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sábado, 8 de junho de 2013

Ritual de nona para um menino crescido

Bruno, meu sobrinho querido, fiel escudeiro para tantas empreitadas, esteve de aniversário esta semana, e essa tia, numa crise de coração derretido, entregou-se a uma nostalgia daquelas que faz a gente chorar como bobinha a cada lembrança das cumplicidades que nos unem. 
O menino crescido, no alto dos seus 12 anos, dispensou festa e badalações, e cada um arranjou um jeito de comemorar com ele em pequenos grupos ao longo dos dias. Hoje foi a nossa vez de finalmente abraçá-lo e, para marcar a data, resolvi por a mão na massa, seu prato preferido, como minha mãe fazia quando era criança em ocasiões especiais.
O ritual começou ontem à noite com o preparo da massa, sob a supervisão da mãe e orientação do filho, já que há anos não fazia a receita. 
Para uma boa quantia, numa bacia faça um morrinho com 500 g de farinha de trigo com uma cavidade no meio e quebre 5 ovos, um a um, dentro. Vá mexendo até agregar bem e depois, numa superfície enfarinhada, sove rapidamente. Se necessário, junte mais farinha. A massa deve ficar bem firme. Corte porções da massa e abra com rolo, o mais fino possível. Cobri com uma toalha e as "bebês" dormiram assim.
Hoje pela manhã tratei de cortar o macarrão, enrolando as folhas de massa e usando uma faca bem afiada, em tiras do tipo pappardelle. Não me preocupei muito com a uniformidade, cortei de forma rústica mesmo. A preocupação presente era só uma: não esquecer de reservar as rebarbas para a maior atração da macarronada.
Enquanto o papppardelle caseiro cozinhava em água abundante e salgada, sob os cuidados do homenageado...
... cortei as sobrinhas em pedaços pequenos e fritei em óleo quente. Aí já dava para antever o retorno ao passado... Os fritinhos eram disputadíssimos naqueles tempos em que não existia salgadinho industrializado, então resolvi me desforrar e fiz uma quantidade bem farta deles.
Cobri o macarrão com um ragu (carne de panela  com molho, bem cozida e desfiada) e salpiquei rapidamente os "torradinhos", enquanto mãozinhas ligeiras roubavam os petiscos descaradamente.
Voltei à mesa da cozinha de minha mãe na primeira garfada. Ela, ao lado, recordava saudosa seu dotes culinários. E o aniversariante, este continua sendo o agente mais fofo que me devolve a infância, mesmo já se despedindo dela.
Que nossos amores nos movam sempre por caminhos temperados de carinho. Amém.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

E sobre a mesa, pudim e crumble!



Ainda que circule com facilidade pelos caminhos da cozinha, reconheço que são as alquimias com açúcar as que mais me encantam e, coerentemente, as que me rendem maiores recompensas. Piso com firmeza nesse universo, reconheço à distância os perigos mais costumeiros ao tomar contato com uma receita nova: tamanho equivocado da fôrma, ingredientes com proporções inadequadas, uso desnecessário de batedeira, liquidificador... Poucas vezes caio no conto de receitas mal passadas, mas quando isso acontece, sou tomada de uma frustração descompensada. Por isso, mantenho os olhos bem abertos na hora de testar alguma invenção confeiteira pela primeira vez. 
No final de semana, vivi aqueles momentos doces de preparar um pudim diferente, com nozes, desde o momento de reunir os ingredientes (poucos), esperar até o outro dia para o desenformar e ele sair inteirinho, lindo, brilhante, até os elogios do público à mesa. 
Se quiserem viver os mesmos capítulos, segue a receita, com um pequeno adendo: na próxima vez, reduzirei o leite condensado a uma lata. Para meu paladar, tem uma dose extra de açúcar totalmente dispensável. Mas, os "formigões" de casa bateram pé de que estava doce na medida certa. Você decide!


Pudim de Nozes

2 latas de leite condensado
250 ml de leite
2 ovos
120 g de nozes
Açúcar para o caramelo
Derreta o açúcar numa panela, ou diretamente na forma de pudim, até ficar bem dourado.
Em um recipiente, despeje o leite condensado e os ovos. Misture bem.
Bata o leite com as nozes no liquidificador até ficarem bem trituradas.
Adicione o leite de nozes ao leite condensado e misture até ficar homogênio.
Despeje a preparação na fôrma de pudim.
Asse em banho-maria durante 55 minutos.
Daqui:  http://lamignardise.blogspot.com.br

Em contrapartida, reprisei a boa e certeira receita de crumble, para "escoar" a produção de bananas de um único cacho que rendeu muitos quilos. Juntei mirtilos e se deu um bom casamento.


Pré-aqueça o forno em 180 graus e unte uma forma redonda pequena com manteiga e farinha.
Descasque e corte em rodelas finas quatro bananas e tempere com duas colheres de sopa de açúcar refinado, uma colher de café de canela em pó e meia colher de café de cravo em pó. Misture bem e reserve.
Para a massa, use 100 g de manteiga, 250 g de farinha de trigo, 5 colheres de sopa de aveia em flocos, 2 colheres de sopa de açúcar refinado, 1 colher de sopa de açúcar mascavo e uma colher de café de canela em pó. Misture tudo com as pontas dos dedos até que obtenha uma massa seca e esfarelada.
Use metade dessa massa para cobrir o fundo da assadeira. Acomode as bananas e cubra com a outra metade da massa. Leve ao forno por 20 minutos.
Daqui: cozinhapequena.com

E para provar de tudo um pouco e derrubar a sentença de que três é demais, nos fartamos com a combinação servida, assim,  bem juntinha.

Um banquete! Brindemos com a poesia de Roseana Murray, porque a alma também precisa de alimento, não é mesmo?

NA MINHA CASA DE VENTO
TEM CHÁ DE CHUVA,
BOLO DE NEBLINA,
EMPADÃO DE PENSAMENTO

NA MINHA CASA ENCANTADA
TEM MACARRONADA DE NUVEM
E PASTEL DE TROVOADA.

A SOBREMESA É TRANSPARENTE
NA MINHA CASA DE VENTO:
SORVETE DE ORVALHO,
PAVÊ DE FAZ-DE-CONTA
E TORTA DE TEMPO
(RUIM OU BOM, NÃO IMPORTA).

VOCÊ QUER JANTAR COMIGO?

Amém!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Bombas e palmas para brindar a primavera

Confesso, já ouvindo a vaia ao fundo, que a primavera não é minha estação queridinha. Perde de longe para o outono, que anuncia o inverno, por quem morro de amores, mostrando o quanto sou gaúcha de corpo e alma (rs). Mas gosto muito da troca das estações que vai marcando o andar do tempo e os milagres da natureza. Da primavera, curto essa motivação que ela gera no coletivo, como uma onda que devolve a alegria infantil pela promessa de dias mais intensos em cor, luz, aromas. Tenho a impressão que se propuséssemos aos adultos desenhar a estação mais amada e marqueteada, teríamos uma coleção das clássicas cenas da casinha rodeada de flores, os dois morros no horizonte e o sol nascendo atrás deles. E só por isso ela merece mesmo ser saudada com honras de gala.
Por uma conjunção, talvez astral, a entrada da primavera foi marcada com dois rituais singelos com a cara da estação, registros lá de trás que me trazem sensações muito boas.
Morangos encontra-se atualmente em qualquer época do ano, mas quando era menina, só davam o ar de sua graça lá pelo final de setembro. Que festa quando o verdureiro estacionava sua camionete e avistávamos de longe as caixinhas de papelão recheadas das frutinhas mais esperadas! Miúdos, vermelhinhos por fora e por dentro, doces, colhidos no pátio da figura grandona, folclórica, nos proporcionavam o melhor lanche da tarde. Batidos com leite bem gelado, parecia milk-shake com aquela espuminha cor-de-rosa,  coisa só namorada em revistas. Fico tão entusiasmada quando chega a sua safra, que a sou a primeira a comprar os kits com 3, 4 bandejinhas dos meninos que vendem nas sinaleiras. E me sinto realmente rica com tamanha fartura.
Então, munida dessa riqueza, vem a segunda parte bem boa da história: sair à cata do que fazer com eles. E foi nessa procura por uma receita diferente das sempre certeiras, mas já batidas, que não sei de onde lembrei das bombas, outro ícone da cozinha imaginária da minha infância. Em dias bem raros, tínhamos o deleite de fazer o melhor programa que a cidade oferecia em termos de doces. Nos produzíamos com a roupa mais bonita para lanchar na Confeitaria Central. Ainda sinto lá no fundinho da memória o cheiro delicioso que recepcionava os fregueses já na calçada. Uma mistura de doces assando e salgados fresquinhos, aliás, esse era o maior trunfo do point tradicional: tudo feito no dia, tenro, com ingredientes de primeira e, sem dúvida, mãos de fadas que trabalhavam longe dos olhos da freguesia. Sonhava conhecer aquela cozinha, descobrir seus segredos...
Mais tarde, o programa se repetiu como primeira escolha do filho menino. As segundas-feiras eram sagradas para o passeio com a vó Lili, dia de folga das cabeleireiras, e o destino foi aprendido desde o carrinho de bebê. Muito conflito na hora de fazer o pedido na frente do balcão recheado de tantas gostosuras, mas pra não me arrepender, acabava na "bomba" de chocolate, e o filho seguia o exemplo. Não me arrependo até hoje: as melhores bombas do mundo dividindo o ranking com as melhores mil-folhas! A confeitaria fechou, deixou saudade em muitos, quem sabe contribuiu na escolha profissional daquele menino que adorava suas gostosuras e voltou a ganhar vida nas horas da semana passada em que passamos perseguindo a receita das bombas, mais conhecidas fora daqui por carolinas. Depois da primeira experiência mal-sucedida, o outro menino que hoje me acompanha nos programas gastronômicos me convenceu a arregaçar as mangas e começar tudo de novo. E, dessa vez, deu certo! A receita é esta aqui , super aprovada. Só inventamos no recheio, acrescentando, é claro, morangos.
A massa tem um quezinho mágico: cresce, estufa, forma bolhas por dentro e as bombinhas ficam ocas, perfeitas para receberem o creme e as frutinhas. Bastante recheio é a dica para ficarem bem molhadinhas, seguida à risca pelo sobrinho. E pra finalizar, fios de glacê de chocolate (açúcar de confeiteiro, chocolate em pó e pinguinhos de leite).
Na cozinha, olho para os doces tão bem casados com o prato de vidro, herança da sogra, e as palmas (gladíolos) cor de laranja que há tantos anos não via, compradas aos suspiros na subida da serra. E enquanto tento capturar a atmosfera "anos dourados" desse momento com minha "xereta", vou confirmando um parágrafo do livro da hora: "Feng Shui para a Alma", de Denise Linn.
"Nossa casa também é uma crônica da nossa história pessoal. Nossas experiências formam uma base que confere estrutura e contexto à nossa vida. É pelo passado que nos definimos. Nossa história é trazida para o presente através dos símbolos com os quais nos cercamos." 
Um viva à primavera por acordar um passado tão doce e colorido! Que sua missão seja compreendida por todos nós. Amém.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Temporada de bolos em tempos de chuvaradas

Desde sábado, chove, chove, chove forte, noite e dia... com intervalos do tamanho de breves reticências. Dorme-se e acorda-se com o mesmo som, às vezes com acordes fortes dos trovões e da ventania, e a mesma luz tão fraca que mais parece uma única noite de mais de  80 horas. Mas, como filha de peixe, peixinha é, estamos, eu e a mãe, muito longe da incomodação, na contramão do mau humor coletivo que tomou conta dos gaúchos. Então, quase pedindo desculpas aos incomodados, e de joelhos aos flagelados do Estado, confesso que como tenho o privilégio de poder ficar protegida no ninho e um pezinho no recolhimento, dias assim acordam muitas (boas) vontades, em especial, as que nascem na cozinha. Se estamos virando sapos, que sejamos sapos bem gordinhos - é o lema da temporada molhada.
Como essa é uma casa de boleira (aposentada), receita que mais gosto de experimentar é de bolo, seguida logo atrás de biscoitos, grande paixão. Dessa vez, finalmente reuni os ingredientes do Bolo de maçã com farofa de coco, da musa Rita Lobo, do consagrado Panelinha, que dispensa apresentações, mais ainda agora, com seu programa no GNT. Infelizmente, a série nas últimas semanas está reprisando, mas tenho fé que uma nova temporada está por vir. Essa é do livro "A conversa chegou à cozinha", que  reúne crônicas e receitas numa demonstração clara que os criativos, na grande maioria das vezes, navegam bem por diferentes canais, sejam eles gastronômicos, das artes plásticas, da literatura, da música, do universo craft... A bela Rita, além de fazer bonito na frente das câmeras fotográficas e da tevê, domina com elegância e simplicidade panelas e palavras, e isso me encanta. Transcrevo o capítulo delicioso:


"Um bolo para Ane
Este bolo de maçã com farofa de coco é uma receita que ganhei da tia Cristina Ferraz. Digo ganhei porque sempre acho que boas receitas são como presentes. Espero que a Ane também goste!"

Para a farofa
1/2 xícara (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de nozes picadinhas
1/2 xícara (chá) de coco ralado
1 colher (chá) de canela em pó

Modo de preparo
Numa tigela, misture bem todos os ingredientes. Reserve.

Para massa
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) de canela em pó
1 pitada de sal
1 colher (chá) de bicarbonato 
1 colher (chá) de fermento em pó
2 xícaras (chá) de açúcar (reduzirei para 1 1/2 na próxima vez)
1 colher (sopa) de suco de limão
2 colheres (sopa) de conhaque (usei cachaça)
4 maçãs-fúgi grandes
2 ovos
1/2 xícara de óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha

1. Unte uma assadeira retangular com óleo e polvilhe com farinha. Reserve. Preaqueça o forno a 180 C (temperatura média).
2. Coloque a farinha, a canela, o sal, o bicarbonato, o fermento e metade do açúcar numa tigela, passando por uma peneira. Misture bem.
3. Descasque as maçãs, corte na metade e retire as sementes. Corte as metades em cubinhos. Transfira para uma tigela e misture o suco de limão, o conhaque e o açúcar restante.
4. Numa tigela grande, bata os ovos com um garfo. Acrescente o óleo e a baunilha. Nesta mistura, junte as maçãs e a farinha. Misture delicadamente.
5. Transfira a massa para a assadeira preparada. Espalhe a farofa com as costas de uma colher de sopa.
6. Leve ao forno preaquecido para assar por 25 minutos. Retire, cubra com papel-alumínio e continue assando por mais 20 a 25 minutos. Depois de frio, corte em quadradinhos.

Sirva com
Creme chantilly ou sorvete de creme. (servi com coalhada)

Que este seja também um presente para os amigos do Amém, que adoçam minha vida, faça sol ou faça chuva. Amém.

domingo, 16 de setembro de 2012

Cupcake de cenoura: gol na certa!


Andei às voltas com um pedido de receita para o encarte do Dia das Crianças de uma rede de supermercados daqui da região. A amigona, responsável pelo trabalho, encomendou um prato saudável para os pequenos, em que eles possam colocar a mão na massa junto. Depois de uma primeira tentativa frustrada com uma receita que não deu em nada, a não ser em sujeira na pia e a minha cara amarga com o resultado, resolvi reprisar a experiência com os bolinhos de cenoura da Ana Sinhana, super aprovados. Pensando na praticidade dos leitores do encarte, fiz pequenas alterações. É interessante como as afinidades também passam pela cozinha. E com a Ana é assim: se penso numa receita certeira, bato na cozinha dela. É batata! Gol na certa. Vale experimentar:

Massa:
1 1/2 xícara de açúcar mascavo (apertado na xícara na hora de medir)

3 ovos

3/4 xícara de óleo (de preferência de canola ou girassol)

2 xícaras de farinha de trigo

1 colher (chá) de bicarbonato de sódio

1 colher (chá) de fermento em pó

1 colher (chá) de canela em pó

1/2 colher (chá) de gengibre ralado (opcional)

1/2 colher (chá) de sal

1 colher (chá) de extrato de baunilha 

3 cenouras raladas

2/3 xícara (chá) de nozes picadas

Forminhas de papel para cupcakes (usei tamanho grande e renderam 9 bolinhos)


Cobertura:
1 caixinha de cream cheese (Philadelphia)
3 colheres (sopa) de açúcar de confeiteiro

Preparo:
Pré-aqueça o forno a 180°.
Coloque o açúcar, o óleo e os ovos numa tigela e bata com o fouet (batedor de arame) para agregar bem os ingredientes.

Aos poucos, misture a farinha, bicarbonato, fermento, canela, gengibre e sal peneirados juntos e acrescente a baunilha .

Por fim, misture a cenoura ralada e as nozes até incorporar bem.

Coloque as forminhas de papel dentro de fôrma para cupcakes ou de empadas e distribua a massa enchendo 3/4 delas.

Leve para assar na grade do meio do forno,  por cerca de 20 minutos, até dourar. 

Tire os bolinhos da fôrma e deixe esfriar antes de cobrir.

Para a cobertura, misture delicadamente o cream cheese e o açúcar de confeiteiro. Cubra usando uma colher e enfeite com confeitos.

*Se preferir, faça um bolo único assando a massa numa fôrma pequena.

Que as doçuras sejam atalho e desculpa para muitos encontros. Amém!

**Deu a louca no blogger e a postagem tá uma salada de fontes de letras. Desculpem a poluição.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Nossos dias (em volta da mesa) com Laély"


"Às vezes dá vontade de agarrar a vida com uma, duas, dez mãos e levar à boca, e trincar nos dentes como uma fruta no ponto." 

Adoro caçar palavras para casar com imagens, um exercício prazeroso semelhante ao que o desafio do passatempo  nos traz quando acabamos de preenchê-lo.
Ou quando consigo cruzar o maior número de vocábulos no meu jogo preferido desde a infância, guardado como relíquia, sempre pronto a ser desengavetado se encontro um parceiro para a brincadeira.
A síntese da poesia, dos aforismos, me salva muitas vezes para que o exagero de palavras não roube a potência do que quero dizer. Se associada a fotos significativas, tá feito o registro  do jeito que gosto de guardar aqui o que me é de valor.
Então, para eternizar o feriadão especial com a amiga que pela segunda vez vem me visitar, fiz uma seleção de imagens. Como a ocasião merece, juntei poemas de Roseana Murray, minha "ídola" na maestria de "poetar" o cotidiano, e batizei de "Nossos dias (em volta da mesa) com Laély".


Hoje arrumo as flores
em cima da mesa
as frutas na memória
quero um dia bem simples
alguma luz pousada
na superfície da água ...


Depois de um churrasco bem gaúcho no almoço do feriado, outra mesa nos esperava para dupla comemoração. E enquanto a mãe jantava, nós duas nos embonecávamos para a noite.

hoje chamo para mim
amorosas palavras
que vivam um dia
perto do meu coração
que corram pela casa
com sua mistura de mel e espanto ...


Quem diria que o universo seria tão generoso e nos oportunizaria brindar o primeiro ano do Vero, restaurante do filho, em tão querida companhia. 
Eu fui de peixe... 
e as parceiras apostaram no entrecot com farofa de erva-mate, prato guardado na memória gustativa de Laély desde a primeira vinda a minha casa...
e recebido assim, com entusiasmo de criança.

Sobremesa refrescante na noite com cara de verão prematuro, aquecida pelo reencontro das "três mosqueteiras" (boas de garfo...rs)
e a pose no grand finale, reunindo ingredientes de um verdadeiro banquete pra alma: Jane, amiga-irmã de longo trajeto, e Laély, pinçada nos meus primeiros passos pelo mundo virtual, num golpe que só o Mestre seria capaz de acertar, junto com o autor das minhas maiores alegrias, ambas grandes torcedoras pelo seu sucesso.

No sábado, as meninas subiram à serra e, como amigo costuma fazer, trouxeram na sacola um pedaço do passeio que não pude saborear.

Motivo para mais um encontro na minha cozinha, dessa vez no café da manhã do domingo que, como percebeu minha mãe, amanhecera cinza porque até o tempo já estava triste com a despedida que se aproximava. Mas antes dela, muitos motivos para se alegrar: a geleia de bergamota deliciosa, mimo de amiga recente do Facebook, prova de que a doçura corre solta "online"...
 os biscoitos tenros de Santa Teresa, terra da visitante...

a conversa solta nos papos de mulherzinha
(de tantas gerações), as risadas, o cheiro do café passando,  do pão tostado, a algazarra das maritacas no pinheiro do vizinho...

Cenário e roteiro que lembram novela, protagonistas que se orgulham da coragem que permitiu os valiosos encontros como personagens reais. 

alguém parte com um ruído seco
alguém sempre está partindo.

Mas o presente da visita, que já é de casa, fica. Fica por toda casa, conjugado no passado recente, de olho no futuro próximo. Está ali na parede e faz meu coração dizer um Amém tão forte, que quase ouço seu eco lá no Espírito Santo. Que assim seja!
Para conferir nossos outros encontros, eles estão aqui, aqui,aqui, aqui, aqui e aqui.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Saquinho no bastidor...

... pra guardar as (polêmicas) sacolinhas plásticas, foi a maneira mais prática que encontrei para tê-las bem à mão. Quem tem dificuldade de locomoção sabe que a funcionalidade da casa é imprescindível para alcançarmos melhor agilidade. Mas, como meus olhos acabam priorizando quase sempre o estético, muitas vezes me dou mal com as escolhas, e preciso sofrer na pele, ops, nos ossos,  as consequências para então rever meus conceitos. A cozinha, especialmente, clama por adaptações mais adequadas à condição física, muito por ser o espaço onde mais circulo, fico e trabalho. Em volta do fogão, graças aos céus, adoro a beleza do arsenal de coisas e coisinhas penduradas, outras nas prateleiras e parapeito da janela. Basta espichar o braço e o utensílio está na mão. No máximo, dois passos pra lá, ou dois pra cá. E assim nasceu a ideia de reproduzir o saquinho com base de bastidor que vi em alguns blogs (lembra, Laély?) para colocar as sacolinhas e me livrar de vez do antipático puxa-saco (tem peça mais cafona numa cozinha? Perdoe quem gosta).  E como a intenção é estocar o maior número delas, precisava de um tecido elástico. Lembrei então da camiseta vermelha velhinha, perfeita para o projeto.
Usei um saco de aspirador de pó como molde, antes testado e com a medida certinha para o diâmetro do bastidor.
Recortei, costurei, aproveitando a bainha da barra para o acabamento.
Aí é só "vestir" nos aros e fazer uma alcinha de crochê para pendurar.
Mais um vermelho para energizar  a cozinha.
Que essas pequenas invenções nos tragam satisfação e  impulso para buscar outras maneiras de organizar a vida. Amém.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bolo-brownie de chocolate e maçã

Para deixar o fim de semana mais gostoso, doce, criativo, uma receitinha diferente no fazer e no resultado, suave e harmônico.

Ingredientes:
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
1 colher (chá) de canela em pó
120g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 xícara de açúcar
3 ovos
1 colher (chá) de essência de baunilha
1 maçã grande ralada
60g de chocolate meio amargo
1/2 xícara de nozes ou castanhas-do-pará picadinhas

Modo de fazer:
Peneire juntos a farinha, o fermento, o sal e a canela. Reserve.
Bata a manteiga e junte o açúcar aos poucos, sempre batendo (fiz manualmente).
Acrescente os ovos, um a um, e bata mais um pouco.
Misture a essência de baunilha.
Junte os ingredientes secos, pouco a pouco, agregando bem à massa.
Retire uma xícara da massa, coloque em outra vasilha e misture a maçã ralada.
À massa restante, junte o chocolate derretido em banho-maria, já frio, e as nozes ou castanhas.
Espalhe a metade da massa de chocolate numa assadeira pequena, untada. 
Cubra com a massa de maçã e, sobre ela, espalhe com cuidado a massa de chocolate restante.
Asse em forno com temperatura moderada durante 40 minutos.
Depois de frio, corte em tiras ou quadradinhos.
Uma delicadeza para o paladar! Porque a gente merece e precisa desses carinhos... Amém. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Terapia rimada


Um combo alto-astral alegra minha cozinha, no muralzinho esmaltado.
Palavras generOSAS
+ latinhas de tomate pelado e manteiga
+ pimentas 
e + palavras certeIRAS, na semana anterior, para dar um up na autoestima de uma tia. 
Com um sobrinho hábil assim em tocar a alma com seu carinho curativo, quem precisa de terapeuta?
Que seu recado chegue onde há fragilidades e floresça em força e gratidão.

domingo, 10 de junho de 2012

Com a alma (gaúcha) acordada

Sou gaúcha de meia-tigela no que se refere a muito das tradições. Nessa casa, até o chimarrão é presença rara, desfila apenas entre o povinho do baú para fazer uma graça na sala com as miniaturas adoráveis. Mas o quando o frio chega rachando, como nos últimos dias, reafirmo a certeza de que adoro meu berço gaudério, que não escolheria nenhum outro lugar para nascer e viver. E enquanto muitos queixam-se das mazelas que vêm com as baixas temperaturas, preciso até frear um pouco o entusiasmo seguindo a máxima aquela que gosto não se discute (mas que a gente gosta tanto de desobedecer)
Com o termômetro quase zerado pelas manhãs, e não chegando aos 15 graus com sol alto, a disposição sobe muitos degraus na escala de produtividade.

Queria multiplicar as horas ou ter mãozinhas extras para dar conta de tantas vontades. Elas passam pela cozinha e pelas manualidades, duas paixões que sempre lideraram o ranking dos prazeres, e fazem um fuzuê na ordem das coisas. Cozinhar, mandalar, crochetar, costurar, sem abandonar o posto de cuidadora da mãe, prioridade primeira, nem sempre faz uma boa salada. Estar centrada nos passos de cada tarefa é condição inegável para um bom resultado. Aprendi na caminhada de mais um trecho comemorado recentemente só com aqueles amigos bem de casa, num chazinho tão retrô quanto os sanduichinhos na bandeja herdada da mãe.
O bolo, por falar nisso, o mesmo do níver do filho, está participando de uma orgia chocólotra lá na casa festeira da Bonfa. Dá uma passadinha se quiser votar nessa boleira aposentada (rs), receita número 44. O pequeno confeiteiro agradece em meu nome oferecendo a cereja mais bonita do bolo.
Mas como volta e meia bato de frente com a sabedoria adquirida, aqui estou eu misturando palavras, mandalas que secam, máquina que centrifuga a roupa, de olho na hora dos remédios da minha bebezona,  procurando uma programação na tevê que lhe agrade (tarefa difícil, especialmente aos domingos, mesmo nos canais fechados) e preparando arroz de leite, doce super popular também aqui no Rio Grande.
E como a semana está liberada às fofuras vindas do coração, montei agorinha uma versão romântica  da receita junina, perfumada de canela e do cravo-da-índia que recheia esse encanto de almofadinha, presente da amiga Marli.
As mandalas, costurinhas, crochês e mais outras cositas que andam preenchendo meu tempinho de folga, prometo mostrar logo.  E agora deixa eu seguir a dança das horas, no ritmo do ventinho gelado lá de fora que embala minha alma do jeito que ela mais gosta.Amém.
Atualizando:
A política inexperiente chegou atrasada para pedir voto. A enquete da Bonfa tá encerrada, mas vale a pena a visita para salivar muito com as mais de 60 receitas a base de chocolate com fotos tentadoras.
O cortador de biscoito usado na decoração do arroz de leite ganha novo uso para fazer uma feltragem lindinha. A Maria Amélia ensina aqui.
E a receita do arroz, aqui chamado de leite, mas mais conhecido como arroz doce em outras regiões, é daqui, enriquecido por leite condensado e leite de coco, um casamento perfeito.