segunda-feira, 19 de abril de 2010

Receita de se olhar no espelho


Se olhe de frente
de lado
de costas
de cabeça para baixo
pinte o espelho
de azul dourado vermelho
faça caretas ria sorria
feche os olhos abra os olhos
e se veja sempre surpresa
quem é você?

(Roseana Murray)

Espelho de 20cm de diâmetro, pintado à mão, disponível para venda

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cadê a Anna que estava ali?

Ali na barra lateral, anunciando um presente escolhido lá na Itália? Está aqui, no centro das atenções, como personagem principal da minha sexta-feira, sinalizando um roteiro de amizade que começou no início do Amém com uma das primeiras e fiéis seguidoras. Susi, dona do copy&past e de uma delicadeza singular, é visita que não precisa bater na porta. É tão de casa, e suas visitas, sempre tão leves e enriquecedoras pela troca, me fazem tanto bem, que me faz lembrar deste trechinho do Pequeno Príncipe:
Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Amigos, virtuais e reais, têm essa capacidade mágica de nos adiantar a alegria. Os virtuais, que se tornam reais conforme estreitamos laços, mais ainda quando ouvimos sua voz e trocamos abraço, são esperados a cada elaboração de um post, quando adivinhamos como receberão nossas novidades. E se procuramos surpreendê-los com imagens e textos caprichados, muitas vezes são eles que nos presenteiam com gestos que dão o tom rosado desses vínculos. Susi já me presenteou com outra linda surpresa quando ligou da Itália, na véspera da minha ida ao Espírito Santo, para desejar uma boa viagem e dizer o quanto estava torcendo e vibrando com o encontro meu e da Laély. Fiquei enternecida com sua cumplicidade. Hoje, com a conspiração do universo, que providenciou que a Anna, a descolada boneca da Alessi, venha me fazer companhia e traga na mochila um pouco da Susi para minha casa e mais ainda para meus dias.
Tim-tim, Susi! Que um dia esse brinde, com vinho gaúcho acompanhado de risoto de arroz arbóreo de Vigevano, se repita ao vivo, em cores, aqui na minha cozinha, onde a Anna vai morar. Amém!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Por um fio...

... do telefone arrebentado do poste por um caminhão e a ineficiência da Oi para consertá-lo, passei quatro dias numa ilha sem comunicação, nem por voz, nem por texto, restando-me um celular com sinal comprometido e tentativas de sinal de fumaça e telepatia. A abstinência desse mundo paralelo ainda me surpreende e me faz meio apreensiva com o desassossego que a sua falta provoca. Então, para preencher o vazio dessas horas estranhamente livres, capturei e armazenei imagens e títulos, viajei em detalhes que despertam para divagações, talvez compreensões... como as borboletas que visitaram meus olhos muito próximas e também elas em situações atípicas. A preta, malabarista, balançou-se no jovem cipó por mais de hora, e pediu paciência à fotógrafa. Toda vez que esteve prestes a estabilizar-se, abria rapidamente três vezes suas asas, mostrava seus grafismos vermelhos e brancos, o fio voltava a balançar e os registros, a perder o foco. Enquanto respirava curtinho para não assustá-la, examinei cada detalhe da sua anatomia esbelta e forte, mais ainda suas "perninhas", quase um fio de linha de tão finas, capazes de sustentar seu corpo feito para voar com tanta tenacidade. Se quem pode voar longe, entre aromas e cores, vez que outra prefere brincar de balanço, agarrada a um cordão verde frágil, por que não poderia eu também sair do rota dos dias e me deixar embalar por outros pequenos prazeres? Seria este o recadinho da figura alada para essa temporada longe do teclado e da tela? Precisei acreditar que sim...
Acreditei mais ainda que era tempo de retomar o olhar acordado para o extraordinário, que tantas vezes está ao lado, quando outra criatura alada me recepcionou para o café do manhã assim, pendurada de cabeça para baixo. Às vezes é preciso um sacrifício para se ver a vida por outro ângulo - lembra a borboleta da noite (bruxa? clique nela para ver a beleza da estampa das asas) que lembra um arcano do tarô com nome meio assustador: o Enforcado. Essa leitura de possibilidade de visão ampliada que nossos períodos com o "pé amarrado, de ponta a cabeça, na beira de um precipício" nos oferecem ainda é nova para meus pequenos conhecimentos das cartas arquetípicas. Aprendi recentemente com a Cláudia, do Via Tarot, que repassa diariamente sua bagagem grande de conhecimento com a maestria de escritora fluente que é. Para saber muito mais sobre essa ferramenta potente de autoconhecimento, clique aqui e pegue essa via.

E como também aprendi com outros mestres queridos que a premissa básica para se manter "a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo" é crer para ver, dediquei os dias desconectada a uma imersão na geometria sagrada.
E circulei, circulei, circulei... para matar a saudade das mandalas, que nascem assim...
ganham relevo para delimitar seus territórios...
e depois cor, às vezes em sobretons, às vezes em contraste...
tal como os dias, serenos ou vibrantes, com a alegria por um fio ou plugada a muitos fios de fé.
E para dizer o amém, em total sintonia, vejam só quem pegou carona no post há pouquinho, a bordo da borboleta azul!
Tá bom, caroneiro, já entendemos a mensagem (e prometo não esquecer tão rapidinho): louvar é preciso, em tempos de voo, em tempos de pouso.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Obras dos meus gatos

Bibi chegou aqui há mais de um ano como uma "menina" de narizinho cor-de-rosa.
Ganhou o nome em homenagem ao apelido da tia querida, e alguns meses depois, aprontou uma surpresa daquelas revelando sua verdadeira identidade: um "menino" de narizinho cor-de-rosa. O nome ficou, mas os apelidos foram se agregando, dando um tom mais masculino ao nosso bebê manhoso. "Zigão" é solicitado por todos, e agora com o friozinho chegando, começa uma disputa acirrada para ter a sua companhia na cama. No verão, prefere sua cobertura no alto do armário (foto) , ou no quartinho da bagunça, onde oficializou seu berço. E como felino autêntico, e criança sem lá muitos limites, vem deixando suas marcas pela casa, assim como um outro que conheci lá no Espírito Santo e que sua dona mostrou hoje na sua sala. Na obra mais vanguardista do crafter Bibi, produzida a unha, o pufe, usou toda a sua habilidade e destreza e o resultado pós-moderno não poderia ser mais impactante, no meio da sala, ganhando os olhares de todos que põem o pé na casa:

Assim como quando os filhos são pequenos e fechamos os olhos o mais que se pode à bagunça, priorizando o seu desenvolvimento e a nossa saúde mental, resisti com fibra ao mal-estar que o pufe detonado me causava. Até que, há umas semanas atrás, a agonia de ver "aquela coisa" me pegou de cheio e resolvi arriscar na empreitada de forrá-lo, ciente das duplas possibilidades de frustração: ver o trabalho esfarrapado em pouco tempo ou o artista partir para o ataque em outro estofado. Escolhi uma lonita com trama bem fechada e padronagem antiguinha, daquelas com que forravam colchão e cobertas, e pus a Janome a funcionar. Depois de alguns acertos, e apesar de não ter conseguido uma capa bem justa, o pufe de roupa nova trouxe um grande alívio para o meu olhar.
Com olhos atentos e propósito (não muito firme) de educar Bibi a afiar suas garrinhas nos troncos do quintal, não é que parece que o menino travesso perdeu o encanto pela "pufemania"? Até esboça o instinto, mas com jeito de quem não reconhece mais o brinquedo, não vai muito adiante. Vamos ver até quando vai esse bom comportamento...


Obra do outro gato da casa, o filho chef, a torta de chocolate, em três camadas - brownie, mousse e ganache - me fez suspirar e lamber a colher, mesmo não morrendo de amores por cacau e derivados. Fechamento à altura do domingo de Páscoa, mais ainda saboreado e partilhado assim, desmontando pouco a pouco o mesmo miolo .

Meu personal designer gráfico, no alto dos seus 8 anos, dedicou parte da sua agendada tarde da semana comigo a produzir uma edição de imagens das mandalas, com direito a efeitos aquarelados e trilha sonora. O que sua tia levaria uns bons dias falando sozinha para aprender, para meu gatinho criativo e esperto foi barbada, e eu adorei! Logo estará aqui, assim que Bruno me orientar sobre a URL para a postagem.
Que os meninos continuem arteiros, e que suas artes preencham nossos dias de belas novidades. Amém!

sábado, 3 de abril de 2010

Que a Páscoa...

Fortaleça nossa "fé na vida, fé no homem, fé no que virá..."


E multiplique as (boas) sementes do amanhã.

Tenham um domingo "azul, amarelo e rosa também". Amém!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Coelhada solta...

... pela casa, como álbum de figurinha, cada um no seu lugar, demarcando um tempo que me leva pra trás, para a menina que fui e que, na Páscoa, vem me visitar.





















































































Para que ela volte sempre, dedico a quaresma ao nosso encontro, olhando pra dentro e enfeitando o cenário. Que essa graça nunca se perca... Amém!

terça-feira, 30 de março de 2010

Um combo de alegriazinhas...

...entrou pela porta agora há pouco para lembrar da minha sorte na vida. As autoras do episódio: Cecília e Helena, do Quilts são Eternos, que promoveram um sorteio fofo no aniversário de um ano do blog e que voou, voou e caiu nas minhas mãos. Desde então, risquei das minhas frases feitas aquela que esteve sempre pronta na ponta da língua afirmando a baixa temperatura dos meus pés. De agora em diante, anuncio em alto e bom som que sou pé quente (rsrs). Só uma sortuda seria escolhida pelo universo para receber esses mimos estampados de carinho. Só uma sortuda ganharia tantos plus-surpresas: um biscornu (quer aprender a fazer? A Cecília ensina aqui), um cesto de maçãs com uma revoada de borboletas e uma notícia que é uma obra-prima do destino: Helena vem a minha cidade a trabalho e já temos um encontro marcado. Não é mesmo hora de virar o disco e sair cantarolando* por aí?
Duplo obrigada a essa dupla talentosa de mãe e filha, modelo e inspiração para a arte de fazer da vida um patchwork de beleza, harmonia, capricho, elegância, costurados pelos resistentes fios do afeto.

*Cantalorando aqui, em suave nostalgia com tons de outono, Sá Marina, ressuscitada pela Andrea Guim, e eleita a trilha sonora da semana.

domingo, 28 de março de 2010

Biscoitos multiplicados

Gosto muito da ideia de passar adiante os saberes que vamos desenvolvendo ao longo do nosso percurso, uma bagagem que ganha mais valor quando arrebanha "seguidores". Então, quando a sobrinha emprestada pediu ajuda para dar forma e sabor a um projeto escolar em parceria com a irmã, ambas professoras, vesti a camiseta da proposta e no segundo momento, o avental e o toque (chapéu de chef que não falta em casa de chef ), para acompanhar Murilo, sobrinho-neto emprestado, que já veio paramentado e empolgado para a tarde de biscoitos.
Escolhemos uma receita de mel*, crocante, sem complicações para preparar, abrir e cortar, para facilitar a posterior produção com os alunos das "meninas" em duas escolas. O pequeno chef encarregou-se de escolher os cortadores, enquanto calculávamos a quantidade para abastecer 30 saquinhos de biscoitos que serão distribuídos a crianças de uma instituição social da cidade.
Depois de algumas horas de trabalho entre coelhinhos de vários tamanhos e o perfume dos condimentos pela casa, receita repassada e testada, acertamos os detalhes da logística e respiramos mais aliviadas: daria tudo, ou quase tudo certo na "biscoitaria" da escola.
Murilo, sempre criativo, incorporou o personagem dentuço da festa para o registro histórico do trio...
e, dias antes, driblou o tempo de espera pela pizza desenhando com palito e agilidade no papel-toalha do restaurante, sob meu olhar enfeitiçado pelas figuras que nos fizeram companhia no jantar. Na quarta-feira, a gurizada comanda pela sua mãe também pôs a mão na massa e fermento na solidariedade exercitando a doação de tempo e trabalho para levar alegria a outras crianças...
... em saquinhos coloridos, recheados das bolachinhas produzidas em mutirão, numa "corrente muito do bem".
O projeto segue em outros capítulos, mas assinei termo de sigilo (rsrs) para não por farinha nos momentos-surpresa tão bem planejados pela dupla de profes dedicadas e comprometidas com o desenvolvimento integral dos seus pupilos, orgulho grande dessa tia coruja.
Biscoitos de mel*
Ingredientes:
500g de farinha de trigo
1 1/4 xícara de açúcar
1/2 xícara de água
250g de manteiga
3 colheres (sopa) de mel
2 colheres (chá) de canela em pó
2 colheres (chá) de gengibre em pó
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 colher (sopa) de conhaque ou água
2 colheres (sopa) de casca de laranja ralada
Modo de preparo:
Em uma panela, misture o açúcar, a água, o mel e os condimentos. Deixe cozinhar por 5 minutos mexendo de vez em quando. Retire a panela do fogo, adicione a manteiga e deixe derreter. Dissolva o bicarbonato no conhaque ou água e junte à calda.
Depois da calda fria, acrescente a farinha aos poucos até formar uma massa homogênea. Deixe a massa descansar por 1 hora no mínimo na geladeira dentro de saco plástico.
Abra amassa com rolo e corte os biscoitos com cortadores ou a boca de um copo.
Coloque em assadeiras e leve para assar até que dourem levemente.
Deixe esfriar para decorar com glacê preparado com 2 claras, 500g de açúcar de confeiteiro e 2 colheres (sopa) de suco de limão batidos por 10 minutos na batedeira. Para colorir, use anilina comestível.
Corrigindo (porque postar de madrugada é uma porta aberta a erros... rsrs): a quantidade de farinha é de 700g, podendo ser necessário acrescentar um pouco mais, mas lembre-se que a massa fica mais firme depois de descansar na geladeira.)

terça-feira, 23 de março de 2010

Tirando uma casquinha...

... da inquietação da criançada e da nossa falta de tempo crônica, encontra-se um espaço fértil e muitas vezes carente de sementes de criatividade, precisando só de um convite para que a aventura de criar exploda em entusiasmo. Aposto nisso para seguir inventando moda para contagiar os pequenos leitores do Sininho, caderno infantil do Jornal VS que produzo semanalmente. E com a Páscoa chegando, ideias é que não faltam. Procurando utilizar material simples, que se tem em casa, para a gurizada não depender da boa vontade dos pais para comprar (e gastar), o jornalzinho tem sua seção "faça você mesmo" batizada de "Mãos em Ação com o Guto (personagem da turma)". Na edição do último sábado, demos a alargada nos preparativos para a chegada do Coelho com as casquinhas decoradas com papel de seda. Divido com vocês como mais uma proposta daquela Páscoa recheada de encantamentos que tratei no post anterior e que, para alegria minha, foi recebida pelos leitores do Amém com um coro saudosista. Bom, muito bom saber que a tribo das meninas e meninos crescidos que se mantêm com um pé na fantasia reconhece e "briga" pelo valor das boas lembranças da infância.
A brincadeira é tão fácil, que dá pra pensar numa produção maior para presentear as pessoas queridas "como antigamente". Basta amassar o papel.
Para o cogumelo, uma bola de papel amassado do tamanho de um ovo e depois achatado é colado na parte de cima da casquinha. No momento de colar, aperta-se um pouquinho para arredondar o chapéu. Finaliza-se com minúsculas bolinhas de guardanapo de papel e uma tira picotada de papel de seda verde na base.

Para a cestinha, bolinhas de papel de seda enroladas na mão vão se juntando coladas em cima da casquinha como delicadas rosinhas. Folhinhas com as pontas torcidas e uma alça de papel de seda ou guardanapo também torcida completa a "mimosice".
As crianças costumam fazer muitos trabalhinhos na escola com essas bolinhas, então, recrute seus pequenos para montarem cestas com rosas de muitas cores!

Já aqui em casa...

Os cestinhos pendurados num galho seco chegaram na Páscoa passada à parede da sala e não saíram mais de tanto que caíram nas minhas graças. Uma graça com custo praticamente zero: casquinhas pintadas, pedacinhos de fita mimosa e um galhinho do quintal. Pode-se esconder surpresas para os pequenos, enfeitar com flores miúdas e até plantar pequenas folhagens. Eu prefiro os cestinhos assim, vazios, com as cores vintage da anilina, fazendo companhia à coleção de panelinhas e utensílios, preciosidade com quem tenho vontade de brincar de casinha sempre que passo o olho.

E a maratona Páscoa segue com nova rodada de novos biscoitos à tarde. Mostro na próxima parada, é um pulinho só! (rsrs)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Coelha teimosa = biscoitos vintage

Já faz alguns anos que ando atrás da "Feliz Páscoa" que já vivemos, festa que tem minha preferência entre as celebrações do ano, superando até o Natal, e olha que sou natalina. Talvez a preferência aconteça pelo link outono, renascimento, doces, o Coelho com sua identidade oculta, diferente da de Papai Noel, tão explorada e tantas vezes distorcida. Gosto do ritual dos momentos simbólicos da morte e ressurreição, da compra menos frenética de presentes, das brincadeiras antigas com os pequenos, entre outros quesitos encantadores que até abril com certeza aparecerão por aqui. Pois são as crianças que motivaram a reflexão para esse post, porque para elas, venho acompanhando consternada, Páscoa tem um sentido inverso ao que vivenciamos até uns 20 atrás. À garotada de hoje tem-se mostrado uma data vazia de encantamento, e lastimo muito essa perda. É um pedaço rico de fantasia que está sendo comido da sua infância, e a gente quase não se dá por conta e segue a massa, de cabeça feita pela mídia que vende aquilo que, se não nos acostumássemos, escandalizaria. Quando imaginaríamos o Coelho relegado a segundo ou terceiro planos para entrarem em ação os super-heróis da moda?

Onde foi parar a graça da surpresa se são nossos meninos, cada vez mais cedo, que escolhem no encarte das lojas o ovo que ganharão, nem tanto pelo chocolate, mas pelo brinquedo guardado lá dentro e que não tem nenhuma relação com o motivo da festa, poderia me explicar, Homem Morcego? Eles não ouvem mais o barulhinho bom dos bombons que se tentava adivinhar sacudindo o ovo, nem das passadas rápidas do Coelho nas noites de pouco sono dos sábados que antecediam o domingo mágico. Não vêem o vulto do orelhudo correndo pela casa. Muitos não ganham mais ninho, pois seus olhinhos brilham, e não por muito tempo, é pelos "badulaques-surpresa" dos tais ovos. Se o mundo lhes oferece histórias em fantásticas imagens nos telões em 3D, também lhes tira, ou não incentiva, o desenvolvimento da fantasia pura e simples, tão importante para a saúde emocional, para a alegria da alma, da infância à velhice.
Mas sou teimosa, bem mais quando a questão é perda de encantamentos, e ando então às voltas com o resgate das alegrias da Páscoa, incorporando a coelha doceira, papel que me alimenta como poucos. A inspiração para a produção 2010 nasceu na conversa com a amiga Susi, uma suíça biscoiteira de mão cheia. Pincei lá do canto das boas memórias a figura dos coelhos de biscoito de mel que não podiam faltar enfeitando o ninho dos filhos na minha casa de menina. Há anos não os encontro, tanto que tinham caído no esquecimento. Mas foram salvos e ficaram rondando até a ideia ganhar novo formato, mantendo a mesma estrutura: o pão de mel recortado, agora retangular, coberto por uma gravura, originalmente com a figura do coelho, agora com os belíssimos cartões vintage que me tomaram horas de deslumbramento neste endereço aqui do Flickr, com mais de 1.700 imagens. Na busca por uma massa fofinha, resolvi testar a receita da Lu Gastal, mostrada no Superziper no Natal. Aprovada e recomendada: clica aqui que você chega no destino das abelhinhas. Se quiser experimentar a brincadeira, aí vão algumas sugestões.
Para os retângulos, improvise usando lata de sardinha como cortador, ou faça um molde retangular de 15 x 11cm, em cartolina, como usei para recortar os biscoitos maiores.
Gostoso purinho, melhor ainda recheado: derreta 1 barra (17o g) de chocolate amargo e junte meio pote de um bom doce de leite. Misture bem...
espalhe uma camada generosa sobre um biscoito e cubra com outro.
O resultado que deixou a coelha toda faceira, com direito a uma mordida bem dada, para mostrar a textura da massa. (clica na imagem para ver os detalhes das belas ilustrações)
E aí em cima, parte da produção embalada (melhor parte da brincadeira) como antigamente, com três ingredientes que não podem faltar na minha vida, muito menos na Páscoa: papel de seda e fita mimosa de todas cores e papel celofane. Na próxima fornada talvez ganhe um ajudante-mirim, em quem deposito minha esperança de dar continuidade a essas criancices que me fazem começar o dia com entusiasmo. Bruno também prefere ovo-com-surpresa, mas gosta de fazer biscoito e das pequenas surpresas que essas atividades simples nos presenteiam. Um sinal verde que vale o investimento nas horas compartilhadas com a mão na massa. Uma curtição, porque brincar acompanhada tem muito graça!

Dedicatória
Este post vai especialmente para dois amigos queridos lá das Minas Gerais, que esperam há dias para a receita dos biscoitos sair do forno. Cláudia Mello, que também contribui diariamente com o astral das minhas manhãs pelo Via Tarot, e Fabiano Mayrink, do Blog do Luar Encantado. Surpresas é com eles mesmos, e eu adorei recebê-las como prova de que a nossa melhor parte é mesmo movida a gentis trocas. Fofas, a bolsinha e capa para livro são produções da Cláudia - jornalista, taróloga e crafter - no seu terceiro turno.


Anunciando o outono, o móbile do Fabiano é um manifesto à beleza natural, tudo a ver com esse menino que percorre os caminhos da Biologia.