segunda-feira, 18 de abril de 2011

Coelhinhos de canela


Se formos ágeis como seu Coelho, ainda temos chances de fugir da mesmice dos produtos de Páscoa que lotam os supermercados e engrossam as filas e presentear com originalidade, no bom e velho conceito eu que fiz que agrada tanto. Sou suspeita nessa indicação, já que não morro de amores por chocolate. Troco rapidinho um bombom por um saquinho de biscoitos amanteigados, ou por casquinhas de ovos recheadas com amendoim doce (amo! e me perco nas calorias enquanto vou enchendo-as). Amo igualmente preparar biscoitos, como já contei várias vezes. Então, usando esta receita aqui, rendosa e delicada, fiz uma boa remessa de coelhinhos, dessa vez trocando o glacê pela prática cobertura de canela. Depois de cortados, pinte a superfície dos biscoitos com clara de ovo...

... e polvilhe uma mistura de canela com açúcar cristal de maneira bem generosa. Leve os biscoitinhos ao forno... ...e depois de assados a cobertura ficará assim: crocante e perfumada.
Aí é só embalar, com infinitas possibilidades pra deixar seu mimo fofo. Optei pelo básico celofane com barbante para não poluir o visual final:
Os saquinhos do kit Feliz Páscoa: sacolinhas coloridas e bem recheadas de gostosuras (e de carinho também), à venda no Café de Bordo.
Que o tempo seja nosso aliado nessa semana curtinha para que pequenas alegrias, como a de inventar moda na cozinha, tenham vez e voz, como tão bem coloca a querida Cris, do Miscelânea, neste post aqui. Amém!

sábado, 16 de abril de 2011

Dias melhores



Se a Quaresma tem-me pedido um reforço na fé (na vida, no homem, no que virá), ao mesmo tempo vem-me presenteando com uma desconhecida força (do corpo e da alma). E assim, agradecendo cada pequena boa nova na recuperação da saúde de minha mãe, os dias começam a voltar aos eixos sustentados pela esperança renovada. Vivenciamos aqui a proximidade da Páscoa com um gostinho todo especial, na expectativa de que a rotina renasça e possamos comemorá-la com um almoço em família na nossa casa, no primeiro passeio da dodói. E nesse embalo, durante a última semana, a cada recreio do posto de enfermeira-aprendiz, arregacei as mangas para ajudar seu Coelho.


Na pequena produção não poderia faltar o ritual tão esperado no ano, e as casquinhas ganharam textura de papel artesanal bem fininho e "pinceladas" de cor com as delicadas imagens de guardanapos de papel.




Não sou muito fã de decoupage, mas gostei do resultado. Gostei mais ainda das horinhas entre cola, papéis e em volta da panela, mexendo os amendoins na calda que, num passe de mágica, agregam o açúcar e se transformam em torrõezinhos crocantes.

No próximo recreio, volto pra mostrar outros movimentos da cozinha no preparo dos recheios das sacolinhas de Páscoa, uma lembrança em pequena escala para mimar aqueles que adoçaram os nossos dias de dor doando o melhor de si. Algumas estão à venda no Café de Bordo. Obrigada por todo carinho dos comentários! Que seguindo as pegadas do Coelho a gente se cruze mais e mais por aqui, abastecidos de entusiasmo. Amém!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Agradecimento

Passo aqui rapidinho para agradecer a todos, de perto e de longe, que vêm nos estendendo a mão nesse período difícil que estamos enfrentando com a mãe doente, recuperando-se de um AVC. Afagos e apoio que nutrem de afeto o peito apertado e reforçam a crença de que, mesmo nos momentos mais dolorosos, a beleza sobrevive graças à luz de corações fraternos e generosos. Cada oração, palavra, abraço, e-mail devolve um pouquinho da alegria da vida e enternece a alma. Ternura pura, como a que desperta a cena do nosso amado Bibi matando a sede com água fresquinha, é ansiolítico potente, e a ela sou muito grata.

Que logo, logo voltemos a nos encontrar aqui para celebrar os encantos que nos aproximam. Amém!

domingo, 6 de março de 2011

Saindo da casca

Pintinhos de pompom, macios, anunciam faceiros a contagem regressiva para a festa do renascimento, e para quem o Carnaval passa bem longe, a referênciados 40 dias que antecedem a Páscoa é o sentido maior do feriadão, ensolarado no Sul, para alegria dos foliões e viajantes. Mal sabem eles, os amarelinhos, a carona que pego nessa promessa, o quanto brincar de transformar fios de lã em criaturinhas fofas tem aliviado os dias aflitivos daqui. Além da ninhada, nascem também figuras crochetadas para montar o cenário onde vão morar.
Um arco-íris em forma de florzinhas, folhas, casca de ovo, arranjados em guirlandas cobertas de verde em tom que lembra relva, que lembra ilustração antiga de famílias de coelhos nos preparativos para a Páscoa.
Nessas cenas campestres, também não podia faltar o cesto recheado de ovos, escondido entre as gramíneas, e, vez que outra, cogumelos vermelhos, que aos meus olhos de criança ganhavam em beleza até dos chocolates. Considerei um pequeno milagre reproduzir essas lembranças tecendo pontinhos, laçadas, misturando fios, texturas...
Trocando a agulha de crochê pelas de tricô, o personagem principal da comemoração ganhou forma rapidinho. Segui os passos dos Chiquinhos (aqui) e o seu Coelho ganhou um jeito meio malandrinho. Prevenido para uma Páscoa tardia este ano, já em clima de outono.... ...enrolou-se num cachecol na cor da sua refeição preferida.
Enquanto bordo os votos em pequenos pontos, envergo arame e cubro-o com muitas e muitas voltas de lã, testo pétalas e invento miolos, a fantasia singela da Páscoa toma os pensamentos, multiplica ideias para outros projetinhos, traz para perto um certo encantamento das fábulas, dá um pezinho para alcançar um recreio da realidade. E se o que nasce das agulhas é puro faz-de-conta, não importa. Por momentos, vale tudo, e então fantasia-se o presente na tentativa de resgatar a sintonia com a beleza. E por pura graça, faz-se a mágica! Os olhos recuperados voltam a encontrar a grandeza da vida, num intervalinho de tempo, começando pelas minúsculas manifestações do sagrado no meu jardim.
"O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega." (Ana Jácomo)
Que a esperança seja nosso norte para chegarmos à Páscoa rendidos ao desejo de acordar o que precisa despertar em nós. Amém!
P.S. As guirlandas estão disponíveis para viajar para casas que curtem esperar pelo Coelho num astral de alegria bem colorida. Para falar com Dona Coelha (rs), entre em contato pelo e-mail: rosanasperotto@hotmail.com

terça-feira, 1 de março de 2011

Recolhida

Amigos queridos do Amém, ando feito caracol que se recolhe enquanto os dias lá fora mostram o poder das Moiras. Respeito a dificuldade com as palavras, especialmente as escritas, confiante que esse será um hiato curto. Enquanto isso, busco fortalecer-me conectando com a sabedoria dessas figuras mitológicas. Há um tempo de fiar, um tempo de tecer, um tempo de cortar. E a Roda, que gira numa constante, induz à serenidade na promessa de que novos ciclos aguardam para nascer. Há um tempo de ser cuidado, há um tempo de cuidar. A estação aqui é de cuidar de quem me trouxe à luz. E em pleno verão, a atmosfera tem nostálgicas nuances de outono...
As imagens (e várias outras da casinha tão linda) são daqui.

Obrigada pelo carinho nos recados preocupados com o sumiço. Mesmo quieta, não estou ausente. Mesmo distantes, vocês estão presentes.
Que o fio que entrelaça nossas vidas siga tecendo pontos de luz. Amém!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Corujas na cozinha

Já passava bem das 23 horas, ontem, quando depois de preparar alguma coisinha rápida para a janta, a cozinha voltava a me chamar. Lembrei das frutas já quase passadas do ponto e resolvi picá-las, ainda sem saber seu destino. Lembrei também do crumble que a Cynthia mostrou esses tempos no Fala, Mãe!, e do tempo que fazia que esquecera dessa sobremesa tão saborosa e prática. Mas encafifei que queria mesmo era um bolo assando. O filho apreciaria encontrá-lo ainda morninho ao chegar faminto do trabalho na madrugada, uma ironia daquelas quase inadmissíveis: depois de cozinhar no capricho por horas a fio, o chef traça o que estiver na mão quando aporta em casa.

Bolo+frutas+crumble: estava resolvida a charada.
Preparei a massa batendo na batedeira (vantagem de quem mora em casa, sem vizinho perto, e pode fazer barulho à hora que lhe der na telha) 100g de manteiga sem sal com 1 xícara de açúcar até esbranquiçar. Juntei 2 ovos e bati mais. Depois, intercalei 2 xícaras de farinha de trigo peneiradas com 1 colher (sopa) de fermento em pó com 1/3 de xícara de leite e voltei a bater. A massa fica firme. Temperei com raspas de casca de limão e açúcar de baunilha. Coloquei numa fôrma pequena, untada e enfarinhada. Cobri com a salada de frutas (banana, maçã, abacaxi e até mamão).
Improvisei uma porção pequena de crumble: 1 xícara de farinha de trigo, 1/2 xícara de açúcar, 2 colheres (sopa) de manteiga gelada em pedacinhos e canela em pó. Mistura-se com as pontas dos dedos para formar uma farofa. Polvilhei as frutas com uma camada generosa do crumble e foi para o forno, em temperatura alta nos primeiros 15 minutos, e média até terminar de assar. Enquanto o calor tratava de fazer o bolo crescer, e como o verão deu uma trégua nas últimas duas semanas, pude esperar na mesa próxima ao fogão. Busquei o bordado que vem me distraindo e continuei a delimitar os traços da mandala pintada com uma técnica anárquica que assim que estiver pronta mostro. Casa quietinha, perfume do bolo fugindo do forno, meditação ativa proporcionada pela agulha na sua cadência de pontinho em pontinho.


Me olhei de fora e me vi nesse ritual por uma vida toda. Até mesmo quando lá fora os tempos são pesados, como agora, a cozinha é refúgio de uma tranquilidade prazerosa que só os que "surfam nessa praia" podem compreender. Se associada ao outro grande prazer, o fazer nascer uma nova manualidade, a química então funciona em dose dupla. Dei graças ao meu cérebro por ser pouco exigente, por ser capaz de processar meus pequenos prazeres e assim produzir a mágica de espantar os fantasmas pra longe, nem que seja por um intervalo não tão longo. O bolo ainda assava quando resolvi dar uma escapada para a virtualidade, uma espiada pelos posts recentes dos blogs amigos. Pois não é que aqui encontrei uma outra coruja (que faz lindas corujinhas entre tantas belezuras) assando bolo enquanto o povo dorme e refletindo na mesma linha que eu! Não poderia ir dormir sem comentar assim com a Ana (Sinhana):
Essa não valeu, Ana! Tô aqui, meia-noite e meia, com um bolo ainda no forno, matutando sobre essa coisa meio milagreira que a cozinha faz, a de afastar meus fantasmas, quase sentando pra escrever sobre isso, e daí entro na tua cozinha e vejo reflexão tão semelhante. O bolo aqui é de salada de frutas (sobrinhas da geladeira), mas já fui bisbilhotar esse aí no Quitandoca e é o próximo da lista. Beijo, boa noite!
Fui pra cama depois de desenformar a produção noturna triplamente recompensada. O filho gostaria do afago doce e de saber da minha motivação apesar dos pesares. A mandala ganhara mais alguns contornos e já se mostra mais inteira, por tabela, eu também. "Cacei" uma coruja do meu parlamento (coletivo que acabo de aprender pelo sábio Google)! Embora as criaturas olhudas sejam bichos solitários, não estou mais sozinha nos voos à noite pela cozinha, enxotando as nuvens carregadas que teimam em fazer ninho sobre minha cabeça.
E para fechar o turno, antes de trancar as janelas, me dei de presente uma fatia de bolo quentinho e um copo de suco de uva para brindar o melhor que esses caminhos virtuais nos trazem: o encontro com nosso bando.
Que outros cheguem, que as afinidades nos fortaleçam mais e mais. Amém!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Costurar, bordar, crochetar, recortar, colar...

Eis a receita descoberta ainda criança e desde lá seguida à risca para não "pirar". Na companhia de linhas, agulhas, tecidos, mais fácil fica lembrar que a vida segue mostrando sua beleza, todos os dias, mesmo quando o céu fecha a cortina e aqui embaixo precisamos fazer um esforcinho maior para lembrar que o sol mora sempre lá, soberano, bem no alto, onde nossos olhos nem sempre conseguem ver.
Então, em tempos de aflição com mãe doente, minhas mãos imitam as delas, tão habilidosas, e trabalham para ajudar a descansar a mente e sossegar o coração. E assim nascem, meio que milagrosamente, coisinhas coloridas, um sinal que me alegra e tranquiliza: a receita continua funcionando.
Talvez em busca de aconchego, fiz almofadas. A primeira, uma cena idêntica a que não cansava de desenhar quando menina. Com os recursos da patchcolagem, aplicar formas de tecido é quase uma brincadeira de montar. Ah se aquela menina tivesse um rolo de papel termocolante.... - imagino enquanto costuro.

A outra comecei a crochetar o miolo pela estrada afora, na volta de Garopaba. Depois foi só fazer um fuxico gigante, recheá-lo com manta acrílica e costurar a mandala colorida no centro. Fiz também uns biquinhos de crochê em volta, para modelar melhor a peça e dar um arzinho ainda mais de vovó.
Para completar o canto do crochê, o xale trazido da praia no encosto do sofá e a primeira almofada crochetada aqui. Porque gracinha chama gracinha, a boneca vintage volta e meia recebe a companhia dessa outra fofura, que se encarrega de "enfeitar" as almofadas com seus pêlos branquinhos. Nada que boas sacudidas (nas almofadas! rs) não resolvam.
E a outra metade do coração aquele, que sábado ficou famoso lá no BananaCraft (obrigada, Dani!)? Ganhou outra personagem e a mesma frase para presentear a sobrinha. Para uma alminha-gêmea da minha, pude soltar o freio, abrir as janelas da imaginação, e aí as borboletas e abelhinha voaram em bando para alimentarem-se das ideias da menina-flor. Colhi zínia rosada e lavandas bem cheirosas e amarrei no presente embalado. Acho que a menina-flor aprovou, parece que até a ouvi batendo palminhas lá dentro. E a menina aniversariante, essa fez o mesmo, mas com seus olhos, em piscadinhas de tanta luz!
E enquanto alinhavo o post, a voz que acorda a memória da sabedoria repassada começa a me assoprar fragmentos de uma das mais belas orações, reconhecida assim pela semente mais funda da minha alma. Vou atrás dela e reencontro um tesouro em forma de livro. Uma pausa para mergulhar na força de um jardim. O pequeno livro, O jardineiro que tinha fé, da minha valiosa mestra Clarissa Pínkola Estés, na íntegra você encontra aqui. A oração divido com vocês:


Recuse-se a cair.
Se não puder se recusar a cair,
recuse-se a ficar no chão.
Se não puder se recusar a ficar no chão,
eleve o coração aos céus e,
como um mendigo faminto,
peça que o encham,
e ele será cheio.
Podem empurrá-lo para baixo.
Podem impedi-lo de se levantar.
Mas ninguém pode impedi-lo de elevar seu coração
aos céus — só você.
É no meio da aflição que tantas coisas ficam claras.
Quem diz que nada de bom resultou disso
ainda não está escutando.

(A florzinha singela nascida do considerado inço, numa frestinha de nada de terra na minha escada, é a oração viva, e a ela dou vivas!)
Amém!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Somos o que amamos (com PAP)

Não tenho nenhuma dúvida, a afirmação linda de um dos meus "gurus" mais amados, Rubem Alves, é tão verdadeira quanto seu dom lapidado de ler e descrever os pormenores da alma humana. E se somos o que amamos, muito cuidado (rs): tão fácil fica nos decodificarem pelo o que nos rodeia, por nossos amores, pelas escolhas que fizemos por amor, por nossa turma que se encontra pelos caminhos do coração.
Escolhi a frase para o primeiro cenário dos muitos que pretendo criar para citações que me falam à alma. Mas não foi dela que partiu a inspiração. As formas muitas vezes me dizem mais que as palavras. Então, tudo começou assim, numa caixa de bombons, presentinho escolhido com segundas intenções (rs) para o marido. Amei o coração gordo, e sabia desde a primeira olhada na prateleira que ele poderia render bem mais que um agrado para um chocólatra.
Forrei o fundo da base.
Encapei o lado interno e o externo com tecido floral.
Escrevi a citação com caneta para tecido em retalho claro e colei.
Depois, dei à luz uma menininha com cabelos coloridos que ama flores. Desisti de fotografar a "gestação" pelo improviso e jeitinhos que vou dando para formatar as bonequinhas. Sorry! O corpo normalmente é de arame, que torço, emendo, amasso. A cabeça, um fuxico, e as roupinhas, é só lembrar dos tempos em que brincar de costureira das bonecas eram horas que não se via passar. Acomodei a menina na sua casa-coração e escolhi dois outros elementos que me revelam para lhe fazerem companhia: flor de renda e borboleta (amor dos mais antigos).
O quadrinho se juntou a outras coisinhas que amo, e a parede ganhou outra vida com sua recém-chegada moradora. Amei!
Mas se amores antigos têm seu lugar sempre reservado, novos amores arejam a vida com ventinho de renascimento, eu sei. Talvez a frase pinçada para o segundo cenário anuncie que Saramago, tão amado por multidões, está se chegando devagarinho, fazendo a corte e, quem sabe, perderei a resistência várias vezes experimentada com seus livros nas mãos e acabarei seduzida por sua genialidade ainda encoberta pra mim.
Em temporada de procrastinação de verão, seu recado precisa ficar bem à vista.
E foi então parar em cima do espelho, garantindo que será lido, ou ao menos visto com o cantinho do olho. No mesmo espaço do corredor (corre, não! - diz o mestre), outro coração, outra menina, esta uma fadinha também nascida aqui, a almofadinha ganha da amiga Helena, que de tão mimosa se negou a morar na caixa de costura, e a guirlanda do pinheiro, que caiu nos meus amores e agora enche de graça a moldura. Lá no fundo da imagem refletida, as luzinhas de Natal enfeitadas de flores, que já foram do quarto, agora ganharam permanência por todo ano no vão entre a sala e a cozinha. À noite, acendem de vez minha faceta indisfarçável de quem precisa de um clima um tanto mágico e de diferentes expressões da beleza para assegurar (um certo) equilíbrio com as outras facetas da vida, aquelas que não amamos, mas que devem ter, com certeza, suas razões para nos desafiarem.
Para não nos perdermos por aí, que em tempo algum a gente perca de vista o que amamos. Amém!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Outros achados em Garopaba

Como prometido no post de ontem, vamos seguir no garimpo pelas ruas, algumas bucólicas, de Garopaba. Para quem está chegando agora, clicando aqui você vai ao começo desse passeio. Para as meninas que se entusiasmaram com os achados e se perderam na minha situação geográfica, a amarga realidade (rs): voltamos de Santa Catarina ontem, e neste momento, o panelão escaldante do Vale do Sinos (RS) chia. Aff!
Voltemos então rapidinho, ao menos pelas imagens, ao paraíso!
Gosto muito desta casa, e sempre dou uma paradinha, como manda a placa (rs), para namorá-la. Casas me fisgam em qualquer escala, e assim como a Regina, do lindo blog Casa de Retalhos, sou obcecada por elas em miniaturas, em todos os estilos.
Imaginem então meu encantamento na frente desta luminária, com direito à cortina de bolinhas...
... e desta outra, uma casa de orações, réplica da Igreja Matriz, na ponta sul da praia que preserva o astral, o cotidiano e a história dos pescadores.
Como o dia anunciava mais chuva, a Feira de Verão foi a salvação para seguir explorando as maravilhas artesanais dos catarinenses, que há décadas respeito pela qualidade e originalidade. As casinhas, e outras peças bacanas de cerâmica, também estão expostas lá. Aqui, assim que coloquei o pé, sabia de antemão que a Susi, do Copy&Paste, fã incondicional do crochê, se sentaria para ver tudo com calma. Eu, perdi as palavras com o xale e, logo adiante, a voz, com o preço da peça em liquidação: 15 reais! Não é justo - me cobrava - com a mão na carteira. E a crocheteira só fazia aumentar minha culpa: Não paga nem a linha... - Eu sei, minha senhora, como sei! - murmurava com os olhos nas possibilidades. Fim da novela: ele veio comigo, mas provavelmente vai cobrir não meus ombros, mas o encosto da poltrona.
Só porque o Natal ficou logo ali atrás no calendário, resisti às muitas formas e formatos dos pequenos presépios temáticos dos bolivianos, sempre presentes com seu artesanato típico nas feiras aqui do sul. Sei que em dezembro lembrarei, e me arrependerei, mas...
Voltando à rua principal, a Flor de Vênus é sem dúvida a esquina mais encantadora aos meus sentidos. Extremo bom gosto somado a muita sensibilidade e pitadas generosas de ousadia só poderiam render um espaço que é cara e a alma da sua dona, a querida e talentosa Jane. Fico devendo para a próxima visita imagens das roupas artesanais, peças únicas belíssimas, carro-chefe da loja. Deixo a bolsa registrada como prova singela das minhas palavras.
Na outra vitrine, a maior delas, habitualmente dedicada a fadas e mandalas, este verão exibe esta ideia luminosa que muitas de nós já namorou pela net e que a criativa Jud ensina a fazer aqui. Várias lâmpadas foram transformadas em vasinhos, decoradas com glitter dimensional, pedrinhas, linhas, com efeito super delicado, perfeito para compor a cena junto com as criaturinhas aladas e as ¨bolachonas" de vidro. Sucesso reconhecido pelos veranistas que não se cansam de fazer um pit stop para admirar.
Bem ao lado, outras ideias luminosas na loja que produz suas próprias velas (e que, perdoem, esqueci o nome). Como já trabalhei com esse tipo de produção, dou um valor e tanto às peças bem-acabadas e criativas. Mas foi na calçada que parei mais tempo para olhar muitas vezes o expositor. Lembrei do pinheiro de sobras de madeira que fizemos aqui, e também deste endereço aqui, que "faz chover" com esse material.
Mas nem só de programas crafteiros se faz umas micro-férias gostosa. Outros achados também ficam para lembrar com ternura. Na pousadinha, uma menina felina demarcou seu território e ninguém ousou querer jogar xadrez e interromper sua soneca .
E os novos amigos (um deles mergulhando), todos com menos de 10 anos, dividiram muito na boa a hidro, os planos de verão, o papo solto e se ofereceram até a repartir a sobremesa, uma musse rápida de capuccino, que a mestre-cuquinha passou a receita com maior gosto.
Será que eles também se agitaram, meio eufóricos, para atravessar o túnel de Morro Alto? Na ida, o debut. Na volta, cliques e mais cliques para ilustrar o ditado tão batido, e tão verdadeiro: Quem procura, acha! Acha até a luzinha no fim do túnel!
Obrigada pela companhia, meninos parceiros de viagens de toda vida. Obrigada pela companhia, seguidores de fé do Amém. Que a gente continue juntos procurando e... achando! Amém!