O outono mostra sua generosidade no quintal, tanto nas poucas mas carregadas laranjeiras, como nas roseiras, ou melhor, na única que, sabe-se lá por quê, não atrai as danadas formigas cortadeiras. Sem falar nas borboletas, muitas e de diferentes tipos que bailam da manhã à tardinha, sempre me chamando para caçá-las em cliques que exigem paciência e tempo. Mas, como para toda regra, uma exceção, e provando que a vida, por mais rotineira, tem lá suas surpresas que volta e meia nos tiram o fôlego, dias desses uma criaturinha alada mostrou-me a força do imprevisível. Descansando no varal, avistei-a de longe e fui chegando de mansinho para tentar fotografá-la. Pareceu-me tão calma, que arrisquei aproximar a mão, contendo até a respiração para não assustá-la. Logo a bela foi-se chegando, chegando, e como milagre, escalou minha mão e ali repousou, confiante, enquanto meu coração disparava de alegria e a vontade era dúbia: silenciar profundamente para sacramentar o encontro e, ao mesmo temo, gritar para mostrar o feito a todos. Não foi preciso. Passada a euforia do primeiro instante, senti que poderia me movimentar e levá-la para passear por dentro de casa para exibir o troféu.
Minha mãe alardeou: Isto é sorte! Sim, sim, respondi convicta. Tirei a sorte grande!
Guardei essa certeza da experiência tão rica em significados numa gavetinha especial da memória. Quando menos se espera, o que sempre desejamos muito cai nas nossas mãos. Talvez como prêmio, talvez recompensa, talvez a tão marqueteada lei da atração, ou simplesmente, como diria o poetinha Quintana, que já deve estar cansado de tanto ver seu recado circulando pelos caminhos virtuais, mas que nesse momento, sorry, impossível não lembrar: "O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você".
Guardei essa certeza da experiência tão rica em significados numa gavetinha especial da memória. Quando menos se espera, o que sempre desejamos muito cai nas nossas mãos. Talvez como prêmio, talvez recompensa, talvez a tão marqueteada lei da atração, ou simplesmente, como diria o poetinha Quintana, que já deve estar cansado de tanto ver seu recado circulando pelos caminhos virtuais, mas que nesse momento, sorry, impossível não lembrar: "O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você".
E de um degrau da maturidade que se conquista dia a dia, muitas vezes a duras penas, reconheço que a indigesta impossibilidade de correr compensou-me com uma boa capacidade de contemplar. Tenho olhar "comprido", especialmente com a natureza, e com a graça dos céus, mente e coração que se alimentam dessas visões de beleza feito borboleta com seus néctares.
Que os milagres do cotidiano nos toquem e retoquem com leveza nossos espaços densos. Amém (em coro com a algazarra das maritacas no alto do pinheiro do jardim).











Anelise
Talvez também encontre nelas a porta de saída para essa realidade paralela que nos ampara para viver com mais atenção. Como disse tão bem a 





