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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Latonas no jardim

Às vezes o filho lembra dessa mãe sucateira e traz algumas preciosidades do descarte do Vero, sabendo que ouvirá um "que lindo!" logo que mostrar o que poderia se perder no lixo. Assim as  duas latas grandonas de azeite de oliva foram recebidas com olhos brilhando por elas e um sorriso de orelha a orelha para o presenteador, como os mães costumam sorrir derretidas com os agrados de seus rebentos.
Plantei cravinas, flor delicada e cheirosa, dentro delas e escolhi um lugar ensolarado para as gêmeas, junto do baldão arrematado em uma sucata, onde bocas-de-leão começam a florescer.
Pertinho dali, a turminha do povo pequeno acompanha as tentativas  de revitalizar o jardim. Sabem onde eles moram?

Em outra latona, essa usada na horizontal para abrigar a floresta de suculentas e seus guardiãs.
O design do paisagismo caseiro é referendado por nada mais, nada menos, que os irmãos Campana. Jamais esquecerei meu entusiasmo com a declaração de um deles, em um episódio do programa Casas Brasileiras, do GNT: "Adorava as plantas de minha vó em latas de óleo e comer nos pratinhos de lata de goiabada que ela mesmo fazia". Não é uma pérola? 
Que na nossa memória também se guarde a grandeza da simplicidade. Amém.

domingo, 10 de junho de 2012

Com a alma (gaúcha) acordada

Sou gaúcha de meia-tigela no que se refere a muito das tradições. Nessa casa, até o chimarrão é presença rara, desfila apenas entre o povinho do baú para fazer uma graça na sala com as miniaturas adoráveis. Mas o quando o frio chega rachando, como nos últimos dias, reafirmo a certeza de que adoro meu berço gaudério, que não escolheria nenhum outro lugar para nascer e viver. E enquanto muitos queixam-se das mazelas que vêm com as baixas temperaturas, preciso até frear um pouco o entusiasmo seguindo a máxima aquela que gosto não se discute (mas que a gente gosta tanto de desobedecer)
Com o termômetro quase zerado pelas manhãs, e não chegando aos 15 graus com sol alto, a disposição sobe muitos degraus na escala de produtividade.

Queria multiplicar as horas ou ter mãozinhas extras para dar conta de tantas vontades. Elas passam pela cozinha e pelas manualidades, duas paixões que sempre lideraram o ranking dos prazeres, e fazem um fuzuê na ordem das coisas. Cozinhar, mandalar, crochetar, costurar, sem abandonar o posto de cuidadora da mãe, prioridade primeira, nem sempre faz uma boa salada. Estar centrada nos passos de cada tarefa é condição inegável para um bom resultado. Aprendi na caminhada de mais um trecho comemorado recentemente só com aqueles amigos bem de casa, num chazinho tão retrô quanto os sanduichinhos na bandeja herdada da mãe.
O bolo, por falar nisso, o mesmo do níver do filho, está participando de uma orgia chocólotra lá na casa festeira da Bonfa. Dá uma passadinha se quiser votar nessa boleira aposentada (rs), receita número 44. O pequeno confeiteiro agradece em meu nome oferecendo a cereja mais bonita do bolo.
Mas como volta e meia bato de frente com a sabedoria adquirida, aqui estou eu misturando palavras, mandalas que secam, máquina que centrifuga a roupa, de olho na hora dos remédios da minha bebezona,  procurando uma programação na tevê que lhe agrade (tarefa difícil, especialmente aos domingos, mesmo nos canais fechados) e preparando arroz de leite, doce super popular também aqui no Rio Grande.
E como a semana está liberada às fofuras vindas do coração, montei agorinha uma versão romântica  da receita junina, perfumada de canela e do cravo-da-índia que recheia esse encanto de almofadinha, presente da amiga Marli.
As mandalas, costurinhas, crochês e mais outras cositas que andam preenchendo meu tempinho de folga, prometo mostrar logo.  E agora deixa eu seguir a dança das horas, no ritmo do ventinho gelado lá de fora que embala minha alma do jeito que ela mais gosta.Amém.
Atualizando:
A política inexperiente chegou atrasada para pedir voto. A enquete da Bonfa tá encerrada, mas vale a pena a visita para salivar muito com as mais de 60 receitas a base de chocolate com fotos tentadoras.
O cortador de biscoito usado na decoração do arroz de leite ganha novo uso para fazer uma feltragem lindinha. A Maria Amélia ensina aqui.
E a receita do arroz, aqui chamado de leite, mas mais conhecido como arroz doce em outras regiões, é daqui, enriquecido por leite condensado e leite de coco, um casamento perfeito.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E a família miúda voltou!




Eles nasceram para brilhar no calendário de 2010.




Dormiram um sono comprido na sua caixa, mas não nunca esquecidos, foram acordados neste dezembro para, dessa vez, colorirem a porta enfileirados.
Ganharam muitos corações de cenário (tentativa de disfarçar a pintura desbotada da velha porta) e me deram tanta alegria com seu retorno.


Volta e meia dou uma olhadinha para a turma de gnomos e vem aquela estranha impressão de incredulidade de ter sido capaz de criar umas coisinhas tão fofas (olha a modéstia da mãe das criaturas). Sensação bem própria que o distanciamento às vezes promove, mesmo que não se queira. Adoro a crafter da família, exibindo seus corações em fio. O intelectual, leitor voraz, é sério sem deixar de ser simpático. E a matriarca, com seu traje de lãzinha, garantindo o bolo da galera? Parece reger os mais novos com tanta serenidade.O casalzinho, pais recém-nascidos dos bebês gêmeos, quase os vejo na rotina puxada de cuidados com os pequenos, mais a lida doméstica, como o papel do papai de abastecer a família com alimentos fresquinhosCogumelos e hortaliças é com o agricultor, que também distribui os frutos da colheita. Se não estou enganada, ele se perde de amores pela mocinha do seu lado, que assim como ele, ama e protege a natureza.


Definitamente, tenho um pé no território do povo pequeno e o meu Natal só vibra de encantamento com eles por perto.


Que eles se encarreguem de promover aos quatro cantos a alegria da união no Natal e em 2012. Amém.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Recado dos gnomos

Depois do Alfredinho, chegou a hora do Betão dar as caras por aqui. Quem me acompanha de outros Natais sabe que essa é paixão muito, muito antiga, e que em dezembro, mais ainda do que em outros meses, o povo pequeno invade a casa. Alguns saem de seus lugares consagrados e se mudam para pequenos cenários natalinos. Outros, que durante o ano dormem junto aos enfeites do pinheiro, finalmente despertam e acordam a graça que guardam, acredito, só pra me agradar. Betão veste as cores da cozinha "nova", azul e vermelho, e se instalou na peça esmaltada que um dia pertenceu à alguma vó alemã. É a vedete do cômodo. A relíquia foi arrematada já fez tempo nos saldos da loja da amiga Anelise Bredow, e o cartão imantado também. Será que a vovó aprovaria seu novo uso, com a lousa adesivada? Creio que originalmente servia para pendurar utensílios junto ao fogão, mas adorei sua outra função inventada juntando uma coisinha e outra, como o anjo em forma de fôrminha de bolo, presente de uma querida que também vive com um pé no mundo da Lua, cercada dos elementais.

Que a semana seja iluminada de uma certa magia pra todos nós! Amém.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Gratas surpresas!

Da natureza
No jardim, abatido pelo calor e seca, avisto pela janela uma coroa cor-de-rosa despontando entre outras flores caidinhas. Espicho o olho, animada, e num canto ao lado, as pontinhas de outra recém-nascida também dão o ar de sua graça. Quero logo ver de perto quem são essas rainhas gêmeas, suaves no tom, fortes para driblar as adversidades do verão.

Surpresa!! A corte é formada por três! majestades, que esperaram sua progenitora tombar, depois de meses firme e bela, para assumir o canteiro. Tão lindo quanto as flores, o recado das bromélias, da infinitude da vida, é de uma esperança que fala mais a meu coração que muitas filosofias e religiões.



Dos gnomos

O carteiro, que sorri com certa familiaridade pelas visitas frequentes, chega com o embrulho e já quero adivinhar quem de longe quis fazer um agrado. Não identifico o remetente e ansiosa abro o pacote. Surpresa!! O livro tão amado e cuidado, presente para o filho ainda criança, que há bem mais de uma década criou asas, volta às minhas mãos como mágica! Quase não acredito, abraço e cheiro para matar a saudade, e vasculho pistas para encontrar o autor de tamanha façanha. Nada! Recorro ao Google, digito o endereço do remetente e caio numa livraria-sebo (Só podia, as edições estão esgotadas há anos! - falo sozinha). Desisto dos meios virtuais para matar a charada e resolvo curtir a alegria. Folheando bem devagarinho, vou reencontrando os velhos conhecidos como acontece com bons amigos: como se estivéssemos juntos ainda ontem. Aí paro na frente desta criaturinha... ... e faz-se a luz! Ora, quem poderia ler meus desejos com tanta clareza e decidir satisfazê-los senão uma gnoma? A comadre, é claro! A generosa amiga da vida toda, dinda com D bem grande do filho que a chama de dinda Baixinha (como prova da sua descendência do povo pequeno), só ela esqueceria, ou deixaria propositalmente de assinar o feito, entusiasmadíssima, projetando minha felicidade.

Só elas, as miúdas elementais da Terra, para me lembrarem com tanta propriedade da grandeza do feminino. Sim, queridas, celebrar é preciso, se enfeitar também, viver em harmonia, mais ainda.

Por telefone


A secretária liga e anuncia que o médico quer trocar umas palavrinhas. Ouço-as, enternecida. Enquanto ele agradece com seu jeito manso a mandala, presentinho de Natal por sua generosidade e competência em momento de grande angústia no ano passado, lembro de nossos capítulos ao longo de 30 anos, com um intervalo de 10, um hiato que também passou pela "mágica" de desaparecer assim que nos reencontramos. Lembro também da sua agenda superlotada, fato que não o impede de reservar uns minutinhos para a gentileza de um telefonema que é um afago pra mim. Quando nos despedimos, tenho uma certeza fortalecida: aqueles que nos inspiram pelas veias da beleza são presentes inestimáveis. Feliz escolha fiz quando o elegi como o profissional que traria meu filho à luz. Ser recebido para a vida por um ser humano desse quilate é um privilégio, também reconhecido por aquele bebê que hoje, homem feito, inunda os olhos ao saber que a primeira pessoa que o recepcionou ainda lembra daquela noite com detalhes... Não é mesmo de emocionar e de se espelhar?

Por comentário


O PAP que mostra a técnica da pintura de mandalas em vidro (clique aqui para ver) é um dos mais acessados no Amém. Sempre fico alegrinha quando penso que alguns desses interessados podem ter sido mordidos pelo bichinho mandaleiro e estarem curtindo trabalhar com as bolachonas de vidro. Ontem, a alegriazinha se transformou em alegriazona. Vejam por quê:
Marcela disse...
Olá! adorei sua explicação! Estarei fazendo estas mandalas com meus pacientes da saúde mental! Eles vão se apaixonar!

Quis agradecer, mas não encontrei nenhum caminho para chegar direto à Marcela. Faço-o aqui, na esperança de que ela volte a dar uma espiadinha neste espaço que ganhou ainda mais valor por suas palavras tão promissoras. Saber que as sementinhas daqui germinam aí é fermento para a dedicação e o cuidado que os leitores merecem, um incentivo a buscar com esmero a linha que nos aproxima em boas intenções.
Por tão belas, significativas e gratas surpresas, sou imensamente grata aos seus protagonistas e à Luz que nos sintoniza. Amém!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Obrigada, Papai Noel...

Pelas tantas bênçãos recebidas neste Natal. Pelos corações serenos reunidos em dois momentos de celebração: na ceia e no almoço de Natal.
Pelas minhas mãos que recortaram, colaram, pintaram, amarraram, costuraram, enveloparam, escreveram, fotografaram, cozinharam com prazer. Obrigada também pela mente treinada a buscar alternativas para as dificuldades no percurso e que este ano encontrou diferentes maneiras de presentear numa situação inédita: sem entrar no shopping, nem percorrer a agitada Rua Grande. Um presentão sem igual ficar à parte da muvuca, um privilégio fazer as compras na rota até Morro Reuter (RS), nos ateliês e pequenas lojas, com tranquilidade e atenção exclusiva dos vendedores, e pela internet, sem pressa, recebendo as encomendas na porta de casa.

Obrigada, Papai Noel, pelas mãos que ofertaram com alegria e se agitaram faceiras ao receber.
Pela simplicidade da noite...
Obrigada pelas mãos incansáveis do filho chef que assume a ceia...
e nos presenteia com um banquete de sabores inusitados.
Obrigada pelas mãos generosas do pai emprestado que se encarrega de trazer a tradição à mesa.

Obrigada pelas parcerias que temperam os rituais... Pela descontração que revela intimidade...Obrigada por inspirar a escolha certa do presente para mimar a quem se ama.
Obrigada por dividir sua noite com os anjos... Obrigada por trazer amigos de longe para perto (Geremias veio de terras distantes encomendado pela querida Teresa). Obrigada por preservar minha criancice e dar força às pequenas coisas que a alimentam, como batizar as criaturas inanimadas que vivem comigo. Amy foi o presente de Natal que me dei, como contei aqui. Não tenho palavras para descrever a felicidade que ela me desperta cada vez que paro meus olhos na sua delicadeza e imagino sua história. Tudo que sei é que morava na casa de uma vovó alemã. Com certeza, uma vovó muito fofa, pois só uma pessoinha sensível teria um dia se enamorado de Amy. Obrigada, Papai Noel, por nos trazer a mensagem do Pai do Céu em cada detalhe, gesto, palavra. Obrigada, por afinar nossos sentidos e nos fazer receptivos a ela. Que sigamos atentos e vulneráveis à amorosidade do Natal por um tempo a perder de vista. Amém!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma floresta de cogumelos!!!...

... brotou da noite para o dia na terra batida da área em construção, e entre exclamações alardeadas aos humanos da casa, em estado alterado pela surpresa nunca vista, chamei também o povo pequeno, que mora no jardim.
Logo embrenharam-se pelo campo de "chapeuzinhos vivos". Era visível que até eles, acostumados à natureza farta dos cogumelos, eram só admiração e alegria.
Aquele que vive da colheita observou de perto a espécie, que nasce como grão de arroz, horas depois ganha caule e corpo branquinhos e, em menos de um dia, "amadurece" e, crescido, se pinta de tons de cinza.
Ainda meio incrédulos, buscaram Alfredinho, um dos moradores do baú, para confirmar que a cena não era miragem.

O gnominho ancião percorreu caminhos pelo bosque encantado, examinou aqui e ali e depois ponderou: "Quem acredita que é preciso crer para ver, mais dia, menos dia, acaba por ver o fruto da sua fé". Observando-os bem de perto, também ouvi o recado, pelas ondas do coração. Agradeci, literalmente de joelhos, ter confiança no invisível e olhos para ver. E ...


... tratei de aproveitar mais um pouco a linda e inusitada inspiração (efêmera, pois da floresta, hoje só restam alguns poucos cogumelinhos). Mãos à obra para reproduzir e assim registrar, não só pelas fotos, o "milagre" do domingo. Para confeccionar os cogumelos, recortei círculos de mais ou menos 8 cm de diâmetro.

Alinhavei como para fuxico, recheei com plumante...

... e prendi num pedacinho de galho seco.

No de feltro, bordei as pintinhas.

Na minha "floresta", as árvores anciãs abrigam grande quantidade de cipós. Adoro. Quando faz-se limpeza no quintal, busco alguns do monte destinado ao lixo, e mesmo vendo alguns narizes torcidos, guardo-os ao Sol até secarem. Estão prontos então para serem também torcidos, amarrados, formando guirlandas rústicas, base para um sem fim de ideias decorativas, apesar de gostar muito delas assim, nuas, só com um adereço simples. Mas hoje o projetinho é outro. Amarrei os cogumelos com cipós finos à guirlanda e comecei a gestação do serzinho para aquele cenário.
Costurei à mão um tubinho de malha de algodão, com diâmetro de pouco mais que um dedo, e enchi com plumante.

Amarrei a parte de cima e fechei a de baixo, franzindo.

Fiz um gorrinho com feltro e costurei no meio da parte de baixo, para formar as pernas, e dos dois lados do corpo, para dar a impressão de mãos no bolso. (Esta é uma miniversão dos bonequinhos de tricô que muito tricotei. Uma hora dessas faço uma sessão nostalgia e mostro.)

Pintei calça e blusa com tinta para tecido. Bordei olhinhos e boca.

E lá foi ele morar entre os cogumelos, que ganharam também um passarinho xadrez.
E vejam quem voltou a se espantar?

- Nosso amiguinho, não se assuste, ele é um pequeno e bom camarada, e ela, a humana, promete deixar seu povo em sossego nos próximos dias. (Ouço-os dizendo, em coro: Amém!)
Atualizando: O Fabiano Mayrink, do blog Musgo do Campo, menino apaixonado pela natureza, seguiu a lição direitinho e fez seus cogumelos. Vejam que lindinhos, junto a uma pinha!