Fortaleça nossa "fé na vida, fé no homem, fé no que virá..."

E multiplique as (boas) sementes do amanhã.
Tenham um domingo "azul, amarelo e rosa também". Amém!
Fortaleça nossa "fé na vida, fé no homem, fé no que virá..."

E multiplique as (boas) sementes do amanhã.
Tenham um domingo "azul, amarelo e rosa também". Amém!
... pela casa, como álbum de figurinha, cada um no seu lugar, demarcando um tempo que me leva pra trás, para a menina que fui e que, na Páscoa, vem me visitar.




...entrou pela porta agora há pouco para lembrar da minha sorte na vida. As autoras do episódio: Cecília e Helena, do Quilts são Eternos, que promoveram um sorteio fofo no aniversário de um ano do blog e que voou, voou e caiu nas minhas mãos. Desde então, risquei das minhas frases feitas aquela que esteve sempre pronta na ponta da língua afirmando a baixa temperatura dos meus pés. De agora em diante, anuncio em alto e bom som que sou pé quente (rsrs). Só uma sortuda seria escolhida pelo universo para receber esses mimos estampados de carinho. Só uma sortuda ganharia tantos plus-surpresas: um biscornu (quer aprender a fazer? A Cecília ensina aqui), um cesto de maçãs com uma revoada de borboletas e uma notícia que é uma obra-prima do destino: Helena vem a minha cidade a trabalho e já temos um encontro marcado. Não é mesmo hora de virar o disco e sair cantarolando* por aí?
Gosto muito da ideia de passar adiante os saberes que vamos desenvolvendo ao longo do nosso percurso, uma bagagem que ganha mais valor quando arrebanha "seguidores". Então, quando a sobrinha emprestada pediu ajuda para dar forma e sabor a um projeto escolar em parceria com a irmã, ambas professoras, vesti a camiseta da proposta e no segundo momento, o avental e o toque (chapéu de chef que não falta em casa de chef ), para acompanhar Murilo, sobrinho-neto emprestado, que já veio paramentado e empolgado para a tarde de biscoitos.
Escolhemos uma receita de mel*, crocante, sem complicações para preparar, abrir e cortar, para facilitar a posterior produção com os alunos das "meninas" em duas escolas. O pequeno chef encarregou-se de escolher os cortadores, enquanto calculávamos a quantidade para abastecer 30 saquinhos de biscoitos que serão distribuídos a crianças de uma instituição social da cidade.
Depois de algumas horas de trabalho entre coelhinhos de vários tamanhos e o perfume dos condimentos pela casa, receita repassada e testada, acertamos os detalhes da logística e respiramos mais aliviadas: daria tudo, ou quase tudo certo na "biscoitaria" da escola.
Murilo, sempre criativo, incorporou o personagem dentuço da festa para o registro histórico do trio...
... em saquinhos coloridos, recheados das bolachinhas produzidas em mutirão, numa "corrente muito do bem".
... da inquietação da criançada e da nossa falta de tempo crônica, encontra-se um espaço fértil e muitas vezes carente de sementes de criatividade, precisando só de um convite para que a aventura de criar exploda em entusiasmo. Aposto nisso para seguir inventando moda para contagiar os pequenos leitores do Sininho, caderno infantil do Jornal VS que produzo semanalmente. E com a Páscoa chegando, ideias é que não faltam. Procurando utilizar material simples, que se tem em casa, para a gurizada não depender da boa vontade dos pais para comprar (e gastar), o jornalzinho tem sua seção "faça você mesmo" batizada de "Mãos em Ação com o Guto (personagem da turma)". Na edição do último sábado, demos a alargada nos preparativos para a chegada do Coelho com as casquinhas decoradas com papel de seda. Divido com vocês como mais uma proposta daquela Páscoa recheada de encantamentos que tratei no post anterior e que, para alegria minha, foi recebida pelos leitores do Amém com um coro saudosista. Bom, muito bom saber que a tribo das meninas e meninos crescidos que se mantêm com um pé na fantasia reconhece e "briga" pelo valor das boas lembranças da infância.
Para o cogumelo, uma bola de papel amassado do tamanho de um ovo e depois achatado é colado na parte de cima da casquinha. No momento de colar, aperta-se um pouquinho para arredondar o chapéu. Finaliza-se com minúsculas bolinhas de guardanapo de papel e uma tira picotada de papel de seda verde na base.
As crianças costumam fazer muitos trabalhinhos na escola com essas bolinhas, então, recrute seus pequenos para montarem cestas com rosas de muitas cores!
Os cestinhos pendurados num galho seco chegaram na Páscoa passada à parede da sala e não saíram mais de tanto que caíram nas minhas graças. Uma graça com custo praticamente zero: casquinhas pintadas, pedacinhos de fita mimosa e um galhinho do quintal. Pode-se esconder surpresas para os pequenos, enfeitar com flores miúdas e até plantar pequenas folhagens. Eu prefiro os cestinhos assim, vazios, com as cores vintage da anilina, fazendo companhia à coleção de panelinhas e utensílios, preciosidade com quem tenho vontade de brincar de casinha sempre que passo o olho.
Já faz alguns anos que ando atrás da "Feliz Páscoa" que já vivemos, festa que tem minha preferência entre as celebrações do ano, superando até o Natal, e olha que sou natalina. Talvez a preferência aconteça pelo link outono, renascimento, doces, o Coelho com sua identidade oculta, diferente da de Papai Noel, tão explorada e tantas vezes distorcida. Gosto do ritual dos momentos simbólicos da morte e ressurreição, da compra menos frenética de presentes, das brincadeiras antigas com os pequenos, entre outros quesitos encantadores que até abril com certeza aparecerão por aqui. Pois são as crianças que motivaram a reflexão para esse post, porque para elas, venho acompanhando consternada, Páscoa tem um sentido inverso ao que vivenciamos até uns 20 atrás. À garotada de hoje tem-se mostrado uma data vazia de encantamento, e lastimo muito essa perda. É um pedaço rico de fantasia que está sendo comido da sua infância, e a gente quase não se dá por conta e segue a massa, de cabeça feita pela mídia que vende aquilo que, se não nos acostumássemos, escandalizaria. Quando imaginaríamos o Coelho relegado a segundo ou terceiro planos para entrarem em ação os super-heróis da moda?
Onde foi parar a graça da surpresa se são nossos meninos, cada vez mais cedo, que escolhem no encarte das lojas o ovo que ganharão, nem tanto pelo chocolate, mas pelo brinquedo guardado lá dentro e que não tem nenhuma relação com o motivo da festa, poderia me explicar, Homem Morcego? Eles não ouvem mais o barulhinho bom dos bombons que se tentava adivinhar sacudindo o ovo, nem das passadas rápidas do Coelho nas noites de pouco sono dos sábados que antecediam o domingo mágico. Não vêem o vulto do orelhudo correndo pela casa. Muitos não ganham mais ninho, pois seus olhinhos brilham, e não por muito tempo, é pelos "badulaques-surpresa" dos tais ovos. Se o mundo lhes oferece histórias em fantásticas imagens nos telões em 3D, também lhes tira, ou não incentiva, o desenvolvimento da fantasia pura e simples, tão importante para a saúde emocional, para a alegria da alma, da infância à velhice.
Mas sou teimosa, bem mais quando a questão é perda de encantamentos, e ando então às voltas com o resgate das alegrias da Páscoa, incorporando a coelha doceira, papel que me alimenta como poucos. A inspiração para a produção 2010 nasceu na conversa com a amiga Susi, uma suíça biscoiteira de mão cheia. Pincei lá do canto das boas memórias a figura dos coelhos de biscoito de mel que não podiam faltar enfeitando o ninho dos filhos na minha casa de menina. Há anos não os encontro, tanto que tinham caído no esquecimento. Mas foram salvos e ficaram rondando até a ideia ganhar novo formato, mantendo a mesma estrutura: o pão de mel recortado, agora retangular, coberto por uma gravura, originalmente com a figura do coelho, agora com os belíssimos cartões vintage que me tomaram horas de deslumbramento neste endereço aqui do Flickr, com mais de 1.700 imagens. Na busca por uma massa fofinha, resolvi testar a receita da Lu Gastal, mostrada no Superziper no Natal. Aprovada e recomendada: clica aqui que você chega no destino das abelhinhas. Se quiser experimentar a brincadeira, aí vão algumas sugestões.
Para os retângulos, improvise usando lata de sardinha como cortador, ou faça um molde retangular de 15 x 11cm, em cartolina, como usei para recortar os biscoitos maiores.
Gostoso purinho, melhor ainda recheado: derreta 1 barra (17o g) de chocolate amargo e junte meio pote de um bom doce de leite. Misture bem...
espalhe uma camada generosa sobre um biscoito e cubra com outro.
O resultado que deixou a coelha toda faceira, com direito a uma mordida bem dada, para mostrar a textura da massa.
(clica na imagem para ver os detalhes das belas ilustrações)
Fofas, a bolsinha e capa para livro são produções da Cláudia - jornalista, taróloga e crafter - no seu terceiro turno.
Anunciando o outono, o móbile do Fabiano é um manifesto à beleza natural, tudo a ver com esse menino que percorre os caminhos da Biologia.
No destino mais aguardado da nossa viagem, Santa Teresa, na serra do Espírito Santo, a amiga Laély e seus "meninos" nos esperavam assim, com braços abertos. Com o coração acelerado pela expectativa...
pousar no ninho lá no alto da amiga foi um capítulo à parte, escrito e grifado pelos...
gestos amáveis e cuidados especiais, em todos os momentos e por toda parte, como a moringa, os sabonetinhos, as lavandas do jardim e as flores miúdas perfumando o quarto do menino do meio emprestado às hóspedes com sua gentileza cativante
e os quitutes de quem não pensa duas vezes para entrar na cozinha e faz um banquete para o almoço de recepção às gaúchas, com direito à mesa embaixo de árvore, flores, prece de boas-vindas... Disposição que segue no dia seguinte: acorda mais cedo para preparar pretzel (delicioso!) para o brunch de domingo, recheado de outros produtos caseiros, como os pães e o creme de açaí, hum... sabor do norte que conquistou o paladar das turistas do sul.
Como os trabalhadores do seu quintal, movidos a vento, nossa amiga se desdobra, movida a entusiasmo e generosidade, e multiplica o tempo dando conta de seu trabalho, da rotina da sua grande família e de paparicar as "meninas" sob seus cuidados.
No papel de guia, não mede quilômetros, e com as inseparáveis câmeras na bolsa, lá fomos nós conhecer outras belezas capixabas, agora serranas, com seus relevos e verdes parecendo patchwork do Criador, como o Vale do Caravaggio
e o Mosteiro Zen Morro da Vargem
que faz da Natureza o motivo maior da reverência e divide com os visitantes sua sagrada perfeição, simbolizada nesse arbusto exótico, que não poderia estar em outro lugar com sua surpreendente forma de mala (rosário budista).
Encantei-me com tamanha semelhança ...
que mesclaram, por alguns minutos, a absoluta paz com uma dose gratuita de adrenalina: em busca de uma solução para o longo trajeto até os templos, a amiga motorista segue a pé atrás de uma licença para a entrada do carro, já que essa amiga aqui não teria pernas para a distância. E enquanto espero sentada à beira do belo caminho...
lá vem ela, "voando" na carona de uma moto do mosteiro, bela e faceira, e um clic apressado salva, ainda que desfocado, o registro da cena.
Pé na estrada, de volta a Santa Teresa, parada obrigatória em outro almoço para alimentar todos os sentidos. O Café Haus é aconchegante, rico em detalhes fofos, tranquilo e tem um cardápio elaborado e diversificado. Aí vai uma provinha das iscas crafters e gastrônomicas do restaurante:
Toalhas de crochê cobrem as mesas da varanda em arco-íris.
No quadro com moldura em chita, a chef sugere com muito charme.
Rosas, muitas rosas vermelhas carmim, em contraste com cores fortes, faz lembrar Frida Kahlo.
E nas prateleiras, fofuras em crochê e fuxico dão o tom da identidade do lugar.
Depois da difícil tarefa da escolha, o prato que provocou suspiros: salmão, arroz negro e purê de mandioquinha.
Na mesma quadra do Café, duas lojas levam meus tostões (rsrs) e todos os espaços vagos da mala. Biscoitos, em dúzias de diferentes sabores e formas, herança da colonização italiana, são tradição na cidade, e uma perdição para uma biscoiteira de carteirinha.
Alguns dos que chegaram aqui e foram distribuídos como lembrancinha da viagem: bolo ladrão, sequilho de maracujá, biscoitinho de nata, corações amanteigados e tijolinhos de amendoim.
e o hibisco mimetista, tímido, tenta em vão camuflar sua beleza na fachada da simpática casa.
A bagagem levou geleia e bolinhos de uva para os teresenses de coração, mal sabia eu que a região está investindo em vinhedos e produzindo vinho, além de outro exótico: o de jabuticaba. A Cantina Mattiello produz e vende os dois tipos, mas como café é vício primeiro, alguns pacotes do grão cultivado e processado lá encarregaram-se de aromatizar a mala junto com os biscoitos.
Na casa com as paredes cobertas da história da família e região, em fotos e documentos, cada canto rende imagens "de revista", e escolho a janela bucólica...
pra lembrar daquela última manhã ensolarada em Santa Teresa, que rendeu ainda os últimos afagos no Pingo, amor virtual antigo...
amor maior ainda ao vivo (que seu amigo gaúcho Bibi não saiba disso) ...
e rendeu também imagens legendadas assim - Sim, eu estive lá, na Sala da Lá - para dissolver a estranha sensação que volta e meia me rondava anunciando que logo, logo acordaria e estar lá, num espaço real tão conhecido pelo virtual, deveria ser alguma perturbação onírica.
ao pé da janela...
e em outra janela, um quarteto iluminado emoldura a outra sala, a de jantar...
com sua coleção autêntica e harmônica...
retrato de como a vida circula por todos os cômodos do lar dos Fonseca.
Sim, foi uma semana de sonho, e bem acordadas, tivemos a ventura de vivenciar uma sintonia fina e suave e confirmar que...
Amigos que nos acolhem e abraçam junto nossos amigos são presentes que nenhum futuro poderá levar...
Obrigada, Laély, pela amizade e por estendê-la à Jane. Obrigada, Jane, pela amizade e por estendê-la à Laély. Obrigada, Senhor, pelas amigas tão preciosas. Amém!