segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Grávidas

A figueira menina-moça, esguia e fértil, que não floresce aos nossos olhos e prefere enfeitar-se de frutos, providencia o doce típico dos meus Natais no jardim-quintal. Acelera o passo nas últimas semanas e as frutinhas engordam dia-a-dia. Adivinho o aroma dos figos na calda, perfumados de cravos-da-índia, borbulhando na panela grande e "incensando" a casa... E o Natal começa a acender seu encanto em um canto preservado em mim com todo cuidado, embalado em papel de seda e fita mimosa. A árvore promove o milagre, acorda essa alegria como nenhuma campanha publicitária ou megadecoração dos shopping centers é capaz. E assim como o pinheirinho aí ao lado, entro em contagem regressiva, prometendo-me distância do que me afasta do sentido dessa espera, trabalhando feito formiga contente, às vezes formiga cansada, outras vezes cigarra, para não perder a trilha sonora que embala essa sempre esperada gestação. Amém!Recadinho encontrado em um pinheiro do Natal Luz, em Gramado, no ano passado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Família reunida na floresta

(Clicando na foto pode-se ver as criaturinhas com mais detalhes)
Nascidos para acompanhar 2010 no calendário dedicado ao povo pequeno e a todos aqueles que botam fé na energia da terra, a família de gnomos se apresenta ao respeitável público do Amém! A matriarca, doceira por vocação, preparou uma cheesecake de morangos.
O inquieto agricultor carregou a sacola com os cogumelos mais vistosos que encontrou.
O sonhador quis mostrar seu livro mais precioso.
A menina crafter preparou corações em fio para exibir suas habilidades.
Lá em cima, a guardiã dos passarinhos ganhou também a companhia da borboleta.
E o casal, um de cada lado, abençoa a turma com sua contribuição, o casal de gêmeos, para levar adiante os dons e propósitos dos elementais da floresta.
Nas próximas semanas, depois de uma sessão de muitas fotos, estarão no calendário para o próximo ano. E o respeitável público do Amém será o primeiro a conhecer a publicação. Aguardem notícias!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Na cozinha da comadre, na despensa dos gnomos

No quintal da comadre, o menino crescido esquece a idade, recolhe todas as frutinhas que cabem na bolsa improvisada na camiseta e entra na cozinha orgulhoso exibindo a colheita em todos os tons do vermelho ao púrpura.
A comadre, aniversariante do dia, não pensa duas vezes: ferve as pitangas em água com açúcar, batiza com aceto balsâmico, passa na peneira e leva a polpa de volta ao fogo para dar uma apurada. Tá pronto mais um molho para o cordeiro que assa no forno à lenha, logo ali ao lado, sob os cuidados do afilhado chef e do marido auxiliar e o olhar curioso da plateia.
Nascidos em alguma terra de gigantes, os cogumelos extra size trazem o público para volta do fogão. O cozinheiro dá a dica: proteína das boas, para preparar, doure-os em azeite de oliva e manteiga, dos dois lados, salpique sal e pimenta-do-reino e termine de cozinhar no forno (nesse caso, junto com o cordeiro, no iglu com brasas).
No quintal daqui, o gnomo papai também movimenta-se para abastecer a despensa e garantir o sustento da família*.
Minicogumelos, pitangas, laranjinhas e uma flor cor-de-rosa, para fazer um agrado à esposa. *A família de sete gnomos ilustrará o Calendário de 2010. Amanhã, conheça a turma completa!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A colheita farta da vó Anita


Aos seis anos, vó Anita plantou sua jabuticabeira no quintal. E o tempo encarregou-se de fortalecê-las. A menina crescida encontrou seu príncipe, casou com ele e com a casa dos pais. Frutificou em filhos e netos, privilegiados pela companhia da mãe e vó sábia e de seu paraíso verdejante em pleno centro da cidade. Semana passada, completou 90 anos!, sob o olhar orgulhoso de seus amores, entre eles, a jabuticabeira. Dizem que para presenteá-la, a árvore antecipou-se à data, enfeitou o tronco frondoso de suas flores que mais parecem plumas, e depois cobriu-o de frutos negros e suculentos como nunca antes visto. Presente divino, como as anciãs tão bem sabem preparar.
Outras delicadezas floresceram para celebrar a alegria da data, como o chá-surpresa que reuniu familiares e amigos em ciranda para cantar o Parabéns. Teve lembrancinhas doces, porque meninas de todas as idades adoram essas fofurinhas, e vó Anita, como crafter de mão cheia, não poderia passar sem elas.


Há dois anos, tive a oportunidade inesquecível de conhecer a "floresta" da vó emprestada, lá em Santa Cruz, e suas companheiras de quatro patas: Belinha e Mila. Poderia ter feito um ensaio fotográfico se as condições de fotógrafa fossem melhores. O pátio, pequeno em extensão, abriga dezenas de espécies de plantas, novidades e flores há muito não-vistas pelos recantos e canteiros. Voltei com o porta-malas transformado em um viveiro de mudas, arbustos já crescidos e até uma pequena árvore. Generosidade da mãe e da filha, guardiãs de espaço sagrado e curativo, que hoje colorem meu quintal e garantem a lembrança diária das amigas.

E como as frutinhas não caem mesmo longe do pé, a filha Lourdes, minha grande amiga de coração gigante, que me empresta até a mãe para chamar de vó, segue escrevendo a história do quintal, a trajetória das Hübler, mulheres fortes que têm a natureza como subsistência primeira da alma. Muito antes do mundo acordar para as questões ecológicas, a professora Lourdes desafiava os conceitos vigentes e ia à luta para defender a árvore da rua, o ninho do poste, as pilhas de papel da escola descartados no lixo... Dona de um imenso amor incondicional a tudo que pulsa, respira, vive, uma reverência constante à natureza, uma afetividade materna latente à Terra. Abençoada genética (espiritual?) que vai levando em frente as melhores qualidades ancestrais.
Lá, tudo cresce rápido, feito massa de pão em dia quente, e se multiplica, e vai tomando conta da calçada, e casa com a vizinha, e gera outra cor, e nasce entre pedrinhas... e dá um trabalhão, mas quem diz que as jardineiras pensam em reduzir o "jardim botânico"!
Talvez para guardar o que os ciclos levam, a jardineira, que também escreve com a mesma desenvoltura com que lida na terra, tem nova paixão: a fotografia. E não é que brincando com seus cliques pela cidade e na zona rural, a que se diz aprendiz já foi premiada! A foto, do Templo Maçônico (à direita no postal), levou o primeiro lugar em concurso do seu município. Os bastidores, soube por telefone: para captar o melhor ângulo, com a acácia emoldurando o prédio, a fotógrafa deixou de lado a inibição e ajoelhou-se na calçada, ao pé do Templo, cedo da manhã, enquanto em frente os trabalhadores esperavam o ônibus na parada.
Porque imagens guardam, sim, segredos, e quem tem sensibilidade para garimpá-las é capaz de nos surpreender sempre, a festa da vó Anita driblou duplamente o calendário e desembargou aqui hoje, via sedex. Que segredos aquela caixa inesperada poderia resguardar? Assim que abri, fui tele-transportada no tempo: para trás, com as cenas da festa de 90 anos que não pude participar, e para frente, com os presentes de Natal! produzidos pela dupla. Quase ouvi o ho-ho-ho do velhinho barbudo rindo do meu estado eufórico.

Não estava lá, mas tenho a bonita homenagem publicada no jornal e o coração de biscoito...



Tenho também mimosices preciosas produzidas pelas mãos ágeis e pacienciosas da vó Anita e sua discípula, que começam a produção natalina no meio do ano, e a cada ano inventam uma moda nova. Confesso que espero o presente das "meninas" prendadas com expectativa. Como poderia ser diferente se me enchem de mimos há muuuitos Natais? Dessa vez, guardanapo aplicado, pano de prato com barrinha floral, mini-oratório, íma de joaninha, embalados com uma customização digna dos melhores designers.

Mais dedicação viajou pelo caminho florido do afeto...
Uma agenda dos próximos três meses, totalmente preenchida por um roteiro para guiar os passos por todos os anos que virão. Um mapa, conduzido pelas palavras colhidas de grandes mestres, recortadas ao longo da jornada, coladas em papel reciclado. Um "viva à vida" contagiante...

Que vem lá de Santa Cruz, pela voz de quem reza quando o Sol nasce de uma maneira só sua: distribuindo grãos aos pássaros em forma de cruz (santa) na calçada do jardim, enquanto agradece e pede proteção a todos. (Quem não chega a tempo do café da manhã, pode servir-se depois no restaurante.)

Sim, querida, os anjos disseram e continuarão dizendo amém aos milagres que o teu bom coração, movido à boa vontade, promove por onde passas. Obrigada, sempre, por partilhá-los e por me acolher no ninho farto da vó Anita.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Wandschoner, protetor das paredes e da história

Em Ivoti (RS), Cidade das Flores, uma antiga e bela tradição vem sendo resgatada pelo projeto Tecendo Memórias. Pude conferir de perto os wandschoner no fim de semana, quando a cidade recebeu visitantes para a Feira das Flores, junto ao núcleo de casas enxaimel. Foram três dias de um colorido intenso ressaltado pelo Sol forte do verão antecipado. Flores, arbustos, temperos, em abundância pelos canteiros dos diferentes jardins, paisagismo caprichado, propostas inovadoras despertaram nas visitas uma vontade urgente de botar a mão na terra, semear, cuidar, florir quintais, recantos, cantinhos... Além de toda essa beleza proporcionada pelo trabalho dos floristas e paisagistas, a mostra de artesanato também encantou o público. A mim, especialmente o trabalho das bordadeiras, senhoras do Grupo de Terceira Idade Amizade que estão há anos se dedicando a recuperar o espaço nobre dos panos protetores de paredes, num processo de resgate das memórias histórico-afetivas da comunidade teuto-brasileira. Os wandschoner, do dialeto Hunsrück, é um artesanato típico da Alemanha que foi trazido para o Brasil pelas famílias imigrantes alemãs. Confeccionados em tecido de algodão, têm no centro uma mensagem bordada (provérbio popular, citação bíblica...), escrita em língua alemã. Em torno da mensagem geralmente são bordados ramos de flores. Nas paredes, refletem e transmitem valores e normas das famílias. Durante a Segunda Guerra Mundial, a língua alemã foi proibida no nosso país, e assim a arte de bordar wandschoner acabou abandonada pelas mulheres.
Graças ao empenho do Projeto, coordenado pelo Instituto Superior de Educação Ivoti, desde 2004 a atividade foi retomada. As bordadeiras experientes encarregam-se de passar adiante a técnica e a alma dos panos. Em oficinas, já capacitaram mais de 3o mulheres a dar continuidade à arte delicada das imagens e palavras coloridas de história. E dessa forma, além de contribuírem para renascimento de uma tradição singela e carregada de significados, também semeiam uma nova alternativa econômica para essas novas artesãs, de diferentes idades, e para o município. Uma iniciativa movida a entusiasmo que se reflete no primeiro momento de conversa com as omas. Com a maior paciência, leram e traduziram várias frases dos panos expostos, enquanto minha vontade crescia de sentar na roda para ensaiar uns pontinhos nessa história tão bem bordada.

A Vivianne, do De(coeur)ação, também mostrou o uso abusadamente lindo de panos de parede, estes bem brasileiros, nas imagens do fotógrafo João Urban.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

No Correio, bem faceiras

Matéria sobre nossa vida de mandaleiras na edição de terça-feira do Correio do Povo, conceituado jornal de Porto Alegre, fez a alegria da turma. Conheçam um pouco da história do grupo clicando na página.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Bebês no jardim

Revelando-se ao mundo, os primeiros membros da família que mora na caixa cor-de-laranja saíram hoje para conhecer o jardim no colo da mamãe orgulhosa.
Os gêmeos, porque gnomas sempre têm filhinhos em dupla (sabia Ana Sinhana?), comportaram-se tão bem, que ganharam a promessa de passeios diários. Eram só sorrisos...
É que a morada provisória está ficando apertada para a turma que cresce cheia de expectativas. Aguardam com paciência a hora de ganharem a liberdade e mais, a fama, já que serão os garotos e garotas-propaganda do próximo ano. Explico: em assembléia secreta dos elementais, o povo pequeno foi escolhido para ilustrar o Calendário de 2010, sucedendo as fadas, que reinam este ano com sua delicadeza etérea.
Mas o que não sabíamos é que a tarde reservaria uma linda surpresa para os bebês na sua primeira voltinha pelo pátio. Ou será que foram eles os agentes desse milagre ainda não percebido pelos humanos da casa? A casinha da laranjeira sinalizava novidades com um movimento estranho. Logo ouvi-se sons estranhos também. E no terceiro momento, desvendou-se o mistério com um casal de corruíras entrando em cena. Lá dentro, gêmeos-passarinho têm fome e reclamam!

A mamãe sabe, porque as mamães quase sempre sabem decifrar o choro dos seus filhotes, e corre com o lanche no bico. E tudo se acalma...

Ouve-se somente o canto do papai, que não demora a partir em busca de mais comida.

Antes de nos recolhermos, reconheço a gratidão revigorada. Num instante, uma breve oração: Obrigada pela tarde cheia de graças! Amém.

No próximo capítulo, close do papai gnomo, que não canta para seus gêmeos, mas também abastece a despensa da casa. E, se o roteiro do universo assim quiser, notícias da família corruíra.

domingo, 25 de outubro de 2009

Prata da casa, promoção no ar

A empresa Andreas Stihl, que tem sua filial no Brasil aqui em São Leopoldo, RS, desde 1973, lançou recentemente seu blog, um deleite aos olhos para contagiar mesmo quem ainda engatinha no terreno da jardinagem: o Jardim das Ideias.
Com textos belíssimos do reconhecido paisagista Raul Cânovas, o blog está com uma promoção bacana que premiará o autor da foto do jardim mais criativo e bem-cuidado com um kit recheado de acessórios mais o livro Jardim para Sempre, do paisagista. Então, fica o convite: entra lá no blog, lê o regulamento e inspire-se na primavera abundante de cores e formas para clicar seus espaços floridos e concorrer ao prêmio útil e charmoso. Meu cantinho já está lá, marcando presença, e eu aqui, trançando os dedos para chamar a sorte.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Debutando...

... na máquina de costura, quase de brinquedo, perfeitamente de acordo com a total inexperiência com a ferramenta. Manual lido e relido perdi a conta das vezes (Ana Sinhana e Mara Porto, não imaginam o quanto pensei em vocês, mestras nesse ofício, tentando passar a linha naquele vaivém), desafio dos grandes para quem desde criança tem um certo pânico da "criatura". Aos meus olhos de menina, a velocidade da agulha e o pano passando por ela no mesmo ritmo acelerado não deixavam dúvida: nunca seria capaz de dominar e domar a companheira da habilidosa tia costureira e da mãe também craque em confeccionar roupas de cama. Na adolescência, o atrevimento da idade até me levou a algumas empreitadas sentada na frente da máquina antiga, cheia de ideias para "modelitos" customizados. Frustração em todas elas. A linha embolava embaixo, arrebentava, terminava antes de terminar o percurso... Desisti. E para quem já circulou por tantas técnicas, passando pelas toalhas grandes de crochê do enxoval, a todos os blusões tricotados para a família numa época em que comprar peças de lã industrializadas eram um luxo nem cogitado... E para quem pinta e borda (mais ou menos), a inabilidade com a costura é uma tristezinha daquelas que volta e meia dá as caras, mais ainda quando o projeto emperra na busca por uma costureira que entenda a proposta (e quase sempre elas não entendem). Então veio a decisão de dar mais uma chance a essa relação. Por enquanto, a tão sonhada autonomia para ziguezaguear em ideias costuradas alimenta a persistência. E como o modelo é mini, para uma minicostureira, e anda em minipassos, tenho fé que dessa vez, com expectativas menores e paciência crescida com a maturidade, vamos criar um vínculo sadio. Da minha parte, estou caída de amores por ela desde que saiu da caixa, como presente atrasado do Dia das Crianças.

De passinho em passinho, a parceria vai se firmando, agilizando o nascimento das criaturinhas que provisoriamente moram nesta caixa.

E como um suspense sempre tempera melhor as histórias, fica para o próximo o post o "retrato" dessa família que tem me feito muita boa companhia...

Debutando também em venda online, na lojinha da Quitanda.

Será uma alegria recebê-los por lá.

E debutando em selinhos. Obrigada, Fabiano, do Blog do Luar Encantado

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Benção, madrinha!

A segunda-feira nasceu alegre, com luz de dia especial, porque às vezes os olhos acordam com um jeito diferente de olhar, e vêem mais, e fazem uma ponte de via rápida ao coração, e um se entrega ao outro. E assim, em comunhão, o que não se explica perde a importância, e o que vale é somente a grata sensação de estarmos no lugar certo, no momento certo, certos de que conquistamos uma fórmula meio alquímica de tocar e sermos tocados. Para compreender de onde vem a inspiração, o mapa da conspiração das fadas: http://saladala.blogspot.com/. Que Deus te abençoe, Laély. Amém

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O doce banho dos noivos

Já meio destreinada das habilidades de cake designer, atividade desenvolvida no segundo turno por alguns anos, desengavetei corantes e essências, desenferrujei as mãos na pasta americana e matei a saudade de dar forma a personagens e cenários nessa estrutura delicada e frágil de açúcar.
A história dos personagens que motivaram o "remember" conquistou a exceção aberta para a confeitaria de portas fechadas: esperam e trabalham há anos por esse dia, como passarinhos incansáveis montando ninho... e o dia finalmente chega amanhã.
Késsia e Fabrício, depois dessa maratona para montar a vida a dois, merecem uma vida doce. E, depois do sim, cumprimentos, festa, e antes de se entregarem ao amor, merecem também um banho assim, compartilhado numa banheira-ilha só sua, para começarem a viver o sonho realizado e a ensaiarem novos sonhos. Sejam felizes! Amém.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pratos de parede à la carte

Das últimas fornadas, pratos de diferentes estilos e para gostos variados, todos para colorir as paredes com ares de casa de vó.





Peças únicas, pintadas à mão, em vários tamanhos (disponíveis)