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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Garopaba, com gostinho de quero mais

Garopaba (SC) é amor antigo, é saudade perene dos muitos verões com curtição sem igual nos acampamentos na beirinha da praia. Um formato de férias que se incompatibilizou com as condições físicas, mas que deixou um álbum de mil páginas no coração com recordações daquelas que fazem a vida valer dobrado.

Hoje, Garopaba amanheceu assim, mais linda do que nunca, com céu aberto e mar de ver os pés com água na cintura, depois de vários dias de muita chuva que castigou o Estado e turvou suas águas. E com essa promessa de um dia pleno de sol para lavar a alma e o corpo, nos despedimos desse querido paraíso quase fazendo beicinho, mas também agradecidos pelos quatro dias especiais que conseguimos roubar da agenda, em cima da hora, para uma fuga estratégica do calor e da mesmice.
Além das incontáveis belezas naturais, a cidade é reduto de outros agrados para os olhos. Para olhares crafteiros, então, o ideal é passar umas semaninhas percorrendo as dezenas de lojas, lojinhas, ateliês, bancas, feirinhas que reúnem um artesanato genuíno e também inovador. Com a chuva persistente, meu programa preferido em "Garopa" é mais justificado do que nunca e acabo levando na "garupa" a turma que procura distração enquanto o mar e o tempo estão fechados. Conforme vamos percorrendo parte do circuito das artesanias, vou lembrando de muitos de vocês que, com certeza, adorariam engrossar a fila dos passeadores. Na parada em um megabrique, quase ouvi as exclamações e os gritinhos de algumas garimpadoras de carteirinha (rs). Vai aí um aperitivo:No imenso pavilhão, nem em um mês inteirinho conseguiria-se ver tudo que mora ali. Fiquei tão impactada com o acervo de antiguidades e outras coisas e coisinhas com potencial pra isso e aquilo, que pouco fotografei. Por isso, algumas dessas imagens são do sobrinho Bruno, que se encarregou de registrar, entre outras, a cena "aérea", enquanto o filho se engraçava por um maçarico sueco que acabou vindo na mochila.
Já este clic é meu e adoraria que o objeto de desejo também o fosse. Com um equipamento desses, faria piquenique toda semana, talvez até com lenço na cabeça, para fazer jus à sua época (rs). Vintage de berço, o escolhido para as meninas daí que amam o estilo suspirarem profundo. No segundo piso (sim, o "massacre" é dobrado!...rs), Bruno encontrou estas relíquias e me avisou: "Tanana, tem muuuita coisa legal lá em cima!". Preferi evitar a escada e ver pelos seus olhinhos. Enquanto isso, me derretia em frente às tantas cristaleiras abarrotadas de delicadezas, como estas porcelanas florais que parecem roubadas de uma casa de fadas, não acham?
Amanhã o passeio continua com outros achados. A quarta-feira foi longa, a quilometragem também e tá na hora de dormir. Espero vocês para seguirmos garimpando pela bela Garopaba, combinado? Que tenhamos bons sonhos (quem sabe embalados pelo mar). Amém!

sábado, 23 de outubro de 2010

Imersão no Natal

Passando o final de semana em Gramado, na serra gaúcha, impossível não mergulhar no clima natalino que já transpira nas ruas que aos poucos ganham a decoração conhecida de sul a norte para o Natal mais badalado do país...
e nas lojas superpovoadas de criaturas e enfeites de todos os gêneros, cores, tamanhos... uma overdose de estímulos que assim como me leva ao êxtase nos primeiros momentos, também me causa um certo estresse visual, e acabo não escolhendo nada.
Mas a pulguinha do Natal está definitivamente colocada na minha camisola (rs) depois desse aquecimento. Prova disso foi o impulso de sair correndo a uma banca para comprar a última edição da revista Make, todinha dedicada aos preparativos para a festa mais bonita do ano e que tanto me (co)move.
Confirmando que a compulsão craft não escolhe momento para atacar, aqui estou eu, sem tintas, tecidos, nem linhas, "convulsionando" de ideias (rs) para por em ação. Vou driblando a "crise" com o que tenho à mão, mandalando...
E enquanto o sono não vem, sonho com o passeio de amanhã:
a Aldeia do Papai Noel, onde na primeira espiada ontem, capturei a imagem (foto) de uma ajudante do dono desse território, e me apaixonei. Mostro em detalhes no próximo post, com direito a renas de verdade e neve de mentirinha (viu Aécius?). Um domingo encantado a todos! Amém!

sábado, 10 de julho de 2010

O que as princesas comem?

sobre as refeições das princesas as pessoas dizem muitas bobagens. Que uma princesa se alimenta exclusivamente de maçãs, que almoça compota de rosa, que pode se contentar apenas com o olhar de um príncipe apaixonado na hora do jantar.
Na verdade, as princesas comem como todo mundo.
Única diferença: tudo o que comem primeiro é
examinado cuidadosamente
e testado por um degustador
porque nos palácios há sempre brigas, e as disputas entre princesas se resolvem na base do veneno. Por isso elas muitas vezes comem comida fria.
Com a devida permissão de quem entende do assunto, como os autores do livro que vem guiando os posts sobre o episódio palaciano no Restaurante Bouquet Garni, em Gramado, na visita da amiga Laély ao RS, nos entregamos às luxúrias da mesa, nem um pouco comedidas. Se princesas comem de tudo, e nem sempre o menu é leve, na nossa noite de conto de fadas não precisamos nem nos deter muito ao cardápio. A escolha estava predefinida por indicação do filho, chef que fez a função do degustador e garantiu que não corríamos riscos, nem de alguma decepção, se a pedida fosse uma pierrade (variação do fondue, com bifinhos de filé grelhados na pedra aquecida por rechaud pelos próprios comensais). Princesas são curiosas, principalmente quando se trata de desvendar alquimias gastronômicas. Conclusão para justificar nossa entrega quase de olhos fechados à experiência de provar cada um dos molhos, salgados, picantes, agridoces, doces, sem nenhum receio de nos envenenarmos pela mistura dos tantos sabores, marcantes. Impossível não querer eleger o melhor e deflagrar o conflito: como escolher só um, ou só dois, ou só três? Resta um consenso: são todos com muita personalidade, confirmando que também na cozinha, como em outros universos, cada ingrediente tem seu valor. Alguns se casam com harmonia, outros brilham solitários, e saber combiná-los não é só questão de técnica, mas de ousadia, bom senso e sensibilidade de quem prepara e de quem degusta.
Voltemos ao livro: Princesas amam sorvete!
Sorvete leve à base de água,
polpa e frutos proibidos.
É a sobremesa preferida das princesas,
tanto que elas o tomam
até mesmo antes das refeições.
As receitas são deliciosas e variadas:
Sorvete de verão ou sorvete de inverno,
sorvete de bagas, sorvete de flores.
Sorvete de cardamomo,
muito cheiroso, e sorvete das bailarinas,
famoso por sua leveza.
Sorvete da noite, sorvete de uma noite,
Sorvete negro, sorvete marfim.

As companheiras ponderaram duas vezes e se renderam: vamos aos prazeres da sobremesa! Pensaram mais algumas vezes com o delicado cardápio (que reproduz em aquarela a fachada do restaurante à beira do Lago Joaquina Bier) em mãos para decidirem compartilhar o sorvete de uma noite.Enquanto elas atacavam, eu julgava que passar pela tentação doce era coisa de princesa vacinada, por momentos, do pecado da gula, mas mal sabia o que o pedido de um simples cafezinho iria me apresentar.

Um luxo para arregalar os olhos de qualquer princesa, e de súditos também! Para acompanhar o café, tuile, lembrando uma luminária, chocolatinho com a logotipia do Bouquet Garni e... pétalas de rosas caramelizadas. Sim, uma receita digna de constar em qualquer livro que se proponha a desvendar os mistérios "princesísticos", mas que pensando melhor talvez precise mesmo ser resguardada a sete chaves para não roubar-lhe o encanto. Dividimos irmamente a iguaria e saboreamos como um ritual sagrado, igual à criança pequena que se delicia com as novidades do mundo e assim vai (des)cobrindo os sentidos. Sentidos acordados pela beleza de tantos detalhes, do primeiro ao último movimento do serviço...

projetada em cada ângulo do "palácio de cristal"... com seu teto de vidro exibindo a araucária iluminada ... e seus ambientes mesclando também madeira e pedra, numa atmosfera provençal de sonhos.

A noite memorável se encaminhava às 24 badaladas quando as três princesas, alimentadas de muito do que faz a alma brilhar, se despediram do capítulo que por anos recorreremos para reavivar a convicção de que a vida reserva lindas surpresas, mais prováveis quando damos uma "mãozinha" ao destino e um "pezinho" uns aos outros para alcançar estados de graça. E em estado de graça, a tempo da carruagem não virar abóbora e congelarmos na volta a Canela, o registro para o post e a posteridade do nosso jantar estrelado, lembrando a todas as "meninas" a sentença da Princesa Efêmera da China:


Uma vez princesa, sempre princesa!

(Ainda que em certos dias as bruxas nos cerquem para nos convencer de que somos da sua turma, e façam mil convites venenosos para trocarmos o palácio iluminado pelo porão sombrio, nós temos a força da beleza vivida, antídoto para a amargura, elixir para recuperar tempos perdidos e sonhos adormecidos. Amém!)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Uma noite de princesas (efêmeras?)

Princesa Efêmera da China
Faz parte de uma dinastia em que se é princesa somente por um dia.
Princesa muito bonita, graciosa como uma libélula, leve como o ar.
A vida de Efêmera dura apenas algumas horas:
de manhã ela acorda em seu casulo, depois cresce bem depressa até voar com as próprias asas. Podemos observá-la no jardim, aspirando o perfume das flores, usando vestidos magníficos. Ela rodopia sob o sol brilhante, ouvindo os gracejos dos príncipes que lhe fazem a corte, vestidos de pesadas armaduras.
Então anoitece, seu reinado se acaba e, com um bater de asas, ela desaparece na noite iluminada de vaga-lumes.
Incorporando a história do deslumbrante livro "Princesas Esquecidas ou Desconhecidas", de Philippe Lechermeier e Rebecca Dautremer, Editora Salamandra, vamos dar seguimento a ela estendendo pela noite a vida da personagem na pele de três princesas de carne, osso e mente fértil de imaginação. Assim nos sentimos, Laély, Jane e eu, no jantar de despedida da serra, em junho, como a amiga visitante mostra no seu post de hoje. Quer entrar no nosso conto de fadas? Vista sua alma de encantamento, vá até lá, na sala da princesa lá, veja os primeiros capítulos, e volte aqui amanhã, para os desdobramentos, combinado? Bons deslumbramentos!

domingo, 20 de junho de 2010

Na Aldeia, o dia começa assim....

Café da manhã da Aldeia dos Sonhos
Com as iguarias produzidas na cozinha da pousada para o café da manhã que recepciona os hóspedes com um desfile de bolos, tortas, pães, frutas, um jeito doce e delicioso preparado e servido pelos proprietários, que acorda o apetite e convida a estender a refeição sem pressa, mesmo que lá fora o Sol lembre que a serra nos espera para desbravá-la.
Café da manhã da Aldeia dos Sonhos
Estamos em miniférias, e se me falta o hábito no dia-a-dia de sentar numa mesa sortida para começar a jornada com uma rotina saudável, brinco de ser pessoa comprometida com a alimentação regrada e cumpro o ritual do início ao fim. Um sacrifício (rsrs) que dá partida com as frutas porcionadas, os cereais, iogurtes, sucos, passa para o café com leite reabastecido mais de uma vez, e segue com os pães (destaque para os cachorrinhos-quentes de uma massa tenra e verdadeiramente quentinhos), sem esquecer em nenhum momento de reservar um bom espaço para o grande final: os bolos de laranja, coco, mamão*, banana, a cuca cremosa e a estrela do bufê: a cheesecake de amora.
Café da manhã da Aldeia dos Sonhos
Enquanto nos entregamos a essa orgia de sabores, vamos tentando identificar os ingredientes e modo de fazer das receitas, até que... bingo!: ao menos uma delas, a cuca cremosa, é velha conhecida e frequentadora assídua do meu forno, conto entusiasmada à Laély, já propagandeando o jeito vapt-vupt de prepará-la. Sinto-me salva. Quando a saudade desse momento bater à porta do coração, posso recuperá-lo indo pra cozinha juntar farinha, ovos, leite condensado... e enquanto a cuca assa, trazer o cenário da Aldeia e das companhias para a linha imaginária e, depois, curtir o faz-de-conta de voltar no tempo enquanto saboreio a lembrança e o doce caseiro.
Antes disso, aproveito uma manhã em que a visita querida ainda está ao lado para mostrar a ela a confecção da receita, já pensando em repassá-la a vocês. Aprovada por seu paladar de formiguinha, Laély não pensa duas vezes em levar uma porção da cuca preparada a quatro mãos na sua mala de bolinhas. Soube que chegou meio desestruturada, mas mesmo assim foi devidamente degustada por sua turma de meninos.
Cuca cremosa
Vamos à receita?
Ingredientes da farofa: 100g de manteiga sem sal em temperatura ambiente, 1 xícara de açúcar, 1 colher (sopa) de fermento em pó, 3 colheres (sopa) de maisena, 1 ovo, 2 1/2 xícaras de farinha de trigo, 1 colher (sobremesa) de canela em pó
Ingredientes do recheio: 1 lata de leite condensado, 1 lata de creme de leite, 2 latas de leite, 2 gemas peneiradas, 3 colheres (sopa) de maisena
Modo de preparo:
Prepare a farofa juntando todos os ingredientes até formar uma mistura granulada. Reserve.
Para recheio, misture também todos os ingredientes e leve ao fogo mexendo até ficar cremoso.
Unte um refratário e distribua metade da farofa, o recheio e o restante da farofa.
Leve ao forno em temperatura alta por cerca de 30 minutos ou até a farofa ganhar um dourado leve.
Variações: acrescente frutas fatiadas (banana, maçã, morango) entre a primeira camada de farofa e o creme.
Cuca cremosa
Enquanto os capítulos da estada da Laély no Rio Grande vão sendo repassados aqui, e os dias partilhados começam a ganhar aura de passado, lembro desse conselho e deixo-o registrado como uma bela receita para temperar a vida:
Se sua vida não tem saudades, crie-as. Viver sem este sentimento é o mesmo que cozinhar sem sal (ou açúcar)... O sabor vai embora. (Saul Brandalise). Amém!
*O bolo de mamão continua em laboratório, testado aqui e lá, na Sala da Lá, enquanto buscamos desvendar a alquimia dos ingredientes, que até então só resultou em estranhos pudins. Como teimosia é do nosso feitio, assim que acertarmos a mão repassaremos a receita, seus segredos e estaremos mais em paz (rsrs).

terça-feira, 15 de junho de 2010

Uma aldeia pra sonhar acordado...

Ou um pensionato cinco estrelas para moças? As duas opções retratam com fidelidade os dois capítulos tão bem vividos na Pousada Aldeia dos Sonhos, em Canela. Quando estive lá há alguns anos com o marido, foi arrebatamento à primeira vista. A pousada caiu nas minhas graças como poucas, e quando isso acontece, saiam da frente: marqueteio aos quatro ventos, indico, mostro as fotos, divulgo o site... (o inverso também é bem verdadeiro...rsrs) Estabeleço uma relação tão próxima com o lugar, que de uma certa forma ele passa a ser um pouco meu também, e o sentir-se em casa dá-se feito mágica, orientada por alguns elementos significativos. A paisagem, a atmosfera, mas sobretudo a afinidade com a plástica das dependências, os objetos decorativos, detalhes que pulam aos olhos, tudo isso circula rapidamente pelo canal da empatia e dá a certeza de que quem mora ali, ou gerou aquele espaço, tem aspectos irmãos da minha alma. Naquele maio, ficamos acomodados na Casa Rosa, uma suíte aconchegante, como todos os ambientes da hospedaria...
Com um luxo inesquecível: a banheira de hidromassagem com vista para o cenário de araucárias, flores, passarinhos... Assim que ficou acertada a vinda da Laély ao Sul, e pensamos em alguns dias na serra, não tive dúvida: a Aldeia é a nossa cara! Fiz a propaganda forte com as meninas e ficou definido: é pra lá que vamos, é lá que montaremos nosso QG para o circuito de passeios, é lá que seremos ainda mais felizes. E assim foi, sem tirar e muito a por, como sonhei, como sonhamos... No primeiro cômodo do Chalé Hortênsia o trio se refugiou do friozão das noites com a mordomia da calefação, dos lençóis térmicos (dispensamos a lareira por puro comodismo), filmes, histórias compartilhadas... O clima de pensionato de moças deu o tom da hospedagem e embaladas por ele e pelo cansaço gostoso da maratona dormimos duas noites como adolescentes, sem nenhuma preocupação, num sono só, sonhando com as aventuras que nos aguardavam.

A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança...
(Atenção à coleção de colheres na sala do café banhada pelo sol da manhã)

Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam....

(Os gentis e hospitaleiros Ricardo e João, proprietários da Aldeia, com quem emendamos bons papos que passearam pela arquitetura, culinária, história, animais de estimação, comportamento....)

era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade... (José Antônio Oliveira de Resende)
(Laély em festa com seus novos amigos de quatro patas, matando a saudade dos dois que ficaram no Espírito Santo)

(Corações recortados emoldurando a vista do dia recém-nascido)

(E sob o teto das chaminés, a vida contemplada com gratidão)

(Gratidão pela fartura na mesa)

(Gratidão pela fartura de beleza)

(Gratidão pela fartura de inspiração)

(Gratidão, sobretudo, pela fartura de cumplicidade)

Que tenhamos, cada vez mais, sensibilidade para reconhecer as dádivas e coragem para vivê-las com inteireza. Amém!
Na próxima parada, a releitura da Cuca Cremosa do farto e delicioso café da manhã da Aldeia dos Sonhos preparada aqui. Fiquem com o aperitivo!

Atualizando: Ricardo e João, proprietários da Aldeia dos Sonhos, avisam-me sobre vídeo postado ontem no YouTube sobre a pousada, movimentos sincronizados com o Amém e o Saladala, que hoje também dedica post aos nossos dias hospedadas lá. Então, curtam o astral da Aldeia também por aqui:

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Encontros surreais ou sul-reais?

Enquanto minha visita pousa de volta no seu ninho, e o meu abriga um silencioso vazio, baixo as fotos dos cinco dias compartilhados em território gaúcho, retorno às sensações de cada cena e me apego à consagrada constatação de Oscar Wilde: A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida... Assim como a flor de beleza exótica de uma rua da acolhedora Canela, imitando volume e cores de Salvador Dali, outras tantas imagens recarregam a dose de endorfina, "químico mágico" que leva embora dores, desconfortos, apatias... E "endorfinada" e vitalizada pelos laços de afeto que nos proporcionaram dias tão intensos, "pesco" quatro fotos para a galeria que poderia se chamar Encontros surreais no Sul promovidos pelos caminhos virtuais. Uma palinha dos próximos posts que virão do nosso tour assim que aterrisar na rotina, também das lides blogueiras.
A serra recebeu minha querida amiga Laély, que decolou no Espírito Santo, como turista vip, com termômetros marcando 6 graus, como manda o calendário turístico. Eu, com uma alegria estampada no sorriso de orelha à orelha. Amigos têm essa capacidade, talvez missão: acender a chama da felicidade pelo simples fato de existirem. Lado a lado, quando temos o privilégio de nos mover ao encontro do outro, ou driblando a distância por atalhos, como fizemos por aqui, com palavras e imagens.
Receber amigos na cozinha é sinal de intimidade, mesmo quando ela se cria a partir de uma brincadeira bloguística. Foi assim com a Helena, quando aceitei o convite para participar de uma promoção do seu blog em parceria com a mãe Cecília, e levei o prêmio. Quis as pinceladas surreais do destino que Helena, que mora em Brasília, estivesse na minha cidade por motivos profissionais na mesma semana que Laély. A noite de terça-feira, então, foi curta para as "meninas" aproveitarem ao máximo a realidade do papo emendado em fios longos de interesses comuns.
Horas antes, a dupla de fãs à distância da talentosa Lu Gastal teve o privilégio de conhecê-la no seu novo espaço, em Porto Alegre, na véspera da abertura, e se deslumbrar em primeira mão com as produções belíssimas que recheiam o espaço. No corre-corre dos últimos acertos, Lu ainda reservou tempo e gentileza para nos receber para um papo entusiasmado, "regado" a chá e doces de Pelotas divinos. Deixo uma provinha do que faz os olhos brilharem em cada canto da loja como convite para quem mora na região também se encantar visitando o espaço, e para quem é de longe, namorar pela vitrine virtual. Semana antes, inaugurando os encontros históricos da temporada, a doce Cris, do Artesanato da Cris, me presenteou duas vezes: com o prêmio da promoção que nos apresentou e com sua vinda a São Leopoldo para entregá-lo em mãos, com direito à conversa animada e muita "troca de figurinhas" das arteiras entusiasmadas pelas afinidades.
Obrigada quatro vezes ao universo e às protagonistas dessas obras-primas criadas pela "boa fé" de nossos corações. Que elas se multipliquem. Amém!