domingo, 29 de novembro de 2009

José, Jesus e o milagre da laranjeira

A dupla chegou aqui com a missão de concretizar um projeto de anos: a construção de uma área nos fundos da casa para abrigar os amigos em volta do forno erguido pelo filho, um milagre alicerçado na total inexperiência com a lida de pedreiro e um apaixonamento gigante por pizza.
José, construtor, que também faz as vezes de carpinteiro honrando seu nome bíblico, é o comandante da empreitada e guia de Jesus, seu fiel escudeiro.

Nas poucas semanas de convívio, impossível não reconhecer a performance exemplar dessa parceria que trabalha sem parar jogando conversa fora baixinho, buscando soluções, às vezes assobiando, com um bom humor imbatível. Nem o peso absurdo das vigas de eucalipto, nem o sol escaldante foram capazes de tirá-los do prumo. Sintonizados numa mesma intenção, cumpriram o prometido na data marcada, mesmo com São Pedro jogando contra e impedindo o trabalho nos muitos dias de chuvarada.

O forno, grande estrela do espaço, está quase pronto para a inauguração, com uma lista de convidados que se espicha feito massa de pizza em mãos de pizzaiolo hábil.
Cresce também o meu olho pelos entulhos que se avolumam pelo quintal. Seu José e Jesus, e os guris da casa também, me olham só de canto enquanto recolho tocos e pedaços de varas de madeira, telhas, retalhos de calha e reúno num cesto, como tesouro, os galhos da velha laranjeira sacrificada para dar lugar ao telhado.

Renascimento
E então, como sucateira teimosa que gosto de ser, mostro a eles o primeiro resultado do que iria para o papa-entulho ou seria queimado no fogo inaugural do forno. A vida que se foi a machado renasce como o primeiro elemento de Natal na decoração da casa. E como outro milagre, a laranjeira volta a nos fazer companhia, agora como pinheiro. Os ingredientes da mágica não poderiam ser mais simples: gravetos, galho mais grosso para o tronco, meio toco de uma fatia de vara de eucalipto, lascas de madeira, pregos e cola quente.Aqui a Analu mostrou de onde veio a inspiração. E a Susi também colaborou com a ideia com esta sugestão. E dessa empreitada de tantas mãos, fica a fé cimentada de que a simplicidade gera riqueza. Riqueza de tranquilidade e eficiência, como provam os mestres José e Jesus.
Riqueza de satisfação, como mostram meus olhos admirando o pinheiro de gravetos.
Fica também a certeza de que quero um Natal assim, simples. Para isso, preciso fazer o caminho de volta a uma manjedoura para perder o excesso de expectativas acumuladas por aí, fora do meu quintal.

10 comentários:

Fala Mãe! disse...

Rosana! Rosana! Não me canso de ler seus posts, sempre histórias lindas e inspiradores! Linda a árvore de galhos. beijos querida
Cynthia

Fabiano Mayrink disse...

Rosana que lindo seu forno, me veio a mente biscoitos de polvilho caseiro, aqueles grandoes, hummm que delicia, tem anos que nao como desses caseiros,

tadinha da laranjeira, mais foi preciso ne, se fosse coqueiro dava pra deixar mais...

o pinheiro ficou de bom gosto, parabens, concordo com vc, o simples se transforma em luxo,

os coelhinhos nos falam isso mesmo, renascer, voce tem razao, um abraço!

Cíntia Maciel disse...

SORRIA!¦:--:¦:--:¦:
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... ..`•.¸.•´para deixar minha marquinha
¸.•)´ (.•´em seu coração.
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Beijos no ♥

E que sua semana seja repleta de alegrias !!!!!

rosana sperotto disse...

Cynthia, adoro contar essas histórias pra vocês, com os personagens do meu dia-a-dia. Beijo!

Ai, Fabiano, deu saudade desses biscoitos também. Abraço pra ti também!

Cíntia, querida, obrigada pela visita tão carinhosa. Beijo e uma ótima semana pra ti também!

Susi disse...

Oh minha doce amiga,que saudade!!
Dei um berro qdo vi o forno,qtas lembranças boas,tivemos um em casa e minha mae fazia paes deliciosos..,a sua arvore de gravetinhos ficou o maximo,salvei ,ta aqui na minha pastinha de itens especiais..
bjs amiga.

Chris - da Chria disse...

Olá Rosana!
Ah!!!!!!!!! como é bom estar aqui, e curtir seus posts tão acolhedores...
Lindo demais!
A árvore é incrível...
Adorei!
bjos querida,
Chris da Chria

analu disse...

Rosana, beleza de palavras versos puros e verdadeiros, sabor de uma verdade de alma muito verdadeira e intensa. O forno é um caso aparte adorei, se morasse em uma casa faria um igual, que beleza!E a árvore linda muito linda muito mais bonita que a que postei, adorei!!!!!! E atua busca da simplicidade , sábias palavras e exercicio dela, coisa rara hoje em dia. Minha admiração e meu carinho. tudo de uma beleza verdadeira. Muita paz e carinho para ti Analú

Laély disse...

Rosana, se não fosse você, a Rosana que conheço, diria que teria inventado essa coincidência de nomes, só para a história ficar mais bonitinha. Mas sei, que são essas coincidências mágicas que a "perseguem"...
Que "puxadinho" abençoado,hein?
Forno maravilhoso! Sonho de consumo!
Pode me incluir nessa inauguração especial?
Viu a árvore de madeirinha que a Vivi postou na quinta ou sexta? Lembra muito esta sua!
Abraço, querida!

Tina disse...

Incrível a facilidade que tu tens de de expressar com sábias palavras as situações que nos rodeam. Tanbém não acredito em coincidencias e esses personagens parecem mesmo ter saido das histórias de Literatura ... às vezes lutando contra gigantescos moinhos (que apresentamos pra eles) como Dom Quijote e seu fiel escudeiro Sancho Pança ... hehehe ... Bjs

Mel disse...

Rosana.....leio e releio teus escritos !É possível viajar no tempo, como quando falas do Péia (verdureiro !) com sua caminhonete... biscoitos de Natal... ovos de Páscoa....tudo remete à infância ! Agora o forno, velho companheiro de minha avó para o pão de aipim, merengues e bolachinhas feitos com amor para os netos ! beijos