domingo, 24 de janeiro de 2010

A bolsa e a bengala

A bolsa amarela finalizada, motivo de orgulho inflado para essa costureira de primeira viagem comandando sua super-mini-máquina em projeto mais elaborado, é motivo também para mostrar outro acessório indispensável na sua vida. Cor-de-rosa nos últimos tempos, a bengala* é parceira fiel há quase 40 anos, uma extensão do braço, apoiando os passos, dificultados pelas sequelas da poliomielite contraída quando bebê. Revela-se então a razão por esse guarda-roupa não guardar vestidos, como comentei no post abaixo, e talvez tantas outras facetas de quem desenvolveu a habilidade manual com paixão e encontra nelas, nas mãos, um porto seguro de satisfação que quase sempre vence a frustração das caminhadas impossibilitadas pela fragilidade das pernas.

Se a trajetória nem sempre é cor-de-rosa, criar e escrever são antídotos ao veneno escuro da amargura, aprendi cedo. As doses não precisam ser homeopáticas, melhor ainda se forem abundantes, mas devem seguir a mesma regularidade com que se toma as bolinhas e soluções dos princípios ativados pela homeopatia, ou seja, em intervalos pequenos. Compulsão justificada, a doença das mãos nervosas, como diz a Cecília, do Quilts são Eternos, aqui (e acho que aí também) é curativa e abençoada todo santo dia. Os olhos benzem de luz as crias recém-criadas, a alma avaliza as escolhas e o terreno interno se fortalece com a convicção de que não, não nos perderemos por aí, em nenhuma canoa sem rumo e sentido. Temos nossas tintas, agulhas, pincéis, linhas, paninhos, botões, teclados... aff! Nosso mais eficiente GPS!A matriohska, na carona da bolsa (viu só , onde ela foi morar?), é talismã que confirma a fertilidade do universo dessa tribo crafter, compulsiva, antes de tudo pela beleza. De todos os cantos do planeta, num Woodstock virtual, a turma se aglutina num mesmo olhar extasiado pelas infinitas formas de dar forma ao que pede para nascer, e assim, assegura vida longa a nossa melhor parte, e nos faz mais inteiras. Se a manualidade é outra bengala, abraço o par em duplo agradecimento. Uma me leva até onde posso chegar, a outra me oferece as trilhas do sem-fim. E agora, na companhia de vocês, numa viagem muito, muito mais divertida e criativa. Que o cruzeiro continue embalando nossa inspiração! Amém


*Não poderia deixar de registrar os melhores elogios à Mercur, empresa pioneira na fabricação das bengalas canadenses coloridas, num mercado até então restrito ao cinza e preto. Há uns dois anos, quando me deparei com a cor-de-rosa, fui à loucura! Naquele mesmo momento ela passou a ser minha, e os olhares que atrai, ainda hoje, têm um outro tom, rosado... Hum, mas que fashion! - é comentário frequente por onde ando (com a sua ajuda). Então, amigos da Mercur, acho tá na hora de colocar outras cores nas vitrines. Os bengaleiros agradecem.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Quem não tem vestido, nem caviar...

... Recolhe a inspiração colorida do livro "A Menina e o Vestido de Sonhos", de Alexandre Rampazo, presente da Editora Larousse Júnior (um dos tantos ossos bons desse ofício de trabalhar em jornal infantil é montar uma minibiblioteca ao longo dos anos), e "aplica" na bolsa (de valores sentimentais). O tratado à delicadeza do escritor e ilustrador acordou a vontade de voltar aos tecidos, depois de uma boa temporada "circulando" entre as mandalas. Como as habilidades de costura estão muito longe de alcançar um vestido, e também porque aqui o traje é quase uniforme - calça jeans e camiseta (e um dia explico o porquê), o projeto que me abstrai e salva nesses dias de mormaço no vale é uma bolsa amarela, com ares de verão, inspirada também em outra figura que é só delicadeza: a Chris, da Chria. Longe, muito longe da pretensão de chegar perto de suas criações super elaboradas, mas com chances de me agradar.
O primeiro sinal do agrado? O passarinho azul, que pisca pra mim enquanto pesponto as pétalas para ele pousar...

Se ando vendo passarinho de tecido piscar por aí a culpa é desse menino talentoso que sabe tocar a alma das meninas (crafters, então, caem aos seus pés na primeira página!) em cada palavra e traço. Quer uma provinha?

Quem não tem caviar...

... 0riginal, fica é muito satisfeita com a versão bem mais acessível em versão chocolate da Kopenhagen, que fez a diferença no Bolo de Iogurte, receita de outro livro da Larousse (Coleção Larousse da Cozinha do Mundo), presente de Natal para o filho com direito de mãe também dar uma voltinha. Das mesas gregas, o bolo é simples, mas com uma massa tenra que vale a viagem para acompanhar o café, como conta o livro que é costume também por lá: o mais pobre dos gregos sempre tem um café para oferecer, acompanhado do ritualístico copo de água fresca.

Bolo de Iogurte

Ingredientes: 3 ovos, 200g de açúcar, 1 laranja (ou 1 limão siciliano), 150 ml de óleo, 200 ml de iogurte (usei 1 copinho), 250g de farinha de trigo, 1 colher (chá) de fermento em pó, manteiga para untar

Para a calda: 200g de açúcar, 1 limão

Modo de preparo: Preaqueça o forno a 180 graus.

Quebre os ovos separando as gemas das claras. Coloque as gemas e o açúcar numa tigela. Bata até a mistura se tornar branca e aerada.

Raspe a casca da laranja. Acrescente o óleo, o iogurte e a raspa da laranja à mistura anterior e mexa.

Misture o fermento com a farinha. Adicione-os à tigela. Trabalhe para obter uma massa homogênea.

Bata as claras em neve firme. Despeje-as delicadamente na tigela, levantado a massa para não quebrar as claras em neve.

Unte uma fôrma com 26 cm de diâmetro e nela despeje a massa. Leve ao forno e deixe assar por 25 minutos.

Prepare a calda. Esprema o limão. Despeje numa panela pequena o açúcar, 500 ml de água e o suco de limão. Deixe cozinhar por 15 minutos. Deixe esfriar e despeje sobre o bolo. (Substituí a calda por um glacê de açúcar de confeiteiro e o suco da laranja).<>

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

1 colherzinha de sal, 3 de açúcar, 1 copo d´água

A fórmula da dra. Zilda não nos deixa escapar: o mundo e o nosso mundinho precisam da nossa ação, e muitas vezes, quanto mais simples, mais produtiva. Para quem apostou todas as fichas no efeito dominó de corações movidos à (com)paixão e boa-vontade, as milhares de crianças salvas, outras milhares que se salvarão e todas as suas mães reverberam em gratidão. Receita repassada, inspiração compartilhada, agradeci à emoção esquecida de chorar por tanta beleza, por ter a quem tanto admirar.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Chuva, suor e cerveja


O calor abusivo do Sul, que hoje deu um abençoado recreio com a chuva da noite, me tira o norte, e fico pão-dura, medindo cada movimento, cada gasto de energia, lerda como a criaturinha aí abaixo. O escrever, que também faz parte do ofício, só dá para o gasto, e a inspir(ação), quando associada à transpir(ação), faz as malas e me deixa a ver navios num horizonte sem mar.
Então, nesses dias de aridez, nada como uma "pauta de gaveta", ou melhor, um "post de gaveta", pra fazer a vida andar.

Para quem como eu prefere a embalagem ao produto quando o assunto é alcoólico, a tartaruguinha marqueteira pode render um passatempo para espairecer e esquecer o que incomoda. Com as crianças, a brincadeira com certeza ganha uma dose maior de entusiasmo, e como elas estão de férias e as mães rebolando para livrá-las do tédio (não é, Cynthia?), fica a sugestão. Esta aí, boêmia, ganhou forma com massa de biscuit, mas para os pequenos, a massinha de modelar é mais adequada e pode inspirar muitos outros personagens "tampinha".

Da gaveta
Se cozinhar é prazer, no verão ele também me abandona. Improvisar faz parte da rotina, com raras exceções. Não tão improvisado assim, o Frango na Cerveja, publicado na coluna Assim e Assado em 2006, volta e meia reaparece na mesa daqui, feito coringa, pela praticidade do "leva ao forno e foge da cozinha escaldante por mais ou menos 1 hora".

Se quiser experimentar, clica na imagem que a receita aumenta. Se quiser pecar duplamente, acompanha o prato com batatas fritas e uma loira bem gelada (e como prefiro as morenas, fico com uma Coca com gelo, sem limão).

domingo, 10 de janeiro de 2010

Impressionista

(Casarão em Ivoti-RS, de 1907)

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
Adélia Prado

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Afin(idades)

(Bibi, em duplo estado de graça: pelo cafuné e pelo prêmio no Eu Vi Bichos)

Nesse mundo paralelo que é a blogosfera, os encontros significativos sempre me remetem a cenas de pescarias, como em desenho animado ou gibis. Estamos nós quietinhos no nosso canto do micro, fazendo do mouse um anzol, às vezes com isca gorda (posts incrementados), às vezes com uma pobre minhoquinha (posts apressados, minguados), compenetrados nas águas desse rio farto, quando de repente puxamos um peixe. Se ele prende a atenção, vamos atrás para conhecê-lo melhor, e se a boa impressão fica, resolvemos segui-lo assim que o devolvemos a sua casa. E passamos a nos encontrar sempre que ele dá um bote sobre a água anunciando novidades. Com o passar de algum tempo, nos acostumamos de tal maneira a acompanhar as notícias de alguns ou muitos peixinhos que caíram nas nossas graças, que quando nos damos por conta, formamos um cardume! Um cardume excepcional, com peixes de diferentes espécies. Como se acharam, como se reuniram? - pensariam os que não circulam por aqui. E os peixes-pescadores são unânimes e rápidos na resposta: ora, pelas afinidades!
Afinamos distâncias, costumes, gostos, idades, facilmente, movidos pelas preciosas afinidades.
Então hoje, quando o peixinho mais novo do meu cardume avisou que eu ganhara a promoção do seu blog -a foto do seu animal de estimação - a palavra pulou na minha frente: afin(idades)! Vicente Carpinejar, 7 anos, que conheci na barriga da sua mãe, colega querida de muitos anos, e que recebeu esse nome inspirado no meu Vicente, tem a poesia no DNA e brinca com as palavras com a desenvoltura de um peixe de olhar atento e sensível ao cotidiano de suas águas. Não escorrega em nenhum momento nas obviedades que facilmente caímos quando falamos de animais, e seu blog, Eu Vi Bichos, é um deleite para quem valoriza os processos criativos. Quer pescá-lo também, se lambuzar de poesia e conhecer a história do nosso Bibi? Clica aqui e boa pescaria!
E falando em animais, acho que eu vi dois bichanos brincando com seus gatinhos, um aqui, outro lá, na Sala da Laély! Porque as afinidades também passam, e como, por esses amores arrebatados, o cardume das blogueiras que adoram gatos (mesmo que sejam de mentirinha, como os da Ana Sinhana, mas não menos encantadores) é um espetáculo à parte, com ronrons como trilha sonora, estofados detonados pelo afiar de unhas como cenário e muitos olhos derramados de ternura do público da casa ...
Bibi e Pingo, com seus mascotes, provam que o valor das afinidades é assim... terno e imensurável.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um viva à vida, bela e doce!

Para saudar o ano que logo vai nascer, e reafirmar o compromisso de não perder de vista ingredientes que temperam os dias com gosto de quero mais, como a beleza, a doçura, a delicadeza, a amorosidade, as parcerias, a esperança, a paciência, a coragem... escolhi duas receitas da nossa cozinha compartilhada para dividir com a querida turma que passa por aqui e alimenta minha "fé na vida, fé no homem, fé no que virá..."

Aí em cima, a torta de frutas vermelhas, assinada pelo filho, sobremesa do último domingo que arrancou suspiros da platéia enquanto era montada, enfeitiçou os olhos dos comensais quando pronta e logo foi desmontada em fatias para vê-los chegar perto do nirvana (marketing de mãe é imbatível!).
Sem o chef por perto para detalhar, dou as diretrizes para o preparo, deixando espaço para a coragem de cada um para soltar a criatividade. Para a base - três camadas de merengue - foi usado o suspiro que ensinei aqui, montado com saco de confeitar em linhas bem juntinhas para formar retângulos, sobre papel manteiga. O modo de assar é o mesmo explicado na receita.
No recheio, creme de confeiteiro, que pode ser substituído por chantilly, frutas vermelhas (morangos, mirtilos, amoras, cerejas frescas) picadas e coulis das mesmas frutas (ferve-se com um pouquinho de água e açúcar e passa-se na peneira). E para decorar, caramelo, que também pode ter uma versão mais prática, Karo, e as belas frutinhas! Não é para acordar todos os sentidos e dar as boas-vindas ao novo ano no melhor estilo "fui eu que fiz"?

O bolo amanteigado de frutas, receita testada e aprovada há muitos Natais, já foi vedete das produções personalizadas na época em que vesti o avental de cake designer. A castanha moída na massa faz dele um bolo muito saboroso, durável e versátil. Para o Ano-Novo, pode ser assado em forminhas de cupcake e distribuído na ceia marcando os lugares na mesa.
Ingredientes: 300g de manteiga sem sal, 6 ovos, 400g de açúcar, 500g de farinha de trigo, 1 xícara de leite, 2 colheres (sopa) de fermento em pó, 250g de castanhas-do-pará moídas, 1 xícara de passas sem sementes, 1 xícara de damascos picadinhos, 1 xícara de tâmaras picadinhas, 1 xícara de frutas cristalizadas picadas (opcional)
Modo de preparar: Na batedeira, bata a manteiga com o açúcar e as gemas até clarear.
Junte a farinha peneirada com o fermento, intercalando com o leite.
Acrescente as castanhas, as frutas passadas na farinha de trigo para não afundarem e, por fim, as claras em neve.
Coloque em fôrmas untadas e enfarinhadas e leve ao forno forte por cerca de 50 minutos (faça o teste do palito).
A receita rende 2 bolos grandes ou 4 médios (assados em fôrmas de papel para panetone, como o da foto).
Uma sugestão: quem não gosta das frutas pode substituí-las por 1 xícara de chocolate granulado, mantendo as castanhas moídas, e temos então um super bolo formigueiro.

Que tenhamos todos muito apetite pela vida em 2010! Amém

sábado, 26 de dezembro de 2009

Dia do pijama

Se o ócio é criativo, por aqui o dia pós Natal, com total permissão à preguiça e ao fazer quase nada, só pode estar gestando projetos inimagináveis - penso alto enquanto escrevo para seguir nessa zona zen. É que para uma compulsiva pelo trabalho com as mãos, fica difícil se reconhecer nessa letargia, mas se o corpo pede, e dessa vez posso atendê-lo, decidi assim, que o sábado de calor intenso e ressaca não-alcoólica seria reservado a curtir os "mimos" que me afagam e me fazem a melhor companhia. De pijama de bolinhas, fresquinho, presente da mãe, da manhã à noitinha, com as pernas para o ar, redescobri a delícia que é ter tempo para não precisar controlá-lo. E nesse astral molinho, tudo o que quis fazer foi explorar as caixas mágicas trazidas por papais e mamães noéis. Não menos mágicos, acreditem, eles souberam ler cartinhas que não escrevi e atenderam pedidos que nem eu mesma conhecia.
As caixas ricamente estampadas com arabescos e borboletas já seriam um presente para acender toda a alegria, mas guardam ainda outros tesouros: um livro-convite para reinventar a vida e um pacote de fotos com cenas de nossas histórias. Eis uma mãe adoçada e derretida como trufas no verão (e comprometida a montar o painel de imagens há anos projetado, prometo, filho!).

Se a alegria é ingrediente indispensável, imaginem então uma alegria perfumada, e mais, dentro de uma latinha fofa para quem adora latas de todas as espécies! Cheiro de Natal que fica, em caixa pink, guardando também a ternura que me invade quando imagino a cena do marido escolhendo as mimosices numa praia que não é sua.

Aqui, e no meu coração, um capítulo à parte, uma alegria que reforça a melhor crença: na essência, somos pura energia. Uma caixa iluminada de afeto é a prova disso... e mais: que o universo se encarrega de nos presentear com as pessoas certas para nosso crescimento quando damos uma mãozinha e nos fazemos receptivos. Então, num belo dia, ou numa noite escura, caminhando por aí, ou navegando por aqui, o amigo que ainda não conhecemos passa a fazer parte da nossa vida. É o presente mais valioso! Obra do Pai do Papai Noel e de todos nós. E o amigo antenado na mesma frequência rapidamente reconhece nosso miolo e adivinha coisas que não dissemos, ou só esboçamos, quando a amizade ainda é tenra, mas não menos consistente. Como disse à Laély, até então, só quem me conhece "de perto" sabia que me presentear com borboletas é me fazer feliz na certa. Dona de um olhar apurado para o outro, ela soube reunir um "combo" de delicadezas que me aterrisou no Natal uma semana antes com a aura brilhando! Sim, querida, adoro borboletas, gnomos, biscoitos e agora, as Julias, com quem dividi boa parte do dia de recreio. Então, o sábado também foi de encontro... Obrigada pela companhia!

Uma outra caixa, recheada de aromas, trouxe a tentação para perto em forma de colar com um arco-íris de detalhes feitos à mão. Fitas mimosas em gaitinha, matei logo a charada, mas ainda assim não consegui parar de admirá-lo. Se a comichão nas mãos para fazer um parecido me tira do meu recesso de hoje (confesso que rondei o material atrás de fitas), a culpada seria só uma: a mãe do Bruno e seu bom gosto.

Mas não só caixas e latinhas recheadas me fizeram feliz. O presente mais espontâneo só poderia vir mesmo de uma criança. Bruno ganhou seu primeiro relógio. Com o pulso em evidência, chegou mostrando a novidade, orgulhoso do apetrecho que lhe dá ares de menino crescido, e com a outra mão me estendeu a latinha: - Trouxe pra ti... Quis congelar o tempo, parar aquele relógio, ter alguma garantia que essa parceria continuará por muuuuitos Natais... Porque ele conhece a tia criançona que tem e seus gostos (que prefere a latinha ao conteúdo), sabe que o presente assim dividido é precioso igualmente para nós. E se não acredita mais em Papai Noel, acredita na partilha. E eis uma tia inchada de orgulho...

Que as alegrias e as alegriazinhas do Natal, como tão bem colocou a Viviane do De(coeur)ação, e a gratidão por elas não se apaguem da lembrança. Amém!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Que a noite aí e aqui seja assim...

Iluminada

Com todos os corações emendados num só fio: o do amor. Amém!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Costurando papel

Quando comprei a maquininha de costura, como mostrei aqui, a maior surpresa foi o encantamento que o sobrinho, de 8 anos, teve à primeira vista por ela. Tão inexperiente quanto ele para lidar com o brinquedo novo, dividimos os primeiros passos, e contei com o Bruno para solucionar dúvidas, dividir aflições e com uma ajuda muito importante: para quem nem com óculos consegue enfiar a linha na agulha sem no mínimo dez tentativas, seus olhinhos perfeitos e curiosos foram fundamentais para o nosso trabalho.
Ainda não era bem época de se pensar em Natal, mas os dois ajudantes de Papai Noel não aguentaram esperar e deram partida na invenção de moda recortando o que tinham à mão - papel de presente, feltro e retalhos - para fazer cartões diferentes. Será que a máquina costura papel? - nos perguntamos excitados. Experimentamos, e funcionou! Foi um tal de "faz com ziguezague, quem sabe um ponto maior, devagar!, vamos colocar mais um tecido embaixo, podemos desfiar as pontas, cuidado com o dedo!"...
A febre dos cartões passou rápido para o Bruno, como são as novidades para as crianças, o tempo faltou para eu retomá-los e a pequena produção será distribuída a alguns sortudos no Natal, com grife e dedicatória com duas assinaturas.
Mãozinhas aprendizes e criatividade infantil (e paciência de tia!) renderam peças cheias de graça.

E essa é uma das maiores graças do meu Natal.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tarde de biscoitos


Minha cozinha se fez oásis na correria dessas semanas e assim, em comunhão com a comadre-irmã de coração e a tia, inspiradora do meu apaixonamento pela confeitaria e mestre de todas as doçuras da vida, comemoramos o Natal com o ritual que mais me move à magia dessa data.

Seis mãos entusiasmadas renderam uma produção que perfumou a casa até a noite e que continua aromatizando o ar assim que abro as latas. Continua também inundando meus olhos de beleza a cada pacotinho que monto para presentear pessoas queridas e embalando meu coração de alegria pelos momentos tão únicos e fraternos daquela tarde.

Na receita, o diferencial é a forma de confeitar: glacê que decora os biscoitos antes de irem ao forno e que, como mágica, é pura surpresa depois de assados.
Para quem quiser brincar também, assim como as meninas de 50 a mais de 80 deste post, fica o convite em forma de receita. Faça uma massa básica de biscoitos (com certeza você tem a sua preferida) e depois de cortados, prepare o glacê:
misture 1/4 de xícara de manteiga, 1/4 de xícara de açúcar, 6 colheres de sopa de nata (creme de leite), 1 xícara de farinha de trigo. Separe em porções e tinja com anilina para doces líquida. Coloque em saquinhos (pode ser os mesmo usados para embalar), faça um corte bem pequeno numa das pontas e solte a imaginação para enfeitar os biscoitos. Depois de assados, o glacê estufa, parecendo tinta de relevo.
O tempo delicioso dedicado ao preparo dos biscoitos é um presente especial que podemos nos dar e depois... distribuir!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Presente coringa pra fazer bonito


(Bruno e Luísa, na inauguração da Mostra, não se cansaram de curtir as "bolachonas de vidro" - Foto: Andrea Hilgert)

Mandalas agradam almas sensíveis de todas as idades. As crianças se encantam descobrindo as formas e as cores. Os adultos admiram a simetria, o jogo de tons, alguns "viajam" na contemplação, outros usam como ferramenta para meditação.
É um presente especial que fica à mostra, uma forma de estarmos presentes no espaço das pessoas queridas levando uma energia boa.
(Da esquerda pra direita, as mandaleiras Susi, Margarida, Mara, eu e a mestra Nilda - Foto: Andra Hilgert)

Por isso, as mandaleiras dizem em coro: Mandala é presente que sempre faz bonito! Para quem tem tudo, então, é uma excelente opção.
Aproveite o sábado para visitar nossa Mostra na Natur Haus, das 10h às 18h, escolher lembranças num ambiente agradável e tranquilo e saborear as delícias da cozinha do Peter e da Jaque.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As meninas da aldeia de Natal

A chola Maria chegou em julho, como mostrei aqui, depois de deixar o Peru com a filha nas costas. Logo ganhou seu lugar e a simpatia das fadas que moram na Vila da Baú há alguns anos.
Sissi veio de Canela (RS), de um lugar encantado, a lojinha e casa de chá Alecrim, no Caminho das Graças. Não posso negar que é a "filha" preferida, que tem espaço até no carro e sai pra passear enquanto as amigas guardam a casa.
Cacau, com ares mitológicos, foi adotada em outro espaço que é puro deleite para quem gosta de roupas customizadas exclusivas: a Flor de Vênus, em Garopaba (SC). Quem produz as criaturinhas aladas também é talentosa na cozinha e circula nesses dois universos no Café das Fadas, alguns quilômetros antes da entrada de São Francisco de Paula (RS). Cacau é protetora da mesa farta e, segurando o romã como talismã, acomodou-se no alto da chaminé do fogãozinho à lenha e dali observa os movimentos da cozinha.
E como a aldeia é reduto gaúcho, no fogão a água aquece para o chimarrão e o feijão cozinha na panela de pressão, porque nem só de churrasco vive a culinária dos pampas e a turma de papais-noéis e gnomos, com todo trabalho desses dias de dezembro, tem uma fome de leão. As meninas da Vila, cozinheiras nessa época, que o digam...

domingo, 6 de dezembro de 2009

A Vila do Baú e o cheiro mágico

A réplica da igreja da praça dos pescadores em Garopaba (SC) faz parte do cenário em miniatura
montado sobre o baú que guardou o enxoval da vó do marido no início do século passado e depois, o meu. É um xodó que já passou até por batismo de fogo, quando abrigava o altar e, numa noite de cansaço que cega, esqueci de apagar a vela... Incendiária que movida a susto me fez uma bombeira ágil, apaguei as brasas com copos de água, numa cena ainda mais hilária por estar me recuperando de uma cirurgia na perna e pulando num pé só. O estrago foi pequeno, facilmente camuflado por uma madeirinha que cobre o buraco da base.
A mini-aldeia de Natal é ecumênica. Nela convivem na mais santa paz e visível alegria papais-noéis, fadas, chola, duendes, coelhinha e até um buda. Alguns, felizes da vida por finalmente ter chegado a época de saírem da caixa, os outros - habitantes de todos os dias da sala - por ganharem a companhia dos amigos que anunciam a festa mais bonita do ano. A comunidade, cada um com sua casa, é a imagem mais linda que não canso de olhar e ajeitar, mais ainda quando anoitece e ganha a luz amarela do abajur. Posso também fotografar sem parar, em diferentes ângulos, como tem sido a cada noite, e o resultado quase sempre me faz querer imprimir para cartões. Então, para garantir que nossos olhos não percam o encantamento com o excesso de estímulo, vou apresentando aos poucos os moradores da Vila do Baú, em close.

Outro cenário...

Em tamanho natural, mas não menos arrebatador, encontrei como presente-surpresa numa passada em Dois Irmãos (RS) no fim de semana. A Igreja Evangélica Luterana, da comunidade São Miguel, com seu verde vintage, me convidou para um clic rápido do carro. Na porta, o rapaz, talvez pastor, estendeu o convite: Querem conhecer o pinheiro e o presépio? Sem pensar nem uma vez, entramos, e na frente da árvore esplendorosa, embasbacada, reconheci a origem desse contentamento que me toma nas semanas que antecedem o Natal. Vem de longe e, graças aos céus, continua tão perto.

Todos os signos de uma época rica de inocência reunidos numa só árvore, emoldurada pelos vitrais, já seriam motivo para tocar lá no espaço das emoções ternas. Mas o que acabou por me derreter foi o cheiro tããão bom e esquecido do pinheiro, que como um teletransporte, devolveu por mágica o mistério das noites felizes de outros tempos.
Gosto de pensar que às vezes, quando seguimos um caminho despretensiosamente, uma estrela-guia assopra o roteiro, pede para dobrar à esquerda, reduzir a marcha, olhar para o lado... todos os passos para nos presentear com algo que nem mesmo sabíamos o bem que nos faria. Que ela nos acompanhe, que tenhamos sintonia e confiança para ouvi-la. Amém!


Mais Natal...
Pensando na saúde do planeta, que nessa época sofre ainda mais com o excesso de lixo, a Ísis, do Poderosapontocom, lança a ideia bacana de embalar os presentes com furoshiki. Pra ver como se faz, clique aqui e participe!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Bolão de Natal

A flor mais vintage e guardiã dos meus Natais abre-se em estrelinhas simétricas, perfeita geometria sagrada, e me leva lá pra trás. Na casa da amiga meio irmã, os bolões nos vasos ornamentavam o presépio do maior e mais bonito pinheiro da minha infância. Éramos meninas privilegiadas pelos dons das mães que cultivavam flores e preparavam doces especiais em dezembro. Fífi, que não só tinha apelido de fada como a suavidade delas em tudo que fazia, deixou sementes mágicas. Os bulbos das bolas vermelhas, mandalas formadas por centenas de "anteninhas de borboleta", são prova incontestável. Depois de mais de 30 anos que Fifi vestiu-se de estrela e foi morar no céu, continuam se multiplicando e florescendo. Fífi e a menina que fui renascem em dezembro no meu jardim. E uma nostalgia doce toma conta de mim, tão doce quanto suas rapadurinhas de leite, tão alegre como eu era quando ganhava um saquinho delas como presente do Noel.

domingo, 29 de novembro de 2009

José, Jesus e o milagre da laranjeira

A dupla chegou aqui com a missão de concretizar um projeto de anos: a construção de uma área nos fundos da casa para abrigar os amigos em volta do forno erguido pelo filho, um milagre alicerçado na total inexperiência com a lida de pedreiro e um apaixonamento gigante por pizza.
José, construtor, que também faz as vezes de carpinteiro honrando seu nome bíblico, é o comandante da empreitada e guia de Jesus, seu fiel escudeiro.

Nas poucas semanas de convívio, impossível não reconhecer a performance exemplar dessa parceria que trabalha sem parar jogando conversa fora baixinho, buscando soluções, às vezes assobiando, com um bom humor imbatível. Nem o peso absurdo das vigas de eucalipto, nem o sol escaldante foram capazes de tirá-los do prumo. Sintonizados numa mesma intenção, cumpriram o prometido na data marcada, mesmo com São Pedro jogando contra e impedindo o trabalho nos muitos dias de chuvarada.

O forno, grande estrela do espaço, está quase pronto para a inauguração, com uma lista de convidados que se espicha feito massa de pizza em mãos de pizzaiolo hábil.
Cresce também o meu olho pelos entulhos que se avolumam pelo quintal. Seu José e Jesus, e os guris da casa também, me olham só de canto enquanto recolho tocos e pedaços de varas de madeira, telhas, retalhos de calha e reúno num cesto, como tesouro, os galhos da velha laranjeira sacrificada para dar lugar ao telhado.

Renascimento
E então, como sucateira teimosa que gosto de ser, mostro a eles o primeiro resultado do que iria para o papa-entulho ou seria queimado no fogo inaugural do forno. A vida que se foi a machado renasce como o primeiro elemento de Natal na decoração da casa. E como outro milagre, a laranjeira volta a nos fazer companhia, agora como pinheiro. Os ingredientes da mágica não poderiam ser mais simples: gravetos, galho mais grosso para o tronco, meio toco de uma fatia de vara de eucalipto, lascas de madeira, pregos e cola quente.Aqui a Analu mostrou de onde veio a inspiração. E a Susi também colaborou com a ideia com esta sugestão. E dessa empreitada de tantas mãos, fica a fé cimentada de que a simplicidade gera riqueza. Riqueza de tranquilidade e eficiência, como provam os mestres José e Jesus.
Riqueza de satisfação, como mostram meus olhos admirando o pinheiro de gravetos.
Fica também a certeza de que quero um Natal assim, simples. Para isso, preciso fazer o caminho de volta a uma manjedoura para perder o excesso de expectativas acumuladas por aí, fora do meu quintal.