É o frio!
Que conforme a meteorologia deve desembarcar com força no território gaúcho nessa madrugada, com direito à geada e, provavelmente, ao vento minuano que até agora mantém-se recluso nessas paragens.
Bate junto uma nostalgia...
Dos meus 7 aninhos, quando o comercial das Casas Pernambucanas, assistido na TV dos vizinhos, anunciava o inverno que naqueles tempos parecia mais rigoroso. Será que tudo parece mais (bonito, cheiroso, amplo, gostoso, alegre, colorido... e também mais triste, escuro, assustador, doloroso, gelado...) na infância? Porque o inverno continua me trazendo impressões carregadas de boas lembranças, e continua me parecendo intensamente aconchegante e me envolvendo num bem-estar que me faz mais produtiva e conectada a projetos que preenchem os dias de sentido, o anúncio das frentes frias provoca um certo alvoroço por aqui. Logo começam os preparativos para curtir as baixas temperaturas que devem bater à porta, e a casa se movimenta lembrando contos de Grimm ou Andersen, com personagens recolhendo lenha, fogão com brasas, sopa borbulhando, o histórico caderno de receitas revisitado, sacolas de lã e agulhas em prontidão, mantas e cachecóis a postos na cabideiro, bolsa de água quente revisada e, para garantir pés quentinhos, meias grossas recuperadas do fundo da gaveta e uma pantufa-boneca, de flanela (como recomenda as Casas Pernambucanas) que aqueceu meu peito à primeira vista, numa loja lá em Canela.
E para reforçar o clima de lar doce lar de contos de fadas, um pequenino juntou-se à turma da casa no fim de semana, presente da doce sobrinha, sucessora no trabalho com o Sininho e nos encaminhamentos das fantasias infantis.
Fim de semana que começou com reunião de pessoas queridas, ex-colegas amigos, amigos ex-colegas, em volta de panelas fumegantes de feijoada que deram um suador à cozinheira destreinada de abastecer grandes mesas....
Mas que com as parcerias nas tarefas...
Driblou até problemas com o fogão do salão de festas da amiga. E lá foi a panela passear em outra cozinha, para na volta ser ovacionada pela torcida...
E finalmente ouvir-se o tão aguardado chamado: a-t-a-c-a-r!
Temos fome mesmo de quê? Feijão, arroz, couve, farofa e risadas, abraços, calor dos laços bem atados pelo coração, saudade de alguns aplacada, saudade de outros antecipada... (Mas, não adianta bater, saudosismo prematuro, que eu não deixo você entrar...)