa dos pais. Frutificou em filhos e netos, privilegiados pela companhia da mãe e vó sábia e de seu paraíso verdejante em pleno centro da cidade. Semana passada, completou 90 anos!, sob o olhar orgulhoso de seus amores, entre eles, a jabuticabeira. Dizem que para presenteá-la, a árvore antecipou-se à data, enfeitou o tronco frondoso de suas flores que mais parecem plumas, e depois cobriu-o de frutos negros e suculentos como nunca antes visto. Presente divino, como as anciãs tão bem sabem preparar.
Outras delicadezas floresceram para celebrar a alegria da data, como o chá-surpresa que reuniu familiares e amigos em ciranda para cantar o Parabéns. Teve lembrancinhas doces, porque meninas de todas as idades adoram essas fofurinhas, e vó Anita, como crafter de mão cheia, não poderia passar sem elas.


Há dois anos, tive a oportunidade inesquecível de conhecer a "floresta" da vó emprestada, lá em Santa Cruz, e suas companheiras de quatro patas: Belinha e Mila. Poderia ter feito um ensaio fotográfico se as condições de fotógrafa fossem melhores. O pátio, pequeno em extensão, abriga dezenas de espécies de plantas, novidades e flores há muito não-vistas pelos recantos e canteiros. Voltei com o porta-malas transformado em um viveiro de mudas, arbustos já crescidos e até uma pequena árvore. Generosidade da mãe e da filha, guardiãs de espaço sagrado e curativo, que hoje colorem meu quintal e garantem a lembrança diária das amigas.

E como as frutinhas não caem mesmo longe do pé, a filha Lourdes, minha grande amiga de coração gigante, que me empresta até a mãe para chamar de vó, segue escrevendo a história do quintal, a trajetória das Hübler, mulheres fortes que têm a natureza como subsistência primeira da alma. Muito antes do mundo acordar para as questões ecológicas, a professora Lourdes desafiava os conceitos vigentes e ia à luta para defender a árvore da rua, o ninho do poste, as pilhas de papel da escola descartados no lixo... Dona de um imenso amor incondicional a tudo que pulsa, respira, vive, uma reverência constante à natureza, uma afetividade materna latente à Terra. Abençoada genética (espiritual?) que vai levando em frente as melhores qualidades ancestrais.
Lá, tudo cresce rápido, feito massa de pão em dia quente, e se multiplica, e vai tomando conta da calçada, e casa com a vizinha, e gera outra cor, e nasce entre pedrinhas... e dá um trabalhão, mas quem diz que as jardineiras pensam em reduzir o "jardim botânico"!
Talvez para guardar o que os ciclos levam, a jardineira, que também escreve com a mesma desenvoltura com que lida na terra, tem nova paixão: a fotografia. E não é que brincando com seus cliques pela cidade e na zona rural, a que se diz aprendiz já foi premiada! A foto, do Templo Maçônico (à direita no postal), levou o primeiro lugar em concurso do seu município. Os bastidores, soube por telefone: para captar o melhor ângulo, com a acácia emoldurando o prédio, a fotógrafa deixou de lado a inibição e ajoelhou-se na calçada, ao pé do Templo, cedo da manhã, enquanto em frente os trabalhadores esperavam o ônibus na parada.
Porque imagens guardam, sim, segredos, e quem tem sensibilidade para garimpá-las é capaz de nos surpreender sempre, a festa da vó Anita driblou duplamente o calendário e desembargou aqui hoje, via sedex. Que segredos aquela caixa inesperada poderia resguardar? Assim que abri, fui tele-transportada no tempo: para trás, com as cenas da festa de 90 anos que não pude participar, e para frente, com os presentes de Natal! produzidos pela dupla. Quase ouvi o ho-ho-ho do velhinho barbudo rindo do meu estado eufórico.

Não estava lá, mas tenho a bonita homenagem publicada no jornal e o coração de biscoito...



Tenho também mimosices preciosas produzidas pelas mãos ágeis e pacienciosas da vó Anita e sua discípula, que começam a produção natalina no meio do ano, e a cada ano inventam uma moda nova. Confesso que espero o presente das "meninas" prendadas com expectativa. Como poderia ser diferente se me enchem de mimos há muuuitos Natais? Dessa vez, guardanapo aplicado, pano de prato com barrinha floral, mini-oratório, íma de joaninha, embalados com uma customização digna dos melhores designers.

Mais dedicação viajou pelo caminho florido do afeto...
Uma agenda dos próximos três meses, totalmente preenchida por um roteiro para guiar os passos por todos os anos que virão. Um mapa, conduzido pelas palavras colhidas de grandes mestres, recortadas ao longo da jornada, coladas em papel reciclado. Um "viva à vida" contagiante...

Que vem lá de Santa Cruz, pela voz de quem reza quando o Sol nasce de uma maneira só sua: distribuindo grãos aos pássaros em forma de cruz (santa) na calçada do jardim, enquanto agradece e pede proteção a todos. (Quem não chega a tempo do café da manhã, pode servir-se depois no restaurante.)

Sim, querida, os anjos disseram e continuarão dizendo amém aos milagres que o teu bom coração, movido à boa vontade, promove por onde passas. Obrigada, sempre, por partilhá-los e por me acolher no ninho farto da vó Anita.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Bebês no jardim

Revelando-se ao mundo, os primeiros membros da família que mora na caixa cor-de-laranja saíram hoje para conhecer o jardim no colo da mamãe orgulhosa.
Os gêmeos, porque gnomas sempre têm filhinhos em dupla (sabia Ana Sinhana?), comportaram-se tão bem, que ganharam a promessa de passeios diários. Eram só sorrisos...
É que a morada provisória está ficando apertada para a turma que cresce cheia de expectativas. Aguardam com paciência a hora de ganharem a liberdade e mais, a fama, já que serão os garotos e garotas-propaganda do próximo ano. Explico: em assembléia secreta dos elementais, o povo pequeno foi escolhido para ilustrar o Calendário de 2010, sucedendo as fadas, que reinam este ano com sua delicadeza etérea.
Mas o que não sabíamos é que a tarde reservaria uma linda surpresa para os bebês na sua primeira voltinha pelo pátio. Ou será que foram eles os agentes desse milagre ainda não percebido pelos humanos da casa? A casinha da laranjeira sinalizava novidades com um movimento estranho. Logo ouvi-se sons estranhos também. E no terceiro momento, desvendou-se o mistério com um casal de corruíras entrando em cena. Lá dentro, gêmeos-passarinho têm fome e reclamam!

A mamãe sabe, porque as mamães quase sempre sabem decifrar o choro dos seus filhotes, e corre com o lanche no bico. E tudo se acalma...

Ouve-se somente o canto do papai, que não demora a partir em busca de mais comida.

Antes de nos recolhermos, reconheço a gratidão revigorada. Num instante, uma breve oração: Obrigada pela tarde cheia de graças! Amém.

No próximo capítulo, close do papai gnomo, que não canta para seus gêmeos, mas também abastece a despensa da casa. E, se o roteiro do universo assim quiser, notícias da família corruíra.