Enquanto por aqui os gnomos se distraem no jardim com um conto das amigas fadas...
Lá, na Sala da Lá, a amiga generosa termina de ler Julie & Julia e destina o livro à sorte. Quer fazer uma fezinha? Então clica aqui , participa e cruza os dedos.
Enquanto por aqui os gnomos se distraem no jardim com um conto das amigas fadas...
Lá, na Sala da Lá, a amiga generosa termina de ler Julie & Julia e destina o livro à sorte. Quer fazer uma fezinha? Então clica aqui , participa e cruza os dedos.
A figueira menina-moça, esguia e fértil, que não floresce aos nossos olhos e prefere enfeitar-se de frutos, providencia o doce típico dos meus Natais no jardim-quintal. Acelera o passo nas últimas semanas e as frutinhas engordam dia-a-dia. Adivinho o aroma dos figos na calda, perfumados de cravos-da-índia, borbulhando na panela grande e "incensando" a casa... E o Natal começa a acender seu encanto em um canto preservado em mim com todo cuidado, embalado em papel de seda e fita mimosa. A árvore promove o milagre, acorda essa alegria como nenhuma campanha publicitária ou megadecoração dos shopping centers é capaz. E assim como o pinheirinho aí ao lado, entro em contagem regressiva, prometendo-me distância do que me afasta do sentido dessa espera, trabalhando feito formiga contente, às vezes formiga cansada, outras vezes cigarra, para não perder a trilha sonora que embala essa sempre esperada gestação. Amém!
Recadinho encontrado em um pinheiro do Natal Luz, em Gramado, no ano passado.
No quintal da comadre, o menino crescido esquece a idade, recolhe todas as frutinhas que cabem na bolsa improvisada na camiseta e entra na cozinha orgulhoso exibindo a colheita em todos os tons do vermelho ao púrpura.
Nascidos em alguma terra de gigantes, os cogumelos extra size trazem o público para volta do fogão. O cozinheiro dá a dica: proteína das boas, para preparar, doure-os em azeite de oliva e manteiga, dos dois lados, salpique sal e pimenta-do-reino e termine de cozinhar no forno (nesse caso, junto com o cordeiro, no iglu com brasas).
No quintal daqui, o gnomo papai também movimenta-se para abastecer a despensa e garantir o sustento da família*.
Minicogumelos, pitangas, laranjinhas e uma flor cor-de-rosa, para fazer um agrado à esposa.
*A família de sete gnomos ilustrará o Calendário de 2010. Amanhã, conheça a turma completa!
Outras delicadezas floresceram para celebrar a alegria da data, como o chá-surpresa que reuniu familiares e amigos em ciranda para cantar o Parabéns. Teve lembrancinhas doces, porque meninas de todas as idades adoram essas fofurinhas, e vó Anita, como crafter de mão cheia, não poderia passar sem elas.
E como as frutinhas não caem mesmo longe do pé, a filha Lourdes, minha grande amiga de coração gigante, que me empresta até a mãe para chamar de vó, segue escrevendo a história do quintal, a trajetória das Hübler, mulheres fortes que têm a natureza como subsistência primeira da alma. Muito antes do mundo acordar para as questões ecológicas, a professora Lourdes desafiava os conceitos vigentes e ia à luta para defender a árvore da rua, o ninho do poste, as pilhas de papel da escola descartados no lixo... Dona de um imenso amor incondicional a tudo que pulsa, respira, vive, uma reverência constante à natureza, uma afetividade materna latente à Terra. Abençoada genética (espiritual?) que vai levando em frente as melhores qualidades ancestrais.
Lá, tudo cresce rápido, feito massa de pão em dia quente, e se multiplica, e vai tomando conta da calçada, e casa com a vizinha, e gera outra cor, e nasce entre pedrinhas... e dá um trabalhão, mas quem diz que as jardineiras pensam em reduzir o "jardim botânico"!
Talvez para guardar o que os ciclos levam, a jardineira, que também escreve com a mesma desenvoltura com que lida na terra, tem nova paixão: a fotografia. E não é que brincando com seus cliques pela cidade e na zona rural, a que se diz aprendiz já foi premiada! A foto, do Templo Maçônico (à direita no postal), levou o primeiro lugar em concurso do seu município. Os bastidores, soube por telefone: para captar o melhor ângulo, com a acácia emoldurando o prédio, a fotógrafa deixou de lado a inibição e ajoelhou-se na calçada, ao pé do Templo, cedo da manhã, enquanto em frente os trabalhadores esperavam o ônibus na parada.
Porque imagens guardam, sim, segredos, e quem tem sensibilidade para garimpá-las é capaz de nos surpreender sempre, a festa da vó Anita driblou duplamente o calendário e desembargou aqui hoje, via sedex. Que segredos aquela caixa inesperada poderia resguardar? Assim que abri, fui tele-transportada no tempo: para trás, com as cenas da festa de 90 anos que não pude participar, e para frente, com os presentes de Natal! produzidos pela dupla. Quase ouvi o ho-ho-ho do velhinho barbudo rindo do meu estado eufórico.

Mais dedicação viajou pelo caminho florido do afeto...
Uma agenda dos próximos três meses, totalmente preenchida por um roteiro para guiar os passos por todos os anos que virão. Um mapa, conduzido pelas palavras colhidas de grandes mestres, recortadas ao longo da jornada, coladas em papel reciclado. Um "viva à vida" contagiante...
Que vem lá de Santa Cruz, pela voz de quem reza quando o Sol nasce de uma maneira só sua: distribuindo grãos aos pássaros em forma de cruz (santa) na calçada do jardim, enquanto agradece e pede proteção a todos. (Quem não chega a tempo do café da manhã, pode servir-se depois no restaurante.)
Sim, querida, os anjos disseram e continuarão dizendo amém aos milagres que o teu bom coração, movido à boa vontade, promove por onde passas. Obrigada, sempre, por partilhá-los e por me acolher no ninho farto da vó Anita.
Em Ivoti (RS), Cidade das Flores, uma antiga e bela tradição vem sendo resgatada pelo projeto Tecendo Memórias. Pude conferir de perto os wandschoner no fim de semana, quando a cidade recebeu visitantes para a Feira das Flores, junto ao núcleo de casas enxaimel. Foram três dias de um colorido intenso ressaltado pelo Sol forte do verão antecipado. Flores, arbustos, temperos, em abundância pelos canteiros dos diferentes jardins, paisagismo caprichado, propostas inovadoras despertaram nas visitas uma vontade urgente de botar a mão na terra, semear, cuidar, florir quintais, recantos, cantinhos...
Além de toda essa beleza proporcionada pelo trabalho dos floristas e paisagistas, a mostra de artesanato também encantou o público. A mim, especialmente o trabalho das bordadeiras, senhoras do Grupo de Terceira Idade Amizade que estão há anos se dedicando a recuperar o espaço nobre dos panos protetores de paredes, num processo de resgate das memórias histórico-afetivas da comunidade teuto-brasileira. Os wandschoner, do dialeto Hunsrück, é um artesanato típico da Alemanha que foi trazido para o Brasil pelas famílias imigrantes alemãs. Confeccionados em tecido de algodão, têm no centro uma mensagem bordada (provérbio popular, citação bíblica...), escrita em língua alemã. Em torno da mensagem geralmente são bordados ramos de flores. Nas paredes, refletem e transmitem valores e normas das famílias. Durante a Segunda Guerra Mundial, a língua alemã foi proibida no nosso país, e assim a arte de bordar wandschoner acabou abandonada pelas mulheres.
Graças ao empenho do Projeto, coordenado pelo Instituto Superior de Educação Ivoti, desde 2004 a atividade foi retomada. As bordadeiras experientes encarregam-se de passar adiante a técnica e a alma dos panos. Em oficinas, já capacitaram mais de 3o mulheres a dar continuidade à arte delicada das imagens e palavras coloridas de história. E dessa forma, além de contribuírem para renascimento de uma tradição singela e carregada de significados, também semeiam uma nova alternativa econômica para essas novas artesãs, de diferentes idades, e para o município. Uma iniciativa movida a entusiasmo que se reflete no primeiro momento de conversa com as omas. Com a maior paciência, leram e traduziram várias frases dos panos expostos, enquanto minha vontade crescia de sentar na roda para ensaiar uns pontinhos nessa história tão bem bordada.
Os gêmeos, porque gnomas sempre têm filhinhos em dupla (sabia Ana Sinhana?), comportaram-se tão bem, que ganharam a promessa de passeios diários. Eram só sorrisos...
É que a morada provisória está ficando apertada para a turma que cresce cheia de expectativas. Aguardam com paciência a hora de ganharem a liberdade e mais, a fama, já que serão os garotos e garotas-propaganda do próximo ano. Explico: em assembléia secreta dos elementais, o povo pequeno foi escolhido para ilustrar o Calendário de 2010, sucedendo as fadas, que reinam este ano com sua delicadeza etérea.
Mas o que não sabíamos é que a tarde reservaria uma linda surpresa para os bebês na sua primeira voltinha pelo pátio. Ou será que foram eles os agentes desse milagre ainda não percebido pelos humanos da casa? A casinha da laranjeira sinalizava novidades com um movimento estranho. Logo ouvi-se sons estranhos também. E no terceiro momento, desvendou-se o mistério com um casal de corruíras entrando em cena. Lá dentro, gêmeos-passarinho têm fome e reclamam!
A mamãe sabe, porque as mamães quase sempre sabem decifrar o choro dos seus filhotes, e corre com o lanche no bico. E tudo se acalma...
Ouve-se somente o canto do papai, que não demora a partir em busca de mais comida.
Antes de nos recolhermos, reconheço a gratidão revigorada. Num instante, uma breve oração: Obrigada pela tarde cheia de graças! Amém.
De passinho em passinho, a parceria vai se firmando, agilizando o nascimento das criaturinhas que provisoriamente moram nesta caixa.
E como um suspense sempre tempera melhor as histórias, fica para o próximo o post o "retrato" dessa família que tem me feito muita boa companhia...
Debutando também em venda online, na lojinha da Quitanda.
Será uma alegria recebê-los por lá.
E debutando em selinhos. Obrigada, Fabiano, do Blog do Luar Encantado
A segunda-feira nasceu alegre, com luz de dia especial, porque às vezes os olhos acordam com um jeito diferente de olhar, e vêem mais, e fazem uma ponte de via rápida ao coração, e um se entrega ao outro. E assim, em comunhão, o que não se explica perde a importância, e o que vale é somente a grata sensação de estarmos no lugar certo, no momento certo, certos de que conquistamos uma fórmula meio alquímica de tocar e sermos tocados. Para compreender de onde vem a inspiração, o mapa da conspiração das fadas: http://saladala.blogspot.com/. Que Deus te abençoe, Laély. Amém
Já meio destreinada das habilidades de cake designer, atividade desenvolvida no segundo turno por alguns anos, desengavetei corantes e essências, desenferrujei as mãos na pasta americana e matei a saudade de dar forma a personagens e cenários nessa estrutura delicada e frágil de açúcar.
A história dos personagens que motivaram o "remember" conquistou a exceção aberta para a confeitaria de portas fechadas: esperam e trabalham há anos por esse dia, como passarinhos incansáveis montando ninho... e o dia finalmente chega amanhã.
Késsia e Fabrício, depois dessa maratona para montar a vida a dois, merecem uma vida doce. E, depois do sim, cumprimentos, festa, e antes de se entregarem ao amor, merecem também um banho assim, compartilhado numa banheira-ilha só sua, para começarem a viver o sonho realizado e a ensaiarem novos sonhos. Sejam felizes! Amém.