sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sexta de ideias (2)



Crianças em casa, férias curtinhas de inverno aqui no Sul. Por 20 anos, esta foi a pauta da última semana de julho do Sininho, caderno infantil do Jornal VS, meu filho virtual. O trabalho de criação do caderno, sempre por temas, me deixou um baú abarrotado das melhores lembranças, a valiosa sensação de ter cumprido o melhor de mim e também me fez uma pessoa temática. Mesmo que às vezes lute para me desvencilhar dessa mania de querer englobar assuntos e produções dentro de um único foco, quando vejo já tomei o velho caminho, e lá estou eu tematizando. Então, pra matar a saudade de desenvolver ideias para a criançada, nesta "Sexta" sugiro um teatrinho de sombras para curtir com os pequenos desde a montagem dos personagens, roteiro até a apresentação. A atividade, com as fotos, foi publicada no suplemento, mas como plagiar a si próprio não é pecado, aqui estão elas para inspirar mamães, papais, dindos e, quem sabe, professores. Você pode escolher personagens em sites de imagens ou, para facilitar, abrir e imprimir a imagem do rinoceronte (se a memória não me prega uma peça, Quindim, do Sítio do Picapau Amarelo), colar em cartolina e recortar. Depois, fixe um palito de churrasquinho no avesso da figura. Monte o palco esticando e prendendo um lençol em um canto de paredes, de preferência com um sofá ou poltrona dentro para que o artista possa se esconder. Providencie também um abajur para iluminar e projetar a sombra. Reúna a galerinha e apague a luz do cômodo, momento tão esperado pelos artistas e público. Deixe a gurizada inventar uma historinha, improvisando falas e movimento, enquanto manipula o personagem. Eles com certeza surpreenderão, como costuma acontecer com crianças estimuladas a inventar a moda, não é, Elisa e Laély?

Bom espetáculo! Amém!

Atualizando: a querida mentora do Sexta de Ideias, a Cris, mostra hoje como segredar de um jeito muito fofo, a Carol, a fazer um borboletário lindinho , e a Bela revela as manhas para confeccionar um saquinho de tecido com o capricho que diferencia suas peças. Vale conferir, vale participar também!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Uma fadinha grávida

Parece que está virando moda anunciar presentinhos primeiro aqui e esperar a reação do presenteado, rezando para que ele dê uma passadinha pelo Amém e seja surpreendido. Quando isso não acontece espontaneamente, não resisto e deixo um recadinho no e-mail, do tipo: "Tem uma surpresinha pra ti lá no blog"!, como fiz com a Jane. É legal ver que logo, logo a visita bate à porta e dá retorno, faceirinha.
Parece também que nos últimos tempos, esses gelados, chuvosos e de rotina alterada pela atenção à minha mãe, a síndrome de caracol vem fazendo casa em mim. Encolhida na rotina, estar com as pessoas queridas virou artigo de luxo, e tem me feito muita falta a companhia delas. Até mesmo os aniversários, sagrados na minha agenda, nesse semestre muitos ficaram sem o abraço ao vivo. Assim foi com a Tina, sobrinha que é vizinha de muro, e que mesmo com a proximidade, acreditem, recebeu os parabéns por torpedo. Questiono se essas facilidades atuais não estão também a serviço do distanciamento, quando tanto aplaudimos as distâncias encurtadas que elas nos oferecem. Com certeza, há algumas poucas décadas, sem os recursos virtuais de hoje, nem o frio, nem a chuva, nem o cansaço justificariam deixar de abraçar uma pessoinha especial. Mas, saudosismo não parece muito produtivo...

O post então é outra ferramenta moderna para tentar me redimir pela dupla falta com a mãe do Murilo. Dupla porque também ainda não a apertei contra o peito para dizer-lhe da alegria de vê-la grávida pela segunda vez para nos presentear com mais um(a?) sobrinho(a?)-neto(a?).

Para tocar a alma daquela menininha que circulava livre pelo nosso pátio numa época em que não nos preocupávamos com muros e portões (ô saudismo que não larga do meu pé), fiz uma fadinha. Delicadamente exibida como só as grávidas conseguem ser, abraça a barriguinha.



Cabelos fartos, presos, e asinhas de folhas de roseira.
Que ela fique como lembrança desses meses de espera pela reedição do maior milagre da vida. Que ela abençoe o novo amor dessa querida familinha. Amém!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sexta de ideias


A Cris convidou (e continua convidando) para brincarmos numa roda de ideias nas sextas-feiras. Adorei a proposta, assim como adoro a Cris, sensível, descolada e super talentosa no seu mundo "miscelânico", e outra amiga querida que aceitou o convite e tem se empenhado nos seus PAPs, a doce Bela. Então, fazendo de conta que estamos sentadas na mesma mesa, com os materiais espalhados numa bagunça daquelas bem boas e com muita vontade de inventar moda, faço minha estreia com um projetinho simples: um abajur repaginado, vestido com uma guirlanda de retalhinhos. Tomara que as companheiras aprovem e que as minhas visitas gostem.
Vamos lá então: para a guirlanda, fiz um aro com duas voltas de arame com diâmetro um pouco menor que a base da cúpula. Depois, cortei muitas tirinhas de tecidos variados e fui amarrando com dois nós, misturando as estampas em grupos.
Para fazer uma graça, juntei três flores preparadas com fita de cetim e tecido xadrez. É fácil dar forma a elas, franzindo a fita, dando voltas e costurando na base. Fico devendo o passo a passo porque a guirlanda já estava pronta, na verdade, ela já foi um enfeite de Páscoa. Dar novo uso ao que temos à mão é um exercício que gosto, desafia a criatividade e muitas vezes rende mais do que imaginamos.
Depois de coberta, a guirlanda ficou assim:

Daí foi só vestir o abajur do quarto e salvá-lo da mesmice.

E para me encantar em dobro, trouxe de volta uma figura cheia de significados para morar no ninho de retalhos, bem ao lado da minha cama.

A saudação que ela faz no cartão acabou meio escondida na composição, mas como é uma das que mais me tocam, basta olhar para lembrar: "O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você". Namastê!Quer brincar com a gente, ter um encontro marcado nas sextas? É só chegar! Será uma alegria ver crescer essa ciranda, não é mesmo, Cris e Bela? Amém!


Atualizando: tem mais gente arteira de mãos dadas com os projetos de sexta: a Carol, do Ideias + Ideias, mostra hoje um coletinho muito fofo. Espia lá!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Friiiio e as amigas cancerianas


(Para ver o PAP do bonequinho clique aqui)


Há bem mais de uma semana os gaúchos buscam alternativas para não "encarangar", expressão ressuscitada nesse julho congelante, num misto de humor e uma certa aflição que as temperaturas bem abaixo dos 10 graus têm provocado, até em quem gosta do inverno desde sempre. Sou dessa turma, que espera ansiosa pela temporada de se deliciar com os raios quentinhos de sol, dos blusões sobre blusões, bolsa de água quente na cama, fogãozinho a lenha aceso, banhos bem demorados com água quase escaldante (sei, sei, nada aconselhável para a pele e o cabelo, mas nesse friozão, mais me valem esses minutos de relaxamento). Mas confesso: esse inverno como os de antigamente anda me mostrando sua face pouco romântica, a mais clara delas, que não combina com convalescentes. As dificuldades na rotina de minha mãe, que passou por uma isquemia, aumentaram tanto com esse clima, que adoraria ter uma varinha de condão para trazer à luz uma primavera prematura. Sem o poder da mágica, rastreio a meteorologia em busca de boas notícias, torcendo por dias que amanheçam menos frios e mantenham a temperatura próximas dos 20 graus. Hoje me entusiasmei. De acordo com os homens e mulheres do tempo, isso deverá acontecer na próxima semana. Um alívio, quem diria!
Inverno é tempo tão bom para as manualidades, que quem dera poder me dedicar a elas com a mesma intensidade desse frio histórico. Mas sempre é possível dar um jeitinho para fazer aquilo que supre um pouco da nossa carência de prazer. Então, montei uma super bolsa com materiais de fácil transporte, com lãs, agulhas, linhas, paninhos. É a minha parceirona do dia a dia, já pula no meu ombro e acompanha o vai e volta entre as casas. Mesmo que muitas vezes não consiga fazer mais do que duas carreiras de tricô ou crochê, ou bordar mais que alguns poucos pontinhos enquanto cuido da minha doentinha, é uma garantia de que posso ter alguns minutos de distração, e isso ajuda, e muito, a dar um colorido às horas.


Amigos cancerianos (lunáticos, sensíveis e amorosos de seu jeito que adoro), tenho vários deles, que estão trocando de idade, também dão um empurrãozinho nas pequenas produções. Com data marcada para os presentes, acabo mais comprometida e com maior agilidade. E assim tem nascido alguns mimos para dizer o quanto eles me são especiais.
Aqui, um presente anunciado, para fazer diferente dessa vez. Se a presenteada, que aniversariou no sábado mas ainda não ganhou o abraço nem a declaração de amizade, passar por aqui, aposto na ideia de que o protocolo quebrado possa ser uma maneira inédita de agradá-la.


Minha amiga-irmã de tantos anos é a prova de que o Poetinha sempre tem razão. Nos (re)conhecemos em meio a um grupo grande de trabalho e fomos laçadas pelo afeto que perdura em todas as estações da vida. Um presentão daqueles!
A almofada florida ficou tão alegre! Alegria de viver é o que mais lhe desejo...
... junto com bom humor, que os poás remetem.
Lá longe, no Espírito Santo, outra amiga querida também assoprou velinhas recentemente.
E aquele paninho que mostrei aqui no último post seguiu viagem para sua cozinha que me recebeu com quitutes e carinhos inesquecíveis, coisa que todo bom canceriano tira de letra. Amizade tão próxima nascida pelo mundo blogueiro que dá a ele um sentido maior e faz valer a pena nosso empenho e atenção às nossas casas virtuais.


A terceira canceriana da lista das maiores amigas, bem diferente das duas primeiras, ama o verão, e ama sua casinha de quatro rodas onde passa todo e qualquer tempinho de folga. O cenário campista tratou de reforçar a amizade iniciada pelos filhos, isso há quase 30 anos! Nos últimos meses, tem sido meu porto seguro, atendido com generosidade sem fim todos os meus pedidos de help e comprovado que médicos por verdadeira vocação fazem da profissão uma linda missão de luz.
Imprimi minha gratidão no panô.

Desejei que seus dias felizes sejam multiplicados, e que possamos continuar compartilhando desse amor à simplicidade que as estadas junto à natureza tanto nos proporcionam.
Embalei de um jeito também simples.

A mensagem se estende junto com meu abraço afetuoso a todos que batem à porta do Amém e entram com o coração disposto a aquecer o que temos de melhor: a reconhecer o melhor do outro. Amém!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vermelho e azul com bolinho

Será que a histórica rivalidade entre colorados e gremistas, apesar de não curtir futebol, era a razão da minha antipatia de até bem pouco tempo pela combinação vermelho e azul? Ou seria culpa da associação com a bandeira norte-americana, que segue não caindo nas minhas graças estéticas (nem com todo talento da rainha do craft Martha Stewart inventando moda para as comemorações do 4 de julho), muito menos nas graças políticas e tanto mais que representa? Uma coisa é certa: nem tudo que repudiamos um dia permanece nos causando mal-estar. De outra coisa também não tenho dúvidas: o olho desperta para novidades quando menos se espera e, aí, o que até então desagradava, num belo dia mostra sua outra face. Quando vimos, temos novos amores. Assim, com a colaboração de uma profusão de imagens casando azul e vermelho pelos blogs afora, acabei rendida. Hoje engrosso a turma dos apaixonados pelo casamento dos rubros com celestes, turquesas, anis...



Renovei então a despensa das linhas e tenho palpitações a cada descoberta de um novo tecidinho que conjugue as cores, como o da toalhinha que me acompanha nos últimos dias. Ela já deveria estar pronta e ter tomado o rumo da casa da presenteada, que aniversariou ontem, mas faltou mão e sei de antemão que serei perdoada pelo atraso. Confiança que as amizades estabelecem como só elas, né? Tem também aqueles em quem confiamos de olhos fechados enquanto abrimos o pacote, os que acertam sempre na escolha de nossos presentes. Com o filho é assim, a afinidade mútua com a cozinha garante, mesmo que nossos olhares de menina e menino, de amadora e de profissional, peguem caminhos opostos nos detalhes. Muitas vezes ele consegue driblar a situação e encontra um caminho do meio, com peças "unissex". Noutras, se rende um pouquinho às mimosices que sabe renderão um plus de alegria na alma cor de rosa da mãe, e ganha o dobro de beijos. No Dia das Mães, não deu outra: as xícaras em pares vermelhos e azuis, em tons vintage, me fizeram feliz em dobro. Pela beleza das peças de louça portuguesa e por sua sensibilidade para conhecer até minhas paixões recentes, ataca-me a corujice cada vez que vão à mesa.
Nessa semana cinzenta, suas cores parecem mais desbotadas nas fotos, mas ao vivo, garanto que ajudaram a quebrar a monotonia dos cafés, mais ainda tendo como fundo as cerejinhas da Bela. Mas faltava um item nesse cenário para entrar por instantes no País das Maravilhas. Bolinhos, é claro! E para buscar outras novidades, testei o Bolo de Cenoura e Nozes, da última edição da Claudia Comida&Bebida, dispensando recheio e cobertura, requinte e calorias demais para uma Alice de mentirinha.

Vale experimentar:

1 cenoura grande ralada grosso

1/2 xícara de nozes trituradas

1 xícara de açúcar

2 ovos grandes

90 g de manteiga sem sal derretida
1 1/2 xícara de farinha de trigo

1 1/2 colher (chá) de fermento em pó

1/2 colher (sopa) de bicarbonato de sódio

1/2 colher (chá) de canela em pó

Na batedeira, bata a cenoura com as nozes e o açúcar.

Junte os ovos e a manteiga e bata por mais um minuto.

Sem parar de bater, adicione a farinha misturada com o fermento, o bicarbonato e a canela até a mistura ficar homogênea.

Em fôrmas ovais de 12 cm untadas e polvilhadas com farinha (usei uma pequena de orifício central e outras de papel para cupcake), leve ao forno moderado, preaquecido, por 25 minutos ou até dourar.

Rendeu 6 bolinhos, de massa delicada e sabor suave, deliciosos.

Bom final de feriado, quem sabe com bolinho, hum? Amém!

domingo, 19 de junho de 2011

Agulhas & poesia

Minhas mãos continuam as mesmas, quase sempre dispostas a encarar projetinhos artesanais, já as palavras, às vezes parece que o gato (Bibi?) roubou. Daí, a melhor carta na manga é chamar os poetas, entregar-lhes a missão de dar significado ao que nasce meio no escuro aqui.

Fala, então, meu querido Rubem Alves, e diz que fascínio é esse que me toma juntando mandalas de crochê:

"Gosto de armar quebra-cabeças. Nome errado. Eles não quebram a minha cabeça. Ao contrário, põem a minha cabeça no lugar. Nome mais apropriado deveria ser “junta-cabeças”. Todas as atividades que implicam arrumar, armar, juntar, montar, tecer têm uma função terapêutica. Elas ativam processos organizatórios das emoções e das idéias. Juntando as peças do meu junta-cabeças sobre a mesa vou juntando as peças do meu junta-cabeças interno."
E sobre o xale tricotado, o que tens a lembrar?

"Dizem alguns, entre eles Jung, se não me engano, que “coincidências” não existem. Coincidências, eles dizem, só são coincidências quando vistas na face direita do tapete. Mas, se pudéssemos olhar o avesso, encontraríamos os fios do destino que fizeram aquele encontro inevitável. Os homens veem o direito; os deuses tecem o avesso."

Vê só, Rubem, experimentei um recadinho dos deuses há pouco, aqui, ó: combin(ação).

E pra fechar com palavras de ouro, uma grande poeta de alma encantadoramente crafter, Marina Colasanti, que me fez buscar a imagem de um pedacinho do meu reino das coisas miúdas:

"As coisas que quase ninguém vê e as coisas pequenas me seduzem muito. Gosto de costurar, gosto de fazer tricô, gosto de bordar. E tenho muita paciência. Posso desmanchar uma saia inteira, se ela não ficar do jeito que eu queria. Eu estou sempre interessada no detalhe, nas coisas pequenas, nas belezas encobertas. Tenho a sensação de que, quando estou entretida no pequeno, me aproximo mais de mim. O pequeno é uma roupa de escafandrista, uma roupa de mergulhar... " Obrigada, donos de tanta inspiração, por puxarem a ponta do novelo com tamanha delicadeza e desenrolarem o que tantas vezes se embola em nós dentro de nós, tecendo pontos de luz para nos acordar. Que a poesia nos salve sempre. Amém!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Combin(ação)

Era uma vez dois buquês de rosas singelas cultivadas por uma inesquecível figura que já apresentei aqui: dona Julita. Se ainda não a conhece, pegue este atalho e garanto que também a guardará num cantinho iluminado da memória.

Eram quase duas da tarde quando os namorei de longe, enfeitando sua Kombi estacionada no acostamento da BR 116, em Morro Reuter (RS), recheada de legumes, hortaliças, frutas, "sem veneno", como se orgulha.

Foram primeiro duas mãos que se apossaram rapidinho de um deles, as minhas, depois da inevitável dúvida: qual o mais bonito? Dúvida sem resposta, já que os dois reuniam flores igualmente encantadoras de duas mesmas roseiras-mães, uma cor de rosa clarinho, outra, branco quase manteiga.

Dois instantes depois, uma olhada para essa casa da vizinha, e com dois sorrisos abertos nos saudamos. Ela desce ao nosso encontro. Outras duas mãos ansiosas se apoderam do buquê gêmeo antes do abraço gostoso do reencontro. E essas mesmas mãos que acariciam as pétalas enquanto propagandeia o perfume das flores, mãos que também lidam com maestria com a terra, em outro estado, a argila, clica e eterniza a beleza nascida no jardim da agricultora. Olha ela aí!


(Foto: Anelise Bredow)


Com dois beijos, de comadres, me despeço da querida senhorinha da Kombi.
Com dois cafés somos recebidos no intenso casarão vermelho da Anelise, palácio de uma princesa que vive de arte, e com dois dedos de prosa já sabemos que, se o relógio permitisse, a tarde passaria a galope entre tantos assuntos que nos linkam. Fica pra outro dia. Outros dois beijos selam a amizade e as mãos que abanam prometem um até breve.

Até chegar em casa, faceirinha com os dois encontros, com o passeio que sempre me devolve a fatia da natureza que me faz falta, estive cega à outra ação combinada involuntária tão linda. Mas assim que coloquei os dois pés na cozinha com o pequeno ramalhete e meus olhos pousaram na toalha companheira do dia-a-dia, tive um up de alegria. Não é que as rosas trazidas são iguaizinhas às estampadas no oleado "vitoriano"?! Pelas belas combinações que surpreendem e desbancam nossa mente tantas vezes convencida de ser a única roteirista das nossas histórias, pelas perfeitas sincronias, em três vozes com as duas amigas deixo a mais pura oração...

(Foto: Anelise Bredow)

Gracias a la vida, que me ha dado tanto! Amém!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O aniversariante e seus bolinhos

Na véspera do aniversário do meu fiel escudeiro, como diz a querida Helô, o sobrinho Bruno, mostramos que levamos mesmo a sério a constatação aquela que diz que a festa começa nos preparativos. Prontinho para comemorar sua primeira década, vestiu o avental e provou que nesses 10 anos aprendeu bem mais das lidas da confeitaria do que essa tia julgava. E como num desses reality shows gastronômicos, abraçou o desafio e o bowl delegando-me a simples tarefa de auxiliar na orientação dos ingredientes e na logística do forno e coberturas dos seus bolinhos.
Resolvemos preparar duas receitinhas da Ana Sinhana, várias vezes testadas e aprovadíssimas. Esta
daqui permite muitas variações, como mostrei aqui. Aproveitamos essa outra sugestão da Ana e os pequenos cortadores de biscoito entraram em ação. Muita calma nessa hora - pedia ao petit patisserie - mas mesmo que eles rachem um pouquinho, depois de "nevados" a imperfeição desaparece.




E a neve de açúcar de confeiteiro cobriu as tampinhas recortadas (e parte do chão da cozinha...rs).

Usando o doce mais saboroso que meu paladar elegeu quando criança e nunca perdeu o posto, o leite condensado cozido na lata, fizemos uma ganache agregando colheradas dele com chocolate meio-amargo e um pouquinho de creme de leite. Tudo misturado em banho-maria, ganhou uma consistência ótima e açúcar na medida. Recheamos os muffins com uma colherada farta e os vazados ficaram bem preenchidos de marrom escuro, num belo contraste.

É chegada a hora tão esperada de colocar as etiquetas preparadas por Bruno com antecedência. Criar e assumir a assinatura é quase um rito de passagem nessa época boa da vida, não é mesmo? Treiná-la, lembro bem, ocupava páginas dos cadernos. O "quase pré-adolescente", como se define, exercitou bastante personalizando a produção, e se saiu bem também nessa etapa.
Na segunda fornada da mesma receita, usamos rodelas de banana, polvilhadas com açúcar e canela, distribuindo um pouquinho de massa no fundo das forminhas de papel, banana e outra camada de massa. Depois de assados e frios, foram cobertos com a sobra do leite condensado e um detalhezinho da ganache.

Mas não poderiam faltar os bolinhos mais amados pelas crianças (as grandes, inclusive), e os cupcakes de chocolate mostrados nesse outro aniversário ganharam confete sobre a ganache (que ainda sobrou para o confeiteiro comer purinha).

E como o dono da festa é "multifuncional", fechamos a cozinha com o garoto-propaganda fazendo o marketing do seu próprio produto, entusiasmado com a façanha realizada em tempo recorde, com os melhores resultados. Vamos abrir uma confeitaria? - fui convidada assim que entramos no carro com as formas recheadas. Sorrio para meu sócio, voltando nos anos, quando a cada aniversário seu recebia o pedido de um bolo temático. Conto a ele algumas sinopses da minha vida de boleira de tempos atrás e ele entende que, hoje, só posso brincar de doceira. Um tanto nostálgica, reconheço que Bruno não só me alcançou na (pouca) altura, mas que também mostra maturidade para aceitar o bastão e dar conta de dar forma a seus sonhos.

"Não dê o peixe, ensine a pescar", acho que estou aprendendo, de preferência, na melhor companhia dos meus meninos mestre-cucas de cuca legal. Amém!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Da mala da comadre

Sempre me impressiona, e encanta, os fenômenos que acontecem com aqueles que se conhecem profundamente, pelo direito e pelo avesso, lado A e lado B (fazendo vistas grossas com suas implicações....rs). Entre tantas manifestações do poder dessa intimidade, é quando os amigos viajam que uma delas me faz cafuné no coração: relatam em minúcias cenas e passagens que sabem de antemão me causariam um alvoroço de alegria. Às vezes são detalhezinhos, como uma espécie de árvore, a moldura de uma janela, a textura de um doce. E como num toque de varinha de condão, vivencio a situação como se tivesse participado dela, chegando bem perto do sabor, do cheiro, da vibração da cor, da emoção do momento...

Comadre tem essa capacidade aguçada de me dar carona nas suas andanças. Descreve como só ela lugares, povos, costumes, tudo ricamente detalhado, dispensando até fotos. Adoro ouvi-la, como criança escuta histórias antes de dormir e vai ficando molinha, molinha.... Dessa vez, voltou com a bagagem transbordando de novidades gastronômicas, culturais, religiosas, comportamentais, depois de uma aventura com sua grande família pela Europa. Num intervalo delicioso do cotidiano meio castigado dos últimos meses, em dia de aniversário, emprestei meus ouvidos com muito gosto para os melhores momentos que ela foi pinçando de acordo com meus interesses. Logo de início, tira uma caixa cor de rosa da sacola anunciando que ali morava uma coleção de coisinhas que recolhera para mim pelos trajetos da "expedição". Assim que a vi, vivi mais uma vez a certeza de que grandes amigos promovem o milagre de se apropriar de nossos olhos e fazer escolhas certeiras dos principais nutrientes da nossa alma. E foi assim que a comadre me trouxe a tesoura mais linda do mundo...


O dedal mais charmoso... A latinha de balas mais fofa...
E o São Francisco mais doce.

Na estreia dos presentes, preparei um outro, para uma bela menina que vi crescer e agora usa aliança na mão direita.Sim, querido Quintana, "amar é mudar a alma de casa". A comadre é fera nisso.Que por aqui também os canais do afeto estejam sempre abertos, para irmos mais longe, para estarmos cada vez mais perto. Amém!