sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Minha janela feliz e o graveto roubado


Nas última semanas, as marias-sem-vergonha perderam de vez toda e qualquer inibição e com suas cores vibrantes são o centro das atenções de quem chega aqui. Já à distância, o pessoal é fisgado por sua exuberância e sobe a escada em exclamações, buscando os melhores adjetivos para expressar o maravilhamento com o maciço vermelho-rosa-lilás que emoldura a base da janela. Junto delas, muitos penduricalhos que foram se enturmando na grade feiosa, infelizmente necessária, na tentativa de camuflá-la. As bandeirinhas budistas, confesso que escolhidas mais pelo olho na graça da sua expressão do que pela questão espiritual, ainda assim cumprem seu papel de me lembrar do poder do invisível. "As bandeiras de oração são para os seres como uma medicina suave, um apelo silencioso à maravilha que temos dentro de nós desde sempre e para sempre", esclarece este site dedicado ao tema. E como budismo e natureza andam de mãos dadas, reina uma harmonia bonita nesse espaço compartilhado. Gosto dessas "construções" que vão se criando espontaneamente, sem muitos critérios, e que estão em constante movimento. Obras inacabadas, talvez assim defina melhor a impressão também das casas que me agradam. E a janela principal da minha é assim, o retrato do seu interior (e do meu também). Volta e meia chega uma coisinha nova para mudar o cenário, e mesmo com resistência taurina ao desapego, sai uma outra para dar o lugar. E dessa vez saiu um irmão gêmeo desgastado pelo tempo para entrar outro mais robusto e novinho em cor.

A madeira foi surrupiada do cesto com gravetos para a lareira no nosso último passeio.  Amor instantâneo pelo azul desbotado, super vintage, separei logo do monte e coloquei rapidinho na sacola, na esperança do delito passar desapercebido do marido. Que nada, atrás de mim um par de olhos reprovadores, incrédulos, me observava. Bem mais incrédula fiquei eu com sua reação à minha ação de recolhedora de "lixo" tão conhecida, repetida mil vezes ao longo da vida partilhada. Mas dei a mão à palmatória com sua observação: Tá minado de cupins!! - Sim, mas... ainda assim, vou levar e dar um jeito. Ô teimosia histórica! - li no seu silêncio. Mal sabia ele que o melhor da novela do tal graveto estava por vir, e se pensou já ter visto o máximo das ideias hilárias que acabo por colocar em prática, imaginem o tamanho da sua surpresa quando, dias depois, encontrou o pedaço de madeira, belo e faceiro, dentro do freezer, bem juntinho das fôrmas de gelo!



A "técnica" de descupinização, que ouvi do irmão, acabo de ver numa rápida pesquisa que é mesmo recomendada para peças pequenas. Se quiser saber mais sobre os indesejados bichinhos, clique aqui. Se funcionou, só o tempo dirá, mas como está na rua, vale o risco. Na base do graveto, pendurei vidros (de palmito, garrafinha de azeite de oliva e potinho de remédio) pintados com verniz vitral. O pulo do gato para a cor ficar uniforme é pintar por dentro. Inicialmente, a tinta parecerá escorrida, mas logo que seca o resultado surpreende. 


E é com esse cartão-postal de primavera prematura que dou as boas-vindas à vida que se renova, mesmo que em  pequenas escalas, e aos que dela  participam, ao vivo e online. Amém.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Os 8.1 da Lili



Há dois domingos, tivemos um dia muito, muito especial. Minha mãe assoprou (com força de leonina) suas  81 velinhas, 80 delas guardadas desde o ano passado, quando sua saúde debilitada impossibilitou a comemoração de inauguração de mais uma década. Para uma apaixonada por flores, foi fácil escolher e modelar a personagem do bolo. 

Na cozinha comandada pelo neto mais velho, não faltaram ajudantes movidos à boa-vontade.

O cardápio, sob encomenda da aniversariante feijoeira, aqueceu o clima do almoço.
E na sobremesa, parecendo doce de fada, mini cups das meninas da Sagu com Creme fizeram a mágica de levar todos à infância.

Para os convidados queridos, cravinas e corações para lembrarem desse momento tão esperado.

E entre os presentes, teve quem arregaçou as mangas para mimar a homenageada do jeito que ela mais gosta: pela boca.

Pão morninho preparado por seu irmão amoroso, bem embalado, provocou gritinhos. E a torta de cebola insuperável da amiga Susi fez a alegria da casa toda. 
Que a exemplo da perfeição da natureza...
a beleza da vida, em todas as fases, nos guie pelos caminhos do saber cuidar e ser cuidado. Esse é o maior ensinamento, o melhor presente desses tempos  em que aprendo a ser mãe de uma menina de 81 aninhos. Amém.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Um jardim de crochê

Muitos pontinhos, poucas palavras.

Rosa, amarelo, turquesa, um pouquinho de lilás, verde em dois tons...

Primeiro fiz as flores, depois agrupei-as uma coladinha na outra e contornei com folhas.
E a almofada fez minha sala mais feliz.
Que as boas novidades, mesmo as singelas, repercutam em alegria para todos nós. Amém.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A força das delicadezas


Tive o privilégio esta semana de participar de uma roda de mulheres, uma ciranda movida a troca de vivências onde rolou muita energia boa e relatos de experiências transformadoras. Nesses encontros a dinâmica do que se desenrola naturalmente, como uma dança sincronizada, sempre me encanta. Ouvimos o que precisamos ouvir naquele momento porque falamos sem ensaios o que manda o coração e, assim, acabamos nos tocando mutuamente e, invariavelmente, nos fortalecendo.
Do tanto que me tocou, e que continua repercutindo em reflexões e abençoados insigths, uma pequena história gostaria de compartilhar com vocês. Veio da anfitriã, uma das pessoas mais gentis e inteiras que conheço, e que só agora sei da matriz de tanta delicadeza. Contou ela que quando criança estava acostumada a uma rotina familiar agitada, seus pais trabalhavam bastante e a vida era levada sem tempo para além do essencial. Numa tarde, aquela menina  de  9 anos foi à casa de uma coleguinha para fazerem um trabalho de escola. A coleguinha estava sozinha e depois do dever, ofereceu um pedaço de pão à amiga. Nisso chegou a mãe, uma senhora sempre atenciosa, e reprendeu a filha pelo lanche tão mal servido à visita. Foi à cozinha e logo apareceu com uma bandeja coberta com guardanapo bordado, duas xícaras de porcelana com chá e fatias de bolo. A menina visitante "alcançou o nirvana" com aquela imagem. Saboreou muito, muito mais do que o lanche em si. Saboreou o ritual de tamanha delicadeza com todos os seus sentidos, com tanta intensidade, que mal sabia ela que mesmo depois de mais de 50 anos poderia narrar seu encantamento com todos os detalhes, o mesmo brilho no olhar e sorriso iluminado. Para finalizar aquela tarde verdadeiramente inesquecível, na saída a querida mãe da colega acompanhou-a ao portão e colheu algumas flores, enrolou em papel de seda e ofereceu à Marli. Foi o fechamento perfeito, o êxtase completo.
Ainda "incorporada" da menina que foi, a mulher madura, hoje psicóloga, profunda conhecedora da alma humana, aproveita a oportunidade para nos lembrar o que volta e meia esquecemos:
"Aquele gesto foi fundamental na construção da pessoa que sou e procuro ser. É a prova de que pequenas manifestações de gentileza e delicadeza podem gerar repercussões imensuráveis".
E quando me despedi da sábia amiga e lhe alcancei o mini-buquê de amores-perfeitos, tive a confirmação da linda lição. Sorrindo surpresa, avisou às outras convidadas:

"Isso é Dona Edna entre nós!".
Que a gente não perca de vista o sutil transformador, especialmente com nossas crianças. Amém.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Latonas no jardim

Às vezes o filho lembra dessa mãe sucateira e traz algumas preciosidades do descarte do Vero, sabendo que ouvirá um "que lindo!" logo que mostrar o que poderia se perder no lixo. Assim as  duas latas grandonas de azeite de oliva foram recebidas com olhos brilhando por elas e um sorriso de orelha a orelha para o presenteador, como os mães costumam sorrir derretidas com os agrados de seus rebentos.
Plantei cravinas, flor delicada e cheirosa, dentro delas e escolhi um lugar ensolarado para as gêmeas, junto do baldão arrematado em uma sucata, onde bocas-de-leão começam a florescer.
Pertinho dali, a turminha do povo pequeno acompanha as tentativas  de revitalizar o jardim. Sabem onde eles moram?

Em outra latona, essa usada na horizontal para abrigar a floresta de suculentas e seus guardiãs.
O design do paisagismo caseiro é referendado por nada mais, nada menos, que os irmãos Campana. Jamais esquecerei meu entusiasmo com a declaração de um deles, em um episódio do programa Casas Brasileiras, do GNT: "Adorava as plantas de minha vó em latas de óleo e comer nos pratinhos de lata de goiabada que ela mesmo fazia". Não é uma pérola? 
Que na nossa memória também se guarde a grandeza da simplicidade. Amém.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Quadradinhos de geleia


Friozão + vontade de acender o forno e comer uma coisinha boa = resgate dessas doçurinhas diferentes, meio bolo, meio biscoito. Lembrei delas ao ver o pote de geleia de figo, produzida com a fruta do pomar dos agricultores de numa das tendinhas que tanto gosto de visitar na beira da Br 116, em Morro Reuter. Intocado na geladeira, há semanas, merecia um destino digno. 
A receita é dos tempos em que produzia o material de culinária para o Jornal VS, aqui da região, onde trabalhei por mais de 20 anos como editora do caderno infantil, o Sininho. Lembro dessa história para os que são novos por aqui. OAssim e Assado era um desafio semanal que envolvia pesquisar, testar, fotografar e editar as páginas. Reunia numa só tacada habilidades que sempre me entusiasmaram: cozinhar, escrever, criar.

Foi nesse clima com uma pitada de saudosismo que arregacei as mangas (só um pouquinho pra não congelar...rs) para lembrar daqueles deliciosos movimentos "editoriais" na minha cozinha e agora brincar de "jornalar" com vocês. 
Quadradinhos de geleia
Ingredientes: 
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de açúcar
1/2 colher (chá) de fermento em pó
1/2 colher (chá) de sal
1/2 colher (chá) de canela em pó
125g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 ovo
1/4 de xícara de leite
1 xícara de geleia
açúcar de confeiteiro para polvilhar

Modo de fazer:
Numa tigela, peneire os ingredientes secos.
Acrescente a manteiga aos pedacinhos até que a mistura adquira uma consistência granulada. Adicione o ovo e o leite e misture bem.
Espalhe a metade da massa numa assadeira retangular pequena (20 x 30 cm), untada e enfarinhada. Cubra com a geleia e deixe a massa restante cair às colheradas sobre a geleia.
Asse em forno quente por aproximadamente 30 minutos.
Corte em quadradinhos e polvilhe açúcar de confeiteiro.

Tomara que provem e aprovem! Amém.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Vamos fugir, baby, pra este lugar?

Tenho um pé na adolescência, reconheço, e à distância percebo seus sinais, a quem muitas vezes agradeço por salvar minha saúde emocional. Como fui uma adolescente comportada, sei que não corro grandes riscos (rs) e que essas matrizes são a porta para oxigenar a vida. Dar tchau à rotina é uma delas, quase sempre na ponta da língua como um refrão. Quando as responsabilidades da vida madura, às vezes dura, fecham o cerco das possibilidades, mesmo com uma alma caseira, um sinalzinho aberto para pegar a estrada ganha ainda mais tempero. Dessa vez a conspiração do universo a favor do nosso sonhado descanso foi mesmo de mestre.
E então a segunda-feira começou assim, de pezinhos pro alto, num "outro lugar ao sol, outro lugar ao sul, céu azul, céu azul", em pleno veranico de julho.
Nesse refúgio, meu corpo, coração e espírito vibram em outro refrão de Gil, e "o melhor lugar do mundo"  é verdadeiramente "aqui e agora". Assim foi desde o momento em que pisei pela primeira vez no território de paz dessa pousada visitada antes pelos caminhos virtuais. Estava certa: o lugar ao vivo tem a mesma atmosfera de aconchego que me conquistou enquanto explorava o site. Voltei lá um tempo depois, na companhia de Laély e Jane, duas amigas queridas. Junto às suas almas também adolescentes, formamos um trio perfeito para curtir aqueles dias super divertidos no que batizamos de "pensionato das moças". O capítulo, de 2010, mas bem guardado na memória, eu conto em detalhes aqui.
Entardecendo...
ou nos primeiros banhos de sol da natureza, por diferentes ângulos... 
e em cada novo detalhe que os olhos maravilhados descobrem a todo instante... 


"Todo dia de manhã
Flores que a gente regue"



Sim, querido baiano, aqui nessa Aldeia "sou feliz por um triz, por um triz sou feliz".
Tem como não ser feliz sendo recepcionada com tanta delicadeza,

 beleza, bom gosto... 
e gostos bons?

Deixo o mapa do paraíso: em Canela, na serra gaúcha, sob o olhar  sensível e gentil de João e Ricardo, hoje nossos amigos.

De lambuja, à noite a cidade reserva imagens oníricas, na sua Igreja de Pedra. E na frente dela, renovei a promessa:
"Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá". Amém.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Mandalando" em feltro



Talvez seja o inverno a pedir materiais quentinhos o culpado pela vontade de reproduzir a geometria sagrada além das mandalas em vidro. E assim começaram a nascer pingentes misturando a simetria das formas com as cores opacas, lindas, do feltro e pontinhos de linha.

Nesta primeira, para a amiga Susi, também mandaleira, miçangas fizeram o acabamento da borda. Mas como toda novidade, descobrir outras fórmulas é o melhor da brincadeira.

Então entraram em cena botões, perolinhas...
e crochê.

Tons de algodão-doce voaram pra longe para pousar no peito de outra amiga de coração colorido.
São tantas as possibilidades, que não resisti a experimentar pontuar as intersecções com pedrinhas, pendurá-las como pingente e circular com correntinhas de crochê. E assim outra aniversariante ficou faceira com seu colar exclusivo.


Mas pensando bem, esta historinha começou mesmo em outro junho frio, pelo presente da Helena, que hoje nos faz pensar nos caminhos da criatividade lá no Quilts são Eternos. Vale conferir as questões levantadas por essa mestra das palavras que se mescla tão bem com a crafteira de mão cheia.
O trabalho primoroso da Ana Vergara é uma fonte sem igual de inspiração para as bordadeiras, mesmo as iniciantes como eu, que mal sabem enfileirar pontinhos atrás e alinhavo.
Será que essa moda vai colar nos meus dedos e imaginação? Não importa, que seja bom enquanto dure (rs). Amém.