Depois da festa da afiação de unhas que Bibi, nosso eterno bebê felino, fez no pufe da sala, como mostrei aqui, ele ganhou capa de uma lonita que me traz lembranças boas dos colchões antigos, recheados de palha, encontrados em casas do interior. O malandrinho até que perdeu o hábito, mas volta e meia, tem recaída e deixa suas marcas. Mas, vamos ser justos: os outros "meninos" da casa também têm participação nos estragos do segundo forro, acostumados a descansar os pés calçados ignorando minha cara torcida. E o pufe customizado voltou a ficar feinho. Tão sujinho, que nem uma boa lavada resolveu, sem falar que o pano encolheu e ficou parecendo calça curta de criança que cresce de uma hora para outra. Resolvi então juntar o útil ao agradável, reaproveitando a capa que já estava pronta com a estampa que gosto tanto. Fiz uma barra com reaproveitamento de retalhos de calças jeans e estava resolvido o problema do comprimento.
No paraíso do meu inverno fake, só olhando pela janela os dias incandescentes lá fora nesse março de calor histórico, crochetei "no olho" uma sobrecapa, apenas obedecendo a harmonia de cores com as do listrado.
Apesar da base quadrada, trabalhei em voltas circulares, apaixonada que sou pelos redondos, e deixei para resolver a equação círculo-quadrado no final. A elasticidade da lã e dos pontos altos me salvou. Foi só dar uma puxadinha aqui e ali enquanto costurava para que o círculo ganhasse cantos e se transformasse num quadrado arredondado. E as bordas onduladas deram um movimento ao cubo tão estático que gostei, parecendo uma toalhinha esticada (ah, os guardanapos de crochê engomados e bem esticados da mãe e tias que me impressionavam deixaram semente, quem diria...) contornada dos sempre graciosos pomponzinhos.
Tão bom dar vida nova ao que nos rodeia. Melhor ainda assim, de pontinho em pontinho que parecem se posicionar para brincar de roda. Que a gente não esqueça dessas "cantigas" manuais que nos convidam a recauchutar tudo aquilo que gostamos de ter em nossos dias. Amém.